Sublime solidariedade | Por Pedro Vergueiro

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Há algum tempo o mundo inteiro está conectado com o Chile. O acidente lá ocorrido que resultou no confinamento de 33 mineiros num salão situado a 700 metros de profundidade, sem dúvida a todos deixou aflito. A ansiedade agora é o sucesso da operação de salvamento: dará certo tudo o que foi feito, o tunel e a capsula, para resgatá-los? Não há quem não esteja torcendo para que a operação seja um sucesso e que os mineiros voltem hígidos para a superfície.

É fato que desde o dia do acidente todos estão dando o necessário apoio ao salvamento. Não houve, não se noticiou, omissões. A participação é unânime. Vimos, nos últimos dias, que o longo caminho de ida ao fundo da mina foi encurtado mediante a perfuração de um tubo pelo qual uma capsula irá trazer à superfície, um a um, os mineiros, os quais, então, irão superar a tensão que estão vivenciando. Desde o momento em que se tomou conhecimento do acidente, o mundo, emocionado com o drama desses mineiros, solidariamente vem acompanhando os trabalhos de resgate. Essa é a realidade.

A lembrança permite acrescentar: é a ficção que, mutatis mutandi, se tornou realidade.

Minha geração se emocionou, por volta do ano de 1955, assistindo o filme que na época da guerra fria sublimou a solidariedade entre os homens: “Si tous les Gars du Monde…” (“Se Todos os Homens do Mundo…”), dirigido por Cristian Jacque, do qual participou o mestre Henri G. Clouzot.

Navegando no Mar do Norte e sem condições de chegar, oportunamente, a um porto, os tripulantes de um pequeno pesqueiro, adoecidos, lançam pelo rádio um pedido de socorro. A causa do problema: botulismo decorrente da ingestão de carne de porco deteriorada. A mensagem foi captada por um radioamador do Togo, na África, que então a transmite para Paris, onde, depois de diagnosticada a doença, o remédio que pode salvar os marinheiros é obtido no Instiuto Pasteur e começa sua epopéia, por via aérea, para ser levado ao seu destino. A solidariedade nesse trajeto abrangeu pessoas de várias nacionalidades: um cego, civis, militares, homens e mulheres que não pensavam em outra coisa senão contribuir para fazer chegar o remédio ao pesqueiro. E nesse percurso passou também por Berlim oriental, onde encontrou o militar que autorizou a continuidade da viagem do remédio. Finalmente, de um avião norueguês, num paraquedas, o remédio é jogado e cai no mar. O único marinheiro que não estava doente, que não comeu a carne deteriorada por ser muçulmano, lança-se ao mar e recolhe o remédio. O final é aquele que se esperava: com a ingestão do remédio todos se curam e o barco chega a porto seguro. O filme termina com os sensíveis pronunciamentos de agradecimento pela ajuda e manifestações apologistas sobre a solidariedade humana, tão necessária na época.

Da mesma forma espera-se que ocorra o final da realidade dramática dos mineiros chilenos: que alcancem a superfície e voltem para o convívio do seus e do mundo civilizado e solidário.

Na ficção cinematográfica o destaque foi dado ao heroísmo anônimo gerado pela boa vontade entre os homens. Na realidade chilena não há anonimato: todos os que estão diretamente participando do resgate são pessoas identificáveis e conhecidas do mundo pela sua boa vontade e preocupação de chegar lá, lá no fundo da terra, para de lá trazer são e salvos os mineiros. Que o mundo, que todos avaliem o momento sublime de solidariedade humana que a operação fenix representa, transpondo-o para todos os matizes e nuances da realidade de todo relacionamento humano.

*Por Pedro Vergueiro

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