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Lula diz que Dilma fará um “extraordinário” governo e que não pode “deixar o carro parar”

Em sua última visita a Pernambuco antes de deixar a Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou hoje (28/12/2010) que a presidente eleita, Dilma Rousseff, dará continuidade aos programas iniciados durante sua gestão e que não pode “deixar o carro parar”.

“Companheiros da Fiat, a Dilma fará um extraordinário governo e dará apenas sequência ao projeto que ela mesma ajudou a construir”, disse. “O carro já está andando a 110 quilômetros, e ela vai levar a 130 quilômetros, poderá reduzir a 119 quilômetros, quando estiver em uma curva, mas não poderá deixá-lo parar”, completou Lula ao discursar na cerimônia de lançamento da pedra fundamental da nova fábrica da Fiat do Brasil, no Complexo Industrial e Portuário de Suape (PE).

Ao lembrar os investimentos feitos no Nordeste durante sua gestão, Lula disse que em dez anos a região poderá deixar de ser a mais pobre do país. “A Fiat agiu corretamente quando decidiu se instalar no Nordeste. Se depender de mim, sendo presidente ou não, mais indústrias irão se instalar no Norte e no Nordeste porque precisamos recuperar mais de um século de atraso”, afirmou.

A nova fábrica da Fiat compreende uma área de 4,4 milhões de metros quadrados, e deve gerar 3.500 novos empregos diretos, quando estiver em plena operação. Inicialmente, a nova instalação terá capacidade para a produção de, aproximadamente, 200 mil veículos por ano.

Em tom de despedia, Lula disse que durante os oito anos de governo trabalhou muito para provar que sua eleição não seria ruim para o país. “A minha chegada tinha que mudar o patamar de governança deste país. Nenhum presidente teve que provar qualquer coisa, mas eu sabia que tinha que provar a cada dia, que alguém saído do meio do povo teria condições de governar como todos os doutores que passaram pela Presidência deste país Não podia só falar, tinha que provar. Não só para mim mesmo, mas para as pessoas e para os trabalhadores”, disse.

Segundo Lula, o maior legado que ele deixará como presidente da República será a certeza de que qualquer trabalhador poderá chegar à Presidência ou poderá mudar a história do país se persistir e perseverar.

Importações tiveram maior ritmo de crescimento que exportações no governo Lula

As exportações brasileiras vão fechar 2010 com resultado histórico, ao redor de US$ 200 bilhões, ultrapassando, inclusive, as vendas de 2008, quando foi registrado o recorde até então, de US$ 197,942 bilhões. Estima-se, portanto, uma expansão de 330% em relação aos US$ 60,362 bilhões exportados em 2002, de acordo com números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No mesmo período, as importações evoluíram ainda mais. Passaram de US$ 47,323 bilhões, no fim de 2002, para US$ 175,892 bilhões até o último dia 17/12, e as compras externas devem somar mais US$ 8 bilhões, aproximadamente, nos oito dias úteis que faltam contabilizar este ano, de acordo com a média diária do mês. O aumento das importações, nos oito anos de governo Lula, vai beirar, portanto, 390%.

“É inegável” que o Brasil obteve ganhos significativos no comércio internacional, segundo o vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fábio Martins Faria. Ele ressaltou, contudo, que o volume de negócios externos poderia ser maior, ainda, não fosse o “excesso de burocracia e controles”, além de um “sistema tributário inadequado”, deficiências na infraestrutura e a desvalorização do dólar em relação ao real.

A esse respeito, o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, admite que a questão cambial diminui a competitividade dos preços dos produtos brasileiros lá fora. Mas destaca que se o país tivesse melhor infraestrutura de estradas e portos, com logística mais adequada, “os efeitos da desvalorização do dólar norte-americano seriam menos sentidos”, e o Ministério da Fazenda não teria tido a necessidade de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das aplicações externas.

O dirigente da AEB diz que a forte expansão da economia mundial nesta década, até a crise financeira mundial de setembro de 2008, ampliou a demanda por produtos brasileiros; em especial por commodities (produtos agrícolas e minerais com cotação internacional). O cenário anterior possibilitou, portanto, o aumento das exportações, embora “de forma menos saudável, pois a competitividade dos manufaturados nacionais vem perdendo força”.

Análise dos números do MDIC mostra que o comportamento da corrente de comércio do Brasil com os demais países teve momentos distintos. As exportações cresceram bem mais que as importações até 2006, quando a balança comercial registrou o saldo recorde de US$ 46,456 bilhões. A partir do ano seguinte, as compras externas cresceram mais e os saldos começaram a cair, a ponto de a AEB estimar para este ano um saldo em torno de US$ 17 bilhões.

Essa inversão na gangorra comercial começou a se fazer sentir mais fortemente em 2008, quando o saldo de então caiu para US$ 24,957 bilhões e o país voltou a registrar déficit nas transações correntes com o mundo, no valor de US$ 28,192 bilhões, equivalentes na época a 1,72% do Produto Interno Bruto (PIB) – soma das riquezas e serviços produzidos no país. Resultado negativo que se repetiu no ano passado, no valor de US$ 24,3 bilhões (1,55% do PIB).

O déficit em transações correntes deve dobrar este ano, podendo alcançar cerca de R$ 50 bilhões, conforme expectativa média de uma centena de economistas que o Banco Central consulta uma vez por semana e resulta no boletim Focus. De acordo com a perspectiva desses economistas, o déficit deve crescer para US$ 69 bilhões em 2011, embora o dirigente da AEB arrisque número menor, em torno de US$ 60 bilhões.

Crescimento que acontece, no entender de Fábio Martins Faria, porque nossas exportações de produtos manufaturados (com valor agregado) vêm perdendo competitividade, “devido a entraves e elevados custos internos”, bem como à “irracionalidade do sistema tributário”, além da deficiência de infraestrutura e da valorização do real.

A situação exige, segundo ele, que o país adote uma política permanente e ativa de comércio exterior, que maximize a capacitação competitiva das exportações, uma vez que “o comércio exterior é fator determinante para sustentação do desenvolvimento econômico e social do Brasil”.

Em oito anos, país passou da austeridade fiscal ao crescimento com redistribuição de renda

De uma economia em crise, com pouco crescimento e inflação em ascensão, para o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em mais de duas décadas, com desemprego em queda e reconhecimento internacional. A política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em oito anos de governo, foi marcada pela busca do crescimento com distribuição de renda.

A atuação do governo Lula na área econômica pode ser dividida em duas fases: a austeridade fiscal durante a gestão de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, de 2003 a 2006, e o crescimento com reconhecimento internacional da administração Guido Mantega na pasta, que começou há quatro anos e continuará no governo da presidenta eleita Dilma Rousseff.

Com a necessidade de reorganizar a economia após o processo eleitoral de 2002, Lula iniciou o mandato por meio de um forte aumento de juros, que combinado com um ajuste fiscal mais rigoroso, resultou num crescimento do PIB de 0,5% em 2003. Inicialmente tinha sido divulgada queda de 0,2%, mas os números foram revisados posteriormente.

Em 2010, o presidente Lula termina o governo com um crescimento estimado da economia de pelo menos 7,5%. A média de crescimento até 2008, ano mais forte da crise econômica, chegou a 4,2% e entre 2010 e 2014 a expectativa para o crescimento médio está em torno de 6%, de acordo com estimativas do Ministério da Fazenda. Somente em 2009, por causa da crise econômica mundial, o PIB caiu.

A demanda interna que era de 0.2% no início do governo deve alcançar, em 2010, 10,3%. Quanto a demanda externa, que em 2002 era de 0,2%, tudo indica que deverá ficar negativa em 2,8%, com o Brasil exportando menos em consequência, ainda, da crise financeira internacional.

Contidos no primeiro mandato de Lula, os investimentos deslancharam na segunda metade do governo. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que em 2002 representava -7,8% do Produto Interno Bruto (PIB), deve fechar 2010 em 19,1% na mesma comparação, de acordo com o Ministério da Fazenda. Os destaques são os investimentos da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A alta dos investimentos e do consumo impulsionou a indústria. Exceto em 2009, quando o Brasil ainda sentia os efeitos da crise, e 2003, o setor teve forte expansão. De 2,75% em 2002, a indústria deve encerrar 2010 com 8,5% de crescimento. O reconhecimento internacional dessa política veio em 2008, quando o Brasil recebeu o grau de investimento, certificação das agências de risco de que o país não dará calote na dívida pública.

O maior crescimento econômico também se refletiu em maior riqueza por brasileiro. O PIB per capita, que um ano após o início do governo era de R$ 13.931, fechou 2009 em R$ 16.414 e a estimativa do Ministério da Fazenda é que chegue a R$ 17.500 em 2011, em torno de US$ 10 mil. Os efeitos do aquecimento da economia, no entanto, não se concentraram na parcela mais rica da população e beneficiaram as camadas mais pobres da sociedade, motivada pela política de valorização real do salário mínimo e pelos benefícios sociais com o Programa Bolsa Família.

Entre 2002 até 2010 mais de 75 milhões de brasileiros foram incluídos na classe C e a desigualdade de renda pelo índice Gini caiu de 0,58% para 0,54% em 2009, com dados na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Em consequência, houve redução da pobreza em 45%. Enquanto, o percentual de pobres em 2002 chegava a 26,7%, em 2009 caiu para 15,3% da população.

A criação de empregos também foi considerada recorde pelo governo. Em 2002, foram gerados 961 mil postos de trabalho. Para este ano, a estimativa do Ministério da Fazenda é de 2,2 milhões. Em novembro, a taxa de desemprego, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atingiu 5,7%, o menor nível da história.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 12,5% para 5,85% (estimativa do boletim Focus do Banco Central, em 14 de dezembro). A meta a partir de 2006 foi definida em 4,5%, podendo variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

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