O novo capital político ambiental | Por Liliana Peixinho

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A mais nova força politica do Brasil não está concentrada num partido e sim no que Marina Silva chama de Núcleos Vivos da Sociedade. A grande novidade dessa eleição foi a manifestação, de norte a sul do Brasil, do desejo por uma nova forma de gestão politica, de construção de alianças com a própria sociedade, de forma supra transpartidária. O Movimento Marina Presidente, grande força de mobilização social da campanha de Marina, não tem nenhuma ligação politica com o PV e foi responsável por movimentos realizados em todo o Brasil para dar visibilidade a campanha de Marina. Criatividade, compromisso, identidade com a pauta ambiental de forma transversal, leveza, ética, muito trabalho e poucos recursos captados pelo próprio movimento, impulsionaram a “Onda Verde”.

A força jovem que está no Movimento Marina não aparece na grande midia e agora se pergunta, para onde vamos? Com a ética e o cuidado que lhe é peculiar, Marina atendeu a imprensa logo após o anuncio do 2° turno, para reforçar seu compromisso e respeito com essas forças vivas da sociedade. Anunciou o desejo de uma plenária, onde mais do que os rumos que o PV poderá querer dar ao 20 milhões de votos captados na representação de Marina, será necessário ouvir o que esses núcleos vivos pensam sobre a força politica revelada nessas eleições. O caminho da liberação dos votos, que não tem dono, poderá até ser sinalizado para nenhum dos dois lados, Dilma ou Serra. Uma aliança com Dilma seria um retrocesso, pois quando ministra Marina saiu do PT exatamente porque não conseguiu conciliar a pauta economica com a ambiental, como se isso pudesse ser separado. Apesar do PV ter alianças com o PSDB, espalhadas pelo Brasil afora, Serra nunca foi um caminho para os ambientalistas.

Os integrantes do Movimento Marina Silva não votaram como projeto polítco imediato, pois é voto ideológico orgânico, de conteúdo conceitual. Marina, com certeza, ciente disso, não desperdiçará esse capital político ambiental conseguido de forma histórica numa eleição majoriária inédita. A mobilização pró Marina foi movida pelo compromisso da politica limpa, aprofundamento da pauta ambiental transversal, valorização do potencial biodiverso brasileiro, através de educação integral de qualidade, uso de tecnologias avançadas, economia sustentável de ponta a ponta, cadeias produtivas harmoniosas; proteção social integrada e universal, que inclua, mobilize, gere oportunidades de distribuição de renda para mulheres, jovens, mercado informal; segurança com ações preventivas a partir da valorizção do núcleo familiar, contra a repressão, a violencia, com valorização da vida.

Um modelo politico de gestão sustentado não no consumo imediato descartável, predatório e concentrador de renda. Não precisamos ser apenas um mercado atraente, emergente, vinculado ao consumo de celulares, carros, eletrodomésticos, roupas, sapatos, jóias, especuluaçlão imobiliária. Temos a oportunidade real de estar em boas escolas, faculdades, cursos técnicos, que abram o campo de trabalho especializado e em larga escala. Um modelo de gestão que reconheça, valorize e potencialize nossa diversidade sócio economico cultural, com resgate de tradições das comunidades do interior do Brasil.. Uma matriz energética onde até o petróleo possa até ser uma via, mas não o principal canalizador de megainvestimentos internos e externos. Historicamente são “outros países” que a valorizam a nossas riquezas, antes de nós. Fontes alternativas, como vento, água e sol, ainda não despertaram, investimentos internos em larga escala. Temos solo rico e fértil, não para monoculturas predatoras, mas para uma agricultura que dê o pulo no modelo de segurança alimentar preventivo, potencializando a saúde.

Os eleitores de Marina, cuja base forte vem dos movimentos sociais, estão longe de querer se aliar a antigos ranços politicos partidários. E muito mais comprometidos com uma politica nova, difundida por Marina, que é a da construção coletiva de plataformas de governo. Para onde os ventos vão soprar?

Liliana Peixinho*-DRT 1.430 – Jornalista, ativista sociombiental. Fundadora dos Movimentos AMA/RAMA- Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação Ambiental Aluna Especial mestrado Cultura e Sociedade e da pós graduação em Jornalismo Científico.- Facom – UFBA [email protected]

www.falandonalata.wordpress.com

*Por  Liliana Peixinho

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