Cultura da solidariedade | Por José Carlos García Fajardo

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A solidariedade pressupõe mudanças estruturais que transformem nossa sociedade e nos possibilite um futuro sustentável. A solidariedade é formada quando comprometemos nossa vida, nosso tempo, nossos conhecimentos e nossa vontade de mudar uma sociedade de que não gostamos, por outra mais humana e mais justa.

Do mesmo modo que a queda do muro de Berlim surpreendeu aos especialistas e aos profissionais do meio, é provável que essa nova revolução esteja acontecendo apesar de que não a percebamos.

Os acontecimentos mais importantes a favor da dignidade humana, como as grandes religiões ou o movimento obreiro, foram iniciativas solidárias de voluntários que arriscaram suas vidas e apostaram pela utopia gratuitamente e se entregaram aos outros. O que sufocou seus sinais de identidade e sua capacidade de persuação foi a burocracia política ou eclesiástica.

A recuperação de suas origens passa por recriar o voluntariado e reinventar aqueles processos os quais na tradição obreira se chamava militância e autogestão e, na tradição eclesiástica, compromisso e entrega, como disse García Roca em “Solidariedade e Voluntariado”.

Esta forma de voluntariado social, ao contrário de outras formas igualmente importantes de ajuda aos demais, nasce da experiência da solidão e da consciência da injustiça social que leva a uma responsabilidade solidária. O Estado de Bem-Estar Social debilitou a tradição do voluntariado ao fingir que os poderes públicos eram os únicos sujeitos da vida social, que a relação de trabalho era a única valorizada e que os especialistas passavam à ação competente nascida da iniciativa cidadã. Tudo ficava sobre o controle da administração do mercado.

Quando o Estado se considera mais que um instrumento a serviço da sociedade, esta sofre a intromissão daquele e corremos o perigo de que padeçam os direitos naturais dos cidadãos – que não emanam de nenhuma instituição, mas são parte do indivíduo.

O que mais cabe aos órgãos da administração do Estado é o reconhecimento, a promoção e a garantia dos mesmos junto a terceiros e junto a si mesmo. Ou seja, o modelo de crescimento que atribui o Bem-Estar Social ao Estado é injusto e se tornou insustentável. Devemos buscar modelos alternativos ao falso dilema “capitalismo selvagem” ou “socialismo de Estado”. Onde as estruturas são injustas, o direito à resistência se converte em um dever, e ao não exercê-lo nos transformamos em cúmplices de suas conseqüências.

*Por José Carlos García Fajardo

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