Inflação tem a maior alta desde fevereiro de 2010, aponta FGV

Alexandre Tombini: inclusão financeira da população é importante para a política monetária.Alexandre Tombini: inclusão financeira da população é importante para a política monetária.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), atingiu 1,14% na primeira prévia de dezembro, o que representa um acréscimo de 0,14 ponto percentual sobre o resultado apurado no fechamento de novembro (1,00%). Foi a maior taxa desde fevereiro deste ano quando a variação havia alcançado 1,33%.

Os alimentos continuam liderando as altas de preços com oscilação na média de 2,72% ante 2,27% na última pesquisa. Só as frutas aumentaram 5,67% ante 3,95% e os adoçantes 9,11% contra 7,14%. Também pertencem ao grupo alimentação os cinco itens que mais influenciaram na alta do IPC-S: alcatra (de 11,80% para 12,88%); açúcar refinado (de 8,43% para 11,05%); carne moída (de 9,36% para 8,36%); contra-filé (de 10,74% para 11,17%) e filé mignon (de 22,62% para 24,88%).

Outros três grupos também apresentaram índices superiores aos da última pesquisa: saúde e cuidados pessoais (de 0,39% para 0,47%), puxado pelos reajustes nos serviços prestados pelos salões de beleza (de 0,72% para 1,10%); despesas diversas (de 0,31% para 0,37%) com destaque para as rações de animais domésticos (de l,58% para l,82%) e habitação (de 0,43% para 0,45%) sob o efeito das correções do aluguel residencial (de 0,66% para 0,79%).

Em educação, leitura e recreação foi mantida a estabilidade com a taxa de 0,34%. Neste segmento, foram observadas altas na passagem aérea (de 5,86% para 9,81%) ao mesmo tempo em que caíram os preços nas salas de espetáculo (de 0,01% para -1,40%).

Nos demais grupos ocorreram aumentos com taxas inferiores ao encerramento de novembro: em vestuário os preços subiram 0,76% sobre uma alta anterior de 1,01% com destaque para os calçados (de 1,31% para 0,71%). Em transportes, as elevações ficaram na média de 0,69% ante 0,67% com reflexo do valor cobrado pela gasolina que vem perdendo força (de 1,36% para 1,06%).

Tombini: inclusão financeira da população é importante para a política monetária

A inclusão financeira da população é de “de extrema importância para a condução da política monetária”, avaliou hoje (7) o indicado para a presidência do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, em sabatina no Senado.

“Quanto maior for a parcela da sociedade que efetivamente utiliza o sistema financeiro, seja obtendo crédito, seja investindo suas economias, maior será a eficácia da política monetária”, disse.

Tombini destacou que, “em uma sociedade plenamente incluída financeiramente, pequenas oscilações nas taxas de juros tendem a ter implicações maiores na expansão ou retração da demanda agregada, facilitando e reduzindo o custo do controle da inflação”.

Segundo ele, entre as medidas para inclusão financeira da população então os correspondentes bancários, o aperfeiçoamento do marco regulatório do cooperativismo de crédito e a criação da conta simplificada.

Tombini acrescentou que atualmente todos os municípios brasileiros dispõem de algum tipo de serviço bancário ou financeiro: são mais de 20 mil agências, cerca de 50 mil postos de atendimento bancários e mais de 158 mil caixas eletrônicos. O Sistema Financeiro Nacional gerencia atualmente mais de 142 milhões de contas ativas.

O principal instrumento da política monetária é a taxa básica de juros, a Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC eleva a Selic para estimular a poupança e conter a expansão excessiva da demanda.

O comitê também pode não mexer nos juros básicos quando acredita que o patamar da taxa é suficiente para gerar equilíbrio entre o que se produz, o que se compra e os preços cobrados. Pode ainda reduzir a taxa Selic se o objetivo for aquecer o mercado consumidor e estimular a atividade econômica.

Reservas internacionais do Brasil têm nível moderado, avalia indicado para presidir BC

O nível de reservas internacionais no Brasil é “moderado”, em relação ao tamanho da economia brasileira, avaliou o indicado para presidir o Banco Central (BC), Alexandre Tombini, em sabatina no Senado.

Atualmente, as reservas internacionais estão em US$ 286,674 bilhões. Segundo Tombini, o nível de reservas brasileiras representa menos de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Ele comparou esse patamar ao de outros países em desenvolvimento que têm mais reservas, como a China – mais de 40% do PIB – e a Rússia, com 21% do PIB.

Tombini, que atualmente é diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC, acrescentou que “a questão do tamanho ótimo” das reservas ainda não foi resolvida pelos economistas.

Para ele, as reservas internacionais ajudaram o Brasil a superar a crise financeira internacional, iniciada em 2008. Segundo Tombini, o nível das reservas permitiu o uso de “forma criativa” dos recursos no enfrentamento da crise.

Crescimento da construção civil deve cair pela metade em 2011

O crescimento da construção civil deve cair pela metade no ano que vem ante o resultado previsto para este ano. De acordo com as estimativas divulgadas hoje (7) pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), o avanço de 11% previsto para 2010 deve cair para casa dos 6% em 2011 devido a “gargalos” enfrentados pelo setor.

Segundo Eduardo Zaidan, diretor de Economia da entidade, o desempenho de 2010 é recorde e dificilmente será igualado antes que o setor supere o que ele classificou de “novos desafios”. Um deles, disse Zaidan, é o da produtividade.

Ele afirmou que as construtoras precisam investir em tecnologia e formação de profissionais para aumentar o número de unidades e obras realizadas com o mesmo custo. “Se não tivermos um salto importante na produtividade, vai ser difícil alcançarmos os mesmos patamares de crescimento”, disse.

Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e responsável pela elaboração das estimativas da construção, destacou a mão de obra como ponto-chave para um crescimento maior do setor. Segundo ela, a indústria da construção trabalha atualmente com um nível de ocupação recorde e, em alguns casos, faltam trabalhadores. Para a técnica da FGV, isso tem elevado o custo das obras e pressionado o desempenho do setor. Até novembro, por exemplo, o gasto com trabalhadores na construção já havia crescido 8,73% no ano.

O custo dos materiais também preocupa, segundo Ana Maria Castelo. Em 11 meses, a alta é de 5,01%, causada, principalmente, pelo aumento da demanda. “A partir do momento em que você tem um aumento de demanda, você tem aumento dos custos”, afirmou. “A indústria de materiais está trabalhando bem perto do seu limite”, completou.

Ela destacou, porém, que as expectativas para 2011 são boas apesar da desaceleração prevista. Afirmou ainda que os empresários estão otimistas e confiantes, mesmo depois do governo federal anunciar um corte de gastos para o ano que vem.

Para Zaidan, boa parte do crescimento previsto para 2011 diz respeito a obras já contratadas. Caso o governo desista de projetos futuros, isso será sentido daqui a alguns meses e que não vai comprometer todo o setor, prevê o diretor de Economia do Sinduscon-SP.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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