Cobertura da violência no Rio mobiliza jornalistas e cidadãos

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Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Diante da onda de violência ligada ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro, jornalistas e moradores da cidade criaram formas originais de trocar informações na internet, principalmente pelas redes sociais.

O blog Caso de Polícia, do jornal Extra, se tornou uma importante fonte de referência sobre os ataques organizados pelos traficantes desde o domingo 21, seguidos de operações policias no Complexo do Alemão, na zona Norte do Rio. Com as hashtags #everdade e #eboato, jornalistas diferenciaram fatos de boatos no blog e num perfil no Twitter.

O estudante de jornalismo Pablo Tavares lançou a conta @CaosRJ para relatar testemunhos de terceiros sobre os ataques e as operações policiais, como explica o Portal Imprensa.

Um grupo de jovens moradores do Complexo do Alemão narrava a invasão policial em tempo real pelo perfil@vozdacomunidade, que ganhou 20 mil seguidores em apenas dois dias, e se tornou a principal fonte de informações vindas de dentro da comunidade. A cobertura, comandada pelo jovem Renê Silva, de 17 anos, chamou a atenção da imprensa e o @vozdacomunidade foi citado como fonte e notícia em diversas matérias de jornais e TVs.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio também usou o perfi @SegurançaRJ para transmitir pronunciamentos de autoridades respondendo ao vivo, por Twitcam, perguntas dos moradores sobre a violência na cidade. O jornal O Globo criou no Google um “Mapa da Guerra”, identificando os locais dos ataques e as reações da polícia.

No Rio de Janeiro, os canais de televisão interromperam sua programação normal para transmitir ao vivo as imagens dos conflitos que deixaram pelo menos 50 pessoas mortas até o domingo 28, segundo o iG.

Cenas impactantes registradas pelos helicópteros da Globo e da Record mostraram dezenas de traficantes armados fugindo em massa da polícia, na quinta-feira, 25, durante uma operação policial no Complexo do Alemão. Os conflitos culminaram na invasão policial do conjunto de favelas, no domingo 28. A TV Globo cancelou diversos programas e mobilizou cerca de 200 profissionais na cobertura da operação, entre jornalistas, técnicos e cinegrafistas, informou o jornal O Globo.

Apesar dos esforços para uma cobertura ampla da onda de ataques, a imprensa também foi criticada por não dar a devida atenção à violência fora dos momentos de crise – quando seriam possíveis reflexões e análises mas abrangentes. No artigo “A mídia e o pastiche midiático”, que circulou entre jornalistas brasileiros, o sociólogo Luiz Eduardo Soares definiu da seguinte forma a cobertura da segurança pública no Rio: “atenção nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises.”

Fotógrafo da Reuters é baleado durante cobertura de conflitos no Rio

O fotógrafo Paulo Whitaker, da agência Reuters, foi baleado no ombro enquanto cobria os conflitos no Complexo do Alemão, na zona Norte do Rio, na sexta-feira, 26, informou O Globo. Ele teve alta na tarde do dia seguinte e não terá sequelas, segundo o G1.

Segundo o Extra, Whitaker usava colete e capacete a prova de balas quando foi ferido. O iG acrescenta que o motorista que estava com Whitaker também foi atingido. Pelo menos outras quatro pessoas foram feridas no mesmo confronto, diz o iG.

O Globo informou no início da noite de sexta-feira que cerca de 20 pessoas, sendo alguns fotógrafos, estavam encurraladas enquanto traficantes atiravam do alto do morro em direção à rua, depois que equipes do Exército fizeram um cerco em todas as entradas das favelas do Complexo do Alemão.

Polícia prende traficante condenado pelo assassinato de Tim Lopes

O traficante Elizeu Felício de Sousa, o Zeu, um dos condenados pelo assassinato do jornalista da TV Globo Tim Lopes, em 2002, foi preso na tarde de domingo 28 durante a invasão policial no Complexo do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro – a mesma região onde Tim foi morto. A prisão foi transmitida ao vivo pelas redes de TV, ao longo de horas de noticiário sobre as operações para capturar traficantes de drogas no Alemão (veja abaixo vídeo da TV Globo).

Segundo o jornal O Globo, Zeu será transferido esta segunda-feira para um presídio federal no Paraná. O traficante foi condenado a 23 anos e seis meses de prisão por ter comprado a gasolina usada para queimar o corpo do jornalista. Depois de cinco anos e 25 dias preso, Zeu recebeu o benefício de cumprir a pena em regime semiaberto e, desde 2007, encontrava-se foragido. O traficante foi preso em sua casa e não resistiu, informou o R7. O Terra acrescenta que ele não estava armado e se entregou ao ver-se cercado pelos policiais.

Tim Lopes foi brutalmente torturado e assassinado quando fazia uma reportagem sobre exploração sexual de menores em bailes de traficantes na Vila Cruzeiro.

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