O Complexo do Alemão! | Por Carlos Fernando Priess

Vivemos ainda com a lembrança, triste e dolorosa, da chamada “Guerra do Rio”, com cenas de ataques criminosos, com violentos arrastões e incêndio em veículos, da população, e a reação do estado, ocupando as favelas. O que assistimos, através da televisão, ao vivo, nos últimos dias é apenas mais uma na longa lista de batalhas entre a polícia e o crime organizado.

São fatos que se repetem, mas será isso uma solução para a segurança pública do Rio, do país, em termos imediatos? E o que acontece para garantia dos direitos dos cidadãos da favela e de toda a cidade?
Assistimos com tristeza, dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marchando em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias, jamais tiveram oportunidade de uma vida condigna. São despidos de qualquer ideologia e não querem disputar o Estado. São vítimas dos poderosos traficantes que, por sua vez, são abastecidos por um poder maior, desconhecido e inatingível.
São jovens que só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. Não há sequer expectativa de vida, sabem apenas que podem matar, como se tornar cadáveres a qualquer hora.
Os pais desses jovens e que formam em verdade, a população das favelas, 99% são pessoas honestas que trabalham o dia todo nas fábricas, no comércio, na construção civil, nas ruas, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente, assiste as suas comunidades tornadas em praças de “guerra” sem exercer sequer o direito de dormir em paz.
Nas favelas, provam as estatísticas, que apenas 1%, são de possíveis criminosos e quem dera que o mesmo índice ocorresse na classe política.
Enquanto o povo, a população trabalha, o lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado.
Sabemos que a nossa polícia é a que mais mata e que mais morre no mundo, mas isso não resolve, pois está faltando vontade política para valorizar e preparar os policiais, remunerando-os condignamente, para enfrentar o crime, que tem poder e dinheiro.
Temos ainda, o que é grave por demais, como origem da crise, a desigualdade social, que não pode ser combatida com qualquer aparato bélico, sendo necessário entender, que a justiça social está no âmago de toda essa guerra entre o bem o mal.
Os Governos, a sociedade capitalista, precisa em verdade, é construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. É preciso entender que as chamadas UPPs, ajudam, claro, a ação policial, mas está faltando para os que trabalham, saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
E os problemas não se resolvem com a lógica da guerra, que prevalece no Brasil desde Canudos. Que nunca proporcionou segurança de fato. Registra a história que aquela guerra, terminou com a destruição total de Canudos, a degola, a sangue frio, de muitos prisioneiros e o incêndio de todas as 5.200 casas do arraial.
Precisamos, isto sim, exigir que a classe política cumpra com suas promessas e a sociedade dominante, faça da justiça social, uma bandeira constante, para que o que assistimos no Complexo do Alemão, não volte a se repetir.
*Por Carlos Fernando Priess.

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