Memória e difusão de Santa Bárbara são garantidas com livro inédito do IPAC

Com 78 páginas, 24 fotos e mapas, livro conta os 300 anos de história da Festa de Santa Bárbara, com artigos inéditos sobre a santa católica, a deusa yorubá Oyá e a devoção que atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo.
Com 78 páginas, 24 fotos e mapas, livro conta os 300 anos de história da Festa de Santa Bárbara, com artigos inéditos sobre a santa católica, a deusa yorubá Oyá e a devoção que atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo.
Com 78 páginas, 24 fotos e mapas, livro conta os 300 anos de história da Festa de Santa Bárbara, com artigos inéditos sobre a santa católica, a deusa yorubá Oyá e a devoção que atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo.
Com 78 páginas, 24 fotos e mapas, livro conta os 300 anos de história da Festa de Santa Bárbara, com artigos inéditos sobre a santa católica, a deusa yorubá Oyá e a devoção que atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo.

Com 78 páginas, 24 fotos e mapas, livro conta os 300 anos de história da Festa de Santa Bárbara, com artigos inéditos sobre a santa católica, a deusa yorubá Oyá e a devoção que atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo, para a manifestação que acontece no Centro Histórico de Salvador todos os dias 4 de dezembro. 

Tornada oficialmente bem público imaterial da cultura baiana através de decreto do governador Jaques Wagner em dezembro de 2008, a Festa de Santa Bárbara – que acontece no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador – ganha neste sábado, dia 4 (dezembro, 2010), mais um produto para preservar a sua memória e difusão em escolas, colégios, bibliotecas, faculdades e universidades, e outras instituições culturais.

Trata-se do livro “Festa de Santa Bárbara”, quinta edição da série Cadernos do IPAC, que de 2007 a 2010 já publicou livros sobre Pano da Costa, Festa da Boa Morte, Carnaval de Maragojipe e Desfile dos Afoxés, este último lançado ontem (30/12) no Palácio da Aclamação. A iniciativa é do Instituto do Patrimônio do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) da secretaria estadual de Cultura (SecultBA).

Segundo o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, a publicação dos dados e informações produzidas pelas equipes técnicas multidisciplinares do Instituto é uma obrigação regimental. “Temos que tornar público o conhecimento científico produzido na instituição e um deles é o dossiê de pesquisas que fundamentam os registros dos patrimônios imateriais da Bahia, como a Festa da Boa Morte”, ressalta Mendonça.

O gestor estadual destaca que os livros serão distribuídos para bibliotecas de todo o estado através da Fundação Pedro Calmon – parceira das edições Cadernos do IPAC – e trabalhados pelos sistemas públicos de ensino estadual e municipais. Para Mendonça, o patrimônio intangível, como as festas e celebrações de um povo, só resistem ao tempo e sobrevivem, como a Festa de Santa Bárbara sobreviveu por três séculos, graças ao desejo de uma comunidade de repassar aquela herança para as gerações futuras.

”Ao fornecer a chancela de bem cultural imaterial, o Estado passa a ser partícipe desse processo de resistência ao tempo e por isso o IPAC apóia financeiramente a festa e faz produtos como o livro”, diz Mendonça. Através do IPAC/SecultBA o governo estadual promove a montagem de palco no largo do Pelourinho, sistema de som, decoração de andores, palco e barracas de comerciantes, camisas e grupo de cântico, além de carurus de algumas associações, como a do Mercado de Santa Bárbara. “O apoio é vital para a Irmandade e a comunidade que participa da festa”, afirma o Prior da Irmandade dos Homens Pretos, Júlio César Soares, entidade organizadora do festejo.

HISTÓRIA – A Festa de Santa Bárbara remonta ao ano de 1639, quando o casal Francisco Pereira e Andressa Araújo construiu capela devocional no comércio às margens da Baía de Todos os Santos, em Salvador. Desde então a festividade, transferida para o Pelourinho, tornou-se não somente fonte de fé para católicos como também para adeptos da religiosidade de matrizes africanas, que chegam de diversos estados brasileiros e até de fora do Brasil para participar da festa e procissão em Salvador. A programação (ANEXA) inclui tríduo de celebrações eucarísticas que começou hoje (01/12) e termina na sexta-feira (03/12) na Igreja da Ordem 3ª do Carmo – já que a igreja Rosário dos Pretos está em obras de restauração pelo IPAC com investimento de R$ 2,3 milhões do Ministério do Turismo e Governo da Bahia.

No sábado, dia 4, às 5h30, ocorre salva de fogos de artifício na alvorada e às 8h00 começa a missa celebrada em palco montado no Largo do Pelourinho. Ao término da missa será lançado o livro. Depois é iniciada a procissão que percorre a Rua Gregório de Mattos, seguindo pelo Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Praça Municipal, Ladeira da Praça, Praça dos Veteranos – quando a procissão Adentra o Corpo de Bombeiros – passando pela Baixa dos Sapateiros até o Mercado de Santa Bárbara. Mais informações na Irmandade do Rosário dos Pretos, através do Tel. (71) 3241-5781.

Tradicional Festa de Santa Bárbara atrai fiéis e turistas ao Pelô no próximo dia 4 de dezembro

Centro histórico vira tapete vermelho para saudar uma das mais populares santas católicas. Festa é sincrético com tradições afro baianas. Missa, procissão e programação festiva inicia o ciclo de manifestações populares da temporada de verão na capital baiana.

Reconhecida oficialmente em dezembro de 2008, através de decreto publicado no Diário Oficial do Estado e assinado pelo governador Jaques Wagner, como patrimônio imaterial da Bahia, a Festa de Santa Bárbara é uma manifestação religiosa existente em Salvador há mais de 300 anos, ao longo dos quais se manteve viva e dinâmica. Hoje, a festa já está oficializada como bem cultural intangível e inserida no “Livro de Registros Especiais de Eventos e Celebrações” do Estado da Bahia. A homenagem à santa acontece no Centro Histórico de Salvador (CHS), no dia 4 de dezembro, iniciando o ciclo de manifestações populares da temporada de verão na capital baiana.

O reconhecimento oficial do Estado para com a festa faz com que a Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), através do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural (IPAC) e programa Pelourinho Cultural, apóie e fomente mais uma edição dessa antiga celebração. O evento é tradicionalmente organizado pela Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, sediada na igreja de mesmo nome, no Largo do Pelourinho, onde começa e termina a festa. A Prefeitura do Salvador, responsável por licenciar e acompanhar todas as festividades que acontecem nas ruas e praças do território municipal, e outras agremiações, também auxiliam e participam dos festejos.

A estrutura para a realização do evento como montagem de palco, sonorização, decoração de andores que compõem a procissão, decoração do palco, decoração das barracas dos comerciantes locais, camisas e grupo de cântico, é fornecida pela Secretaria de Cultura. Para o Prior da Irmandade dos Homens Pretos, Júlio César Soares, “o apoio é de vital importância tanto para a Irmandade quanto para a comunidade que participa da festa, pois é uma forma de dar manutenção à celebração”, diz. Além da estrutura, o Governo ainda apóia carurus de algumas associações, dentre elas da Associação Cultural e Social do Mercado de Santa Bárbara.

Programação

O festejo em homenagem à santa, considerada madrinha do Corpo de Bombeiros, padroeira dos mercados e, no sincretismo religioso, Iansã – rainha dos ventos e raios, é composto de missa campal e procissão feita por católicos e adeptos das religiões e culturas de matrizes africanas, além de programação festiva com atrações diversas. As atividades começam às 5h da manhã do dia 4 de dezembro, com a tradicional queima de fogos de artifício na alvorada, às portas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho. Em seguida, às 8h, será realizada missa festiva, acompanhada de procissão que sairá do local e passará pela sede do Corpo dos Bombeiros, na Ladeira da Praça (Baixa dos Sapateiros), onde há uma capela interna em homenagem à santa, que é saudada com jatos d’água e toques de sirene. Antes de retornar à Igreja Ordem Terceira do Carmo – já que neste ano a igreja do Rosário dos Pretos está em restauração pelo IPAC – , a imagem passa pelo Mercado de Santa Bárbara – local onde comerciantes distribuem caruru anualmente em comemoração à data. Em seguida, os devotos voltam ao Pelourinho para curtir os festejos.

De acordo com o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles, o patrimônio cultural, seja o intangível – como as manifestações populares – ou o material – como edificações e obras de arte -, passam a ter proteção do Município, do Estado ou da União quando essas instâncias públicas registram ou tombam seus bens culturais. Assim, o registro de patrimônio intangível do Estado para a Festa de Santa Bárbara coloca essa manifestação como prioridade nos programas de financiamento de apoios culturais e turísticos promovidos por entes municipais, estaduais, federais e até internacionais. “A ação da salvaguarda do bem cultural também provoca os municípios, que podem e devem criar, implantar e executar políticas públicas para os bens culturais dos seus territórios”, diz Meirelles. O secretário exemplifica a prefeitura de Maragojipe que já criou um Conselho de Cultura para o seu município, ou a cidade de Caetité, cuja prefeitura já tem legislação própria para proteger os seus patrimônios culturais.

Atrações musicais – Durante a tarde, entra em destaque a diversificada programação musical do Pelourinho Cultural, programa do IPAC/SecultBA. Shows e apresentações gratuitas irão agitar os largos, praças e ruas do bairro. As apresentações acontecem desde as 14h com o swing de Jorginho Comancheiro, Grupo Botequim, Will Carvalho e Cortejo Afro no Largo do Pelourinho e Band’afro Detona, Na Varanda e Catadinho do Samba no Terreiro de Jesus. Os Filhos de Marujo e Repique de Korte, por sua vez, animam o Largo Tereza Batista. Já o público que comparecer ao Largo Pedro Archanjo poderá conferir o tradicional Malê de Balê e as melodias do grupo Filosofia de Quintal. Quem preferir ir ao Largo Quincas Berro D’Água contará com o som de Clécia Queiroz e Ijexá da Bahia.

A festa continua também na Praça do Reggae, sob o comando de Aspiral do Reggae, Kamaphew Tawa, Gil Félix e Banda Passo. Por fim, Swing do Pelô, Meninos do Pelô, Meninos da Rocinha, Tambores e Cores, Maracatu Acasa, Os Bonecões e Bandão Jurema serão as atrações itinerantes que percorrerão as ruas do Pelourinho (confira programação anexa).

O diretor geral do IPAC/SecultBA, Frederico Mendonça, destaca que o patrimônio imaterial só existe graças ao desejo do grupo social que realiza a manifestação. “O bem cultural intangível se transmite entre gerações, embora seja recriado constantemente”, explica Mendonça. A manifestação é uma criação das comunidades em função do seu ambiente e da interação que mantêm com a sua história. “Um bem intangível como a Festa de Santa Bárbara promove sentimento de identidade e continuidade dos grupos, tornando-se elemento essencial de afirmação da diversidade cultural e do reconhecimento à criatividade”, conclui Mendonça.Ivanna Soutto, diretora do programa Pelourinho Cultural/Ipac, afirma que a celebração tem o sentido de enaltecer e valorizar uma festa que já consta no imaginário popular e é querida pelos baianos. O gerente de Pesquisa e Legislação Patrimonial do IPAC/SecultBA, Mateus Torres, ressalta o caráter sincrético do evento. “A estética da festa é dinâmica e existe um ritual onde elementos católicos comungam com elementos de matriz africana”, afirma. O modo de vestir, rezar, cantar e saudar, com sagrado e profano se confundindo, são elementos evidenciados na pesquisa, que possibilitou o registro da festa como bem imaterial. “O profano e o sagrado relacionam-se dinamicamente com valores dotados pela comparação, contraste e contradição”, complementa Torres.

Ainda de acordo com as pesquisas, o cortejo de Santa Bárbara é o festejo popular que mais tem crescido em número de adeptos, apreciadores e turistas na Bahia. “É um evento tradicional e as tradições têm que ser preservadas, é a nossa memória e história”, comenta Torres.

Histórico

Contam os católicos que Santa Bárbara era natural da Ásia Menor e filha de um senhor muito rico que, em função da sua extraordinária beleza, a isolou do resto do mundo em uma alta torre com apenas duas janelas. Segundo a liturgia, durante uma viagem do pai, a jovem decidiu ser batizada cristã e pediu que abrissem mais uma janela na torre, a fim de homenagear a Santíssima Trindade. Este feito provocou a ira de seu pai ao retornar da viagem. Apesar de ela ter conseguido fugir, foi denunciada, condenada e, depois, executada por seu próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada, no dia 4 de dezembro. Após a execução, o pai teria sido atingido por um raio e Santa Bárbara se tornado um mártir católico. Já no sincretismo com o candomblé, Santa Bárbara é Iansã, a divindade dos ventos, tempestades e raios.
A imagem de Santa Bárbara foi trazida ao Brasil pelos portugueses ainda no período colonial e passou a ser cultuada no século XVII, quando o casal Francisco do Lago e Andressa de Araújo instituiu o Morgado de Santa Bárbara, em 1641, em homenagem à filha Francisca. Este Morgado era composto por prédios e capela dedicada à santa e localizava-se ao pé da Ladeira da Montanha, transformado-se, com o tempo, em mercado.

Devido a um incêndio no Morgado, em 1898, do qual restaram apenas ruínas e a imagem de Santa Bárbara, ela foi transferida, em 1938, para a Igreja do Corpo Santo. A imagem esteve, ainda, nas igrejas do Paço, da Saúde, no Mercado de Santa Bárbara e, atualmente, encontra-se na Igreja do Rosário dos Pretos.

Durante todo este período e ainda hoje a santa é invocada em momentos iminentes contra a morte trágica, trovões, armas de fogo, raios, explosões e temporais, como padroeira dos artilheiros, mineiros que lidam com explosões e bombeiros que lidam com o fogo.

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