Presidente Lula diz que reformas não andaram por causa de inimigo oculto

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica falta das reformas econômica e política durante os dois governos.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica falta das reformas econômica e política durante os dois governos.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica falta das reformas econômica e política durante os dois governos.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica falta das reformas econômica e política durante os dois governos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (03/12/2010), durante entrevista concedida no Rio de Janeiro a correspondentes internacionais, que reformas necessária ao país, como a política e a tributária, não andaram devido a um “inimigo oculto” e por má vontade do Congresso Nacional. Lula lembrou que durante seus oito anos na Presidência mandou duas propostas de reformas ao Congresso que não andaram.

“Uma coisa que aprendi nesses oito anos na Presidência é que muita gente gosta de falar em reformas porque é um certo modismo, uma coisa chique falar de reformas”, disse Lula a jornalistas estrangeiros. O presidente disse que enviou, em 2003, a sua primeira proposta de reforma tributária ao Congresso. Segundo ele, ela foi elaborada com a participação de governadores, líderes partidários e empresários, mas mesmo assim não foi aprovada pelo parlamento.

Lula relembrou que no início do seu segundo mandato novamente encaminhou ao Congresso nova proposta de reforma, que contou com a participação dos 27 governadores, empresários, políticos e trabalhadores e, mais uma vez, não andou. “Achei que quando ela chegasse ao Congresso seria aprovada no primeiro dia por unanimidade, tamanha era a coesão em torno da proposta, o que aconteceu? Nada. Porque o inimigo ocultou se manifestou outra vez e não permitiu que ela acontecesse”, argumentou.

“Se ela [a reforma tributária] não foi votada significa que é mais má vontade verbal do que uma necessidade de se fazer reforma tributária, porque as pessoas [os parlamentares] não querem. Tenho vivido com os empresários e cada um deles tem uma bancada lá [no Congresso]. Poderia ter sido feita”, acrescentou Lula.

De acordo com o presidente, diante da falta de vontade política do Congresso em aprovar as reformas, o governo assumiu o papel de diminuir o peso dos impostos no país. “Acho que vamos fazendo a cada dia a nossa reforma. No meu segundo mandato exoneramos mais de R$ 100 bilhões de impostos”, lembrou. Apesar de ser favorável a uma reforma tributária, Lula voltou a defender a carga tributária brasileira, em torno de 35% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Há uma contradição extraordinária no Brasil. Você pega o mapa mundi e observa que os países que têm carga tributária muito baixa são os países muito pobres e os que têm alta, são os países ricos, onde o povo vive melhor, tem mais escola, mais transporte, mais cultura. Paga mais imposto [mas recebem serviços em contrapartida]. Certamente, nos Estados Unidos o Importo de Renda deve ser maior do que na Europa”, pontuou o presidente, acrescentando que país com carga tributária inferior a 10% “não existe”.

“Aqui na América Latina tem Estado com carga tributária de 9%. Um Estado que só arrecada 9% não é Estado. Ele não pode nada. Não pode investir em educação, em infraestrutura, não pode investir em absolutamente nada. Ele não existe. A carga tributária no Brasil é justa”, ressaltou.

Lula disse ainda aos jornalistas estrangeiros que após deixar a Presidência, brigará para que o Congresso aprove a reforma política. “Acho que ela é a principal reforma que temos que fazer. Agora que não serei mais presidente da República e serei militante do meu partido, vou trabalhar para fazer a reforma política. Isso não era uma proposta do presidente da República e não é o presidente que tem que fazer reforma política. São os partidos políticos”, disse.

Depois de considerar insignificante o vazamento de e-mails diplomáticos, Lula muda de posição

Diferentemente do que havia dito no início da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (03/12) que o vazamento de e-mails e correspondências de diplomatas dos Estados Unidos é grave e que serve de lição para que os representantes do governo americano tenham mais cuidado com o tráfego de informações. Logo após o site WikiLeaks divulgar informações sigilosas do governo norte-americano, Lula havia dito que o conteúdo vazado era “insignificante”.

Durante entrevista a correspondestes internacionais, no Rio de Janeiro, Lula ressaltou que o vazamento “machuca um pouco a nobreza da diplomacia mundial e o comportamento da diplomacia americana”.

“Quem deve estar preocupado neste momento [com os vazamentos] é o presidente [Barack] Obama. E isso é uma lição para, daqui para frente, os embaixadores passarem telegramas com mais responsabilidade. A gente não pode chegar no final do dia, ficar escrevendo qualquer coisa e mandar para o chefe”, disse Lula.

Na entrevista, Lula negou que Brasil tenha uma postura antiamericanista. “É bem possível que, no Brasil, tenha gente que não goste dos Estados Unidos. A minha posição, enquanto presidente da República, e a posição do meu país, enquanto decisão de nação, é a de que os Estados Unidos são um parceiro excepcional para Brasil, privilegiado. Temos relações políticas, comerciais, culturais muito importantes, mas não concordamos com algumas coisas que os Estados Unidos têm de posição. Não existe nenhum antiamericanismo da parte do Brasil”, ressaltou Lula.

“A relação entre os dois países é boa, foi boa com o [Bill] Clinton, com o [George W.] Bush e está sendo boa com o Obama. É, historicamente, boa a relação brasileira com os Estados Unidos”, reforçou.

No entanto, o presidente disse lamentar o que chamou de “olhar pequeno” dos americanos em relação ao Brasil e à América Latina. “A única coisa que eu lamento, e disse isso ao presidente Obama e ao presidente Bush, é que, muitas vezes, eles olham com olhar pequeno para a América Latina. Era preciso que eles tivessem uma dimensão maior do que representa o Brasil, a América Latina na relação com os americanos. Eles ficam muito preocupados com o Afeganistão, com o Oriente Médio e esquecem que o mundo é muito maior do que isso”, afirmou o presidente aos jornalistas estrangeiros.

Lula: não está longe o dia em que brasileiros não precisarão mais emigrar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (03/12) que “não está longe” o dia em que os brasileiros não precisarão mais emigrar em busca de melhor condição de vida. A afirmação foi feita durante a posse dos membros do Conselho de Representantes dos Brasileiros no Exterior, no Palácio Itamaraty, no Rio.

“Sonho que não está longe o dia em que só estará no exterior, o brasileiro que quiser estar no exterior. Ele não estará mais fora, fugindo daquele tempo tenebroso em que nós passamos 20 anos sem gerar emprego em lugar nenhum desse país. Muitos de vocês foram embora para garantir o direito de comer outra vez. Esse país está pronto para garantir o direito de comer a todos os brasileiros aqui dentro do Brasil”, ressaltou.

Segundo Lula, o Brasil oferece atualmente mais oportunidades do que muitos países ricos. Ele disse que, se a economia brasileira continuar crescendo, “não faltará lugar para que os brasileiros retornem do exterior”. Hoje, cerca de 3 milhões de brasileiros vivem em outros países, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

O presidente também disse que é preciso que os países respeitem os imigrantes e citou, como exemplo, o Brasil que, no auge da crise econômica, em 2008 e 2009, legalizou 150 mil estrangeiros ilegais, como paraguaios e bolivianos.

“Quando na crise econômica de 2008, alguns países europeus começaram a perseguir os imigrantes, aqui no Brasil nós legalizamos mais de 150 mil paraguaios e bolivianos, para dizer que nós não vamos resolver o problema da incapacidade de governança dos dirigentes, jogando a culpa nos coitados dos imigrantes”, afirmou o presidente.

Lula voltou a fazer um balanço de seu governo, dizendo que não deixou nenhuma “herança maldita” para a presidenta eleita, Dilma Rousseff, e que ele jamais imaginou que o Brasil estaria numa posição tão privilegiada como neste momento.

Lula não quer deixar para Dilma decisão sobre extradição de Batistti

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer deixar para a sucessora Dilma Rousseff a decisão sobre a extradição do italiano Cezare Battisti. Em entrevista a correspondentes internacionais, no Rio de Janeiro, Lula disse que aguarda, apenas, parecer do advogado-geral da União sobre o assunto.

“O parecer é o que vai balizar a minha decisão. Tivemos um processo eleitoral, um segundo turno e tudo isso atrasou um pouco o trabalho”, disse Lula aos jornalistas estrangeiros. “Espero que o meu advogado-geral possa me apresentar a proposta da decisão antes de terminar o mandato. Não gostaria de deixar para Dilma tomar a decisão”, completou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição de Battisti, que responde a vários processos na Itália e está preso no Brasil, mas deixou a decisão para o presidente da República.

Lula diz que subsídios para Copa de 2014 não podem “enforcar o povo” e elogia Rússia e Catar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a decisão da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de escolher Rússia e Catar como sedes das copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente. Para o presidente, a decisão representa a descentralização do evento.

“A Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo”, disse em entrevista coletiva a correspondentes internacionais no Rio de Janeiro. “Também dou os parabéns ao Catar. Quem conhece, sabe que, embora seja um país pequeno, tem poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional”.

Lula disse que, no caso do Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo em 2014, a desoneração de tributos para garantir a construção dos estádios não irá prejudicar o crescimento do país. “Nos interessa baratear o custo das coisas para que a Copa do Mundo saia mais barata para os estados. Mas não iremos enforcar o povo brasileiro para fazer Copa do Mundo”, afirmou.

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