Perdemos a eleição por erros que cometemos e não pela força política do presidente Lula, diz deputado João Almeida

Deputado federal João Almeida (PSDB-BA).
Deputado federal João Almeida (PSDB-BA).

2º parte da entrevista com o deputado João Almeida (PSDB) 

JGB – Logo após as eleições a oposição vem apresentando propostas no sentido de acabar com a figura do vice- presidente, essa posição não se caracteriza como uma forma de casuísmo político, deputado?
JA – Não, eu considero ótima! Eu mesmo apresentei projeto para que se extinga o cargo de vice-presidente. Havendo interrupção no mandato de presidente, assume o presidente da Câmara  e após 60 dias providencia-se uma nova eleição. O cargo de vice é sempre uma complicação, tanto para presidente como para governador e prefeito.
JGB –  Em que nível de reorganização política o PSDB está  pensando para os próximos quatro anos, uma vez que o partido saiu enfraquecido na Bahia?
JA – Nós não saímos enfraquecido no processo eleitoral, lamentavelmente saímos do mesmo tamanho que entramos, dois deputados estaduais e dois federais,  não crescemos. Agora o partido que perde a eleição, e tem juízo, faz uma reengenharia. Embora o resultado obtido por nós em âmbito nacional ou até mesmo local tenha sido ruim é importante que fique claro que perdemos a eleição por erros que cometemos e não por força  política do Lula.
JGB – O ex-presidente FHC durante recente entrevista concedida a Folha de São Paulo defende que o partido dentro de dois anos defina o seu candidato a presidente para não ser atropelado no processo eleitoral. Qual o tipo de avaliação que o senhor faz deste posicionamento?
JA – Considero uma boa ideia, mas não acredito que este seja um fator determinante. Governador em exercício de mandato não significa que pode ser um bom candidato a presidente a nossa arquitetura institucional obriga a existência de relação entre os poderes, isso faz com que se tenha um nível de convivência mais colaborativa o que evita tensões. Por isso acredito que o político possa ser um bom governador e não necessariamente um bom presidente, o caso de Collor é emblemático.
JGB – O senhor fez severas críticas a Lula, mas ele deixa o governo com alta taxa de crescimento de emprego, dinheiro em caixa e sem precisar a recorrer a empréstimo junto aos fundos Internacionais de financiamento. Porque, de acordo com sua análise, o senhor considera que este não é um governo satisfatório?
JA – tudo que aconteceu até agora decorre do crescimento da ordem econômica mundial, da base econômica estabelecida pelo governo de FHC  e da sabedoria do Lula que  que não agiu conforme vinha apregoando durante a sua campanha. Ele apenas deu continuidade ao modelo político adotado pelo governo que o antecedeu. Considero que a medida adotada por Lula foi satisfatória e eu o elogia neste aspecto.
Ao mesmo tempo em que defendo que tanto os governo como as lideranças políticas têm o dever de contribuir para a melhoria do padrão ético da política e o Lula neste quesito foi péssimo: desdenhou da justiça eleitoral, derrubou a liturgia do cargo de presidente, virou cabo eleitoral da Dilma. E atualmente para se ter acesso ao governo se exige a carteirinha partidária. Querer atribuir o milagre brasileiro a Lula é brincadeira. O bom resultado    econômico que se apresenta atualmente é uma conquista do povo brasileiro e dos  governo que antecederam Lula.
JGB – Em parte concordamos com o deputado, o que não conseguimos entender é o porquê ao final de dois governos de FHC, ele não teve as contas públicas saneadas. Como o senhor explica essa situação? 
JA – O empréstimo tomado por FHC junto ao FMI  foi para garantir a estabilidade do governo Lula, pois os agentes financeiros temiam que  lula  iria fazer as bobagens que ele andava a alardear. Importante não esquecer que o empréstimo pago ao FMI foi emitido em títulos públicos a juros de 16% à época de 12% para pagar empréstimo tomado a  4% ao ano, não foi um grande negócio para o país.
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Sobre Carlos Augusto 9616 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).