Especialistas desejam Centro de Restauro para a Bahia

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Cerca de 150 especialistas em conservação e restauração de bens móveis, que ficam reunidos até amanhã (26/11/2010) em Salvador, desejam a criação de um Centro de Restauro na Bahia que reúna órgãos especializados dos governos municipal, estadual e federal, além de universidades e faculdades, como Escola de Belas Artes da UFBA

Cerca de 150 especialistas – técnicos, mestres, doutores e pesquisadores – em conservação e restauração de bens culturais móveis e integrados, consideram que é imprescindível a criação de um Centro de Restauro para a Bahia. “O nosso estado reúne patrimônios culturais edificados e bens móveis muito importantes que justificam a criação de um centro especializado e integrado”, afirma o restaurador e professor da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), José Dirson Argolo.

A sugestão para criação de um centro de restauro na Bahia está sendo abordada nas palestras de especialistas dos 10 estados brasileiros presentes no Seminário Internacional de Restauro que acontece até amanhã (26) no anfiteatro Alfredo Britto da antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador (CSH).

Segundo os profissionais que atuam na área o centro seria criado em parceria pública e composto por especialistas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), dos cursos de Arte Plásticas, Museologia, História, Arquitetura, Engenharia e Química da Ufba, e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), além de técnicos da área de restauração da prefeitura do Salvador, e outras instituições parceiras. Para os participantes do seminário, a criação do centro viabiliza uma rede especializada, a troca de experiências, o aprimoramento técnico dos profissionais, além do desenvolvimento e execução de projetos de restauro no estado.

Professor da EBA/Ufba há 23 anos, José Dirson destaca a riqueza e importância da história do restauro brasileiro. “O primeiro ato de preservação foi realizado em 1742, pelo Conde das Galveias, Dom André de Castro, então vice-rei do Brasil, ao saber que pretendiam ceder o Palácio das Duas Torres – obra do conde Maurício de Nassau – para abrigar soldados, escreveu carta ao governador de Pernambuco pedindo interrupção do ato”, explica Argolo.

As atividades de restauração nos séculos 18 e 19 eram realizadas por pintores, escultores e entalhadores sem nenhuma técnica adequada que tinham costume de repintar obras ao invés de restaurá-las. “Eles costumavam utilizar cola de carpinteiro, tinta óleo e vernizes grotescos”, conta Argolo. Segundo o especialista, por isso, os restauradores de hoje tem muito trabalho para remover tantas camadas de tintas. “Esse é um serviço para equipes altamente qualificadas”, alerta o restaurador.

Dentre os restauradores do início do século 20 na Bahia, Argolo relembrou Robespierre de Farias, Presciliano Silva e Pedro Ferreira. Nomes, como Wanderley Pinho que criou na Bahia a Inspetoria de Monumentos em 1917, e o de José Rescala que criou o ateliê do Iphan, o ateliê do Museu de Arte Sacra da Bahia, realizou a restauração do Convento de Santa Tereza (RJ) e criou o curso de capacitação profissional em restauro, também são citados pelo professor. “Em 1980 foi criada na EBA o primeiro curso de especialização em Conservação e Restauração de Bens Móveis na Bahia e, em 2000, criado o ateliê de Restauração de Livros e Documentos no Mosteiro de São Bento”, conta José Dirson.

“A Bahia merece ter um centro de restauro que pode ser referência no Brasil”, finaliza o especialista. O Seminário Internacional de Restauro de Bens Móveis e Integrados prossegue até amanhã (26), na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, sempre das 9 às 19 horas. Integra também o evento, o Fórum de Políticas Culturais. Mais informações através do endereço eletrônico [email protected] ou telefone (71) 3117-6492.

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