Meu inconsciente coletivo é carente | Por Valéria Nascimento

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Sou daquelas pessoas que adoram o final de ano. Não só pelo lado do consumo – entrada do 13º salário, compras nas lojas, mesa farta no Dia de Natal, farra na virada, mas, principalmente, pela necessidade real que possuo de reflexão do ciclo que se encerra e renovação de sentimentos para o ano vindouro.

O mês de dezembro traz uma aura de fantasia e mistério que nos impulsiona a dizer – no próximo ano, será tudo diferente (as pessoas serão mais compreensivas, a vida coletiva será menos dolorosa e os nossos governantes serão mais humanos). Não me pergunte por que eu crio essas ilusões em toda virada, pois não saberia responder. Só sei que eu preciso.

Ontem, na minha ida a Camaçari (uma das mais belas cidades da Região Metropolitana de Salvador devido à sua organização), fiquei toda questionadora e pensativa quanto ao desenvolvimento de municípios e a postura dos gestores em relação ao uso do dinheiro público e o tratamento desprendido às suas populações. Sou da filosofia de que prefeito, governador e presidente da república precisam ter postura de pais – estabelecer a paz, acalmar os ânimos, dar satisfação às pessoas, enfim devem cuidar de todos com respeito.

Então, lembrei com lástima do alagamento de metade de Lauro de Freitas no 1º semestre, causando transtornos não só para quem vive na cidade, mas para quem transita diariamente pela Estrada do Côco; da derrubada das barracas da Orla de Salvador, mostrando a insensibilidade das autoridades soteropolitanas à vida de milhares de famílias por não ofertar alternativas aos ambulantes e a força dos barraqueiros de Lauro de Freitas pela não-derrubada delas na Praia de Ipitanga, tendo a adesão da prefeitura à causa com entrada de ação na Justiça para mantê-las devido à dupla municipalidade da praia.

Recordei da greve dos rodoviários das linhas de Lauro – Salvador devido à morte de um motorista em serviço no Parque São Paulo; da permanência do caos do transporte público de Simões Filho o qual estimula a exploração do trabalho infantil; do desrespeito ao cidadão nos cartórios soteropolitanos por causa da carência de servidores públicos no atendimento; da não-derrubada da perigosa passarela de São Cristóvão mesmo depois de inúmeras reclamações da imprensa, dos moradores e dos transeuntes e da instalação do empreendimento Salvador Norte Shopping dentro do bairro.

Foi minha passagem por Camaçari que estimulou minha carência coletiva, trazendo reflexões sobre a existência de problemas como algo inerente à Vida, mas como a forma a qual resolvemos os mesmos e tratamos todos os envolvidos fazem toda diferença. Até me questionei se uma campanha do tipo “Humaniza Serviço Público” faria alguma diferença para mudar essa situação. Bem, não tenho resposta… Mas, com certeza, traria algum comentário em colunas de Opinião nos grandes jornais.

Contudo, Camaçari também estimulou meu lado adulto ao trazer a tristeza de que mais um ano está indo e, em 2011, provavelmente ainda teremos outro alagamento em Lauro de Freitas, a passarela perigosa de São Cristóvão permanecerá e o transporte público em Simões Filho ainda contratará crianças e não chegará a todos os bairros do município. Será mesmo que nada mudará para melhor?

Será que precisaremos apelar para a malandragem do Saci Pererê e do Zeca Carioca para nos ensinar como se sensibiliza autoridades a cuidarem das cidades como se elas fossem seu próprio lar? Eu estou achando que sim. Esses problemas são grandes demais para os cabelos brancos de Papai Noel que não aguenta mais promessas de palanque de 2 em 2 anos.

*Por Valéria Nascimento.

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