Coordenador da campanha de Dilma diz que Marina tem liberdade para escolher e especialistas comenta que população busca alternativa

Publicidade

Banner da Gujão: Campanha com o tema ‘Tudo fresquinho é melhor’, veiculada em 3 de junho de 2022.
Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
Jornal Grande Bahia compromisso em informar.

O deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), foi perguntado hoje (04/10/2010) sobre a possível busca do apoio da senadora Marina Silva (PV) para a petista.

“Marina é uma pessoa madura, líder reconhecida pelo país e não cabe a nós tecer considerações sobre o que ela vai fazer”, desconversou Cardozo. Ele afirmou também que a coligação que apoia Dilma vai dialogar com todos os setores que possam reforçar a campanha. Para o deputado, independentemente do apoio ou não de Marina, não há como medir qual será o nível de migração de votos dos eleitores da candidata do PV para a petista.

Cardozo disse ainda que Dilma tem condições reais de ganhar as eleições. “Essa votação de Dilma foi melhor que a de Lula nas últimas duas eleições. Foi uma grande vitória, nossos adversários é que saíram derrotados. Para eles vitória é ter ido para o segundo turno.” De acordo com o parlamentar, os segundos turnos disputados por Lula foram fundamentais para consolidação do governo.

Segundo Cardozo, a coordenação está fazendo uma avaliação sobre erros e acertos da campanha. A primeira conclusão, assinalou, é de que “em momento nenhum baixamos o nível, a campanha foi sadia e positiva”. Entretanto, ele afirma que a mesma constatação não pode ser feita em relação à oposição. “É inegável que houve baixarias. A falta de discurso do adversário provocou inclusive uma denúncia por calunia e difamação do Ministério Público.”

Para Cardozo, a derrota de grandes nomes da oposição nas urnas se deve, em grande parte, ao sucesso do governo Lula. “Nem sempre a oposição foi respeitosa. Na política, os equívocos acabam provocando resultados. A oposição acabou perdendo seu discurso e trocando por gestos desesperados”.

Cardozo afirmou ainda que é possível que a questão religiosa possa ter tirado votos de Dilma. “Foram criados boatos, muitas vezes induzindo eleitor a erro. Pegaram enxertos de fala que deram um tom de leviandade ao que foi dito.”

Para especialistas, votação expressiva de Marina mostra que população busca alternativa

A posição que o Partido Verde tomará com relação à disputa presidencial no segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) será construída a partir de uma série de consultas que a candidata do partido, Marina Silva, fará às lideranças do partido e aos segmentos da sociedade que ajudaram na construção de seu programa de governo.

A atual senadora começa a telefonar para as lideranças do PV, na tarde de hoje (4), para marcar a reunião da Executiva Nacional.

Um dos principais integrantes da coordenação de campanha de Marina negou hoje que ela tenha recebido qualquer emissário do PT ou do PSDB em busca de apoio para o segundo turno. Marina encerrou o primeiro turno com 19,33% dos votos válidos, venceu no Distrito Federal e ficou em segundo lugar em cinco estados. As informações de que os tucanos já teriam acenado com a possibilidade de negociar a vice-presidência na chapa de José Serra foi tomada pelos verdes como uma agressão.

Hoje, a senadora dedicará o dia para descansar. A partir de amanhã (5), ela iniciará as avaliações sobre o rumo que tomará no segundo turno. Perguntado sobre como será a atuação da ex-candidata, o integrante da coordenação disse apenas que Marina será programática nas conversas que serão conduzidas de forma coerente com o que pregou no primeiro turno.

Um dos raciocínios entre os principais assessores da candidata verde é que não será admitido qualquer decisão de conveniência estadual. Ao contrário, o argumento é de que a eleição de deputados estaduais ou federais ocorreu por conta dos votos puxados por Marina Silva na reta final de campanha.

Cientistas políticos da Universidade de Brasília (UnB), como Paulo Kramer, Ricardo Caldas e João Paulo Peixoto, concordam que a quantidade expressiva de votos recebida por Marina, fato novo nestas eleições, demonstra que uma significativa parcela da sociedade não se sente representada pelos políticos tradicionais e busca uma alternativa. Kramer destaca ainda que cabe aos partidos, agora, dar “uma especial atenção” a essa nova parcela do eleitorado que começa a se projetar.

Para o professor, é fundamental que Marina conserve o capital que herdou das urnas. Na sua opinião, as avaliações da ex-candidata verde serão “pragmáticas” e tomadas a partir de uma análise aprofundada das pesquisas encomendadas pelo partido. O essencial, ressaltou, é que “o PV deixa agora de ser um coadjuvante na política e passa a ser um importante aliado na política nacional”.

Ricardo Caldas avalia que Marina passou a ser um “fiel da balança” nas eleições presidenciais de 2010.

O cientista político João Paulo Peixoto acredita que ainda é cedo para qualquer análise sobre a migração dos votos dados à candidata do PV, no primeiro turno. Ele ressalvou, no entanto, que “Marina Silva, neste segundo turno, é uma figura a ser conquistada pelos dois candidatos”.

Peixoto ressaltou também que a candidata verde influenciará, mas não terá a capacidade de transferir automaticamente os votos recebidos seja para Dilma ou para Serra. Uma alternativa que cabe ser ponderada por Marina, destacou, é manter-se neutra para conservar esse eleitorado com vistas a uma campanha futura.

Para cientista político, PV se consolida a longo prazo como alternativa de poder

Baseado na análise de dados estatísticos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a evolução do crescimento partidário ao longo do período de redemocratização do Brasil, o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer acredita que o Partido Verde se consolida, a longo prazo, como alternativa de poder. Fleischer diz que, para isso se efetivar, o partido terá que adotar posturas semelhantes às adotadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) a partir da década de 1980.

Uma delas, ressaltou o professor, é os verdes adotarem a estratégia de crescer “com as próprias pernas”, evitando alianças que possam comprometer essa trajetória. “Isso terá que ser feito mesmo que traga ônus, como o assumido pelo PT, em 1989, de não referendar a Constituição Cidadã.”

A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva obteve 19,33% dos votos no pleito de ontem e foi a candidata mais votada no Distrito Federal e a segunda em cinco estados.

David Fleischer ressaltou que Marina levantou nesta campanha a bandeira de um novo modelo de desenvolvimento social atrelado à preservação do meio ambiente. Analisando o cenário das pesquisas de intenção de votos aos candidatos presidenciais, o cientista político destacou que os cerca de 10% das intenções de votos à candidata originaram-se da elite mais esclarecida do país – que já teria entendido o discurso da candidata. A arrancada de Marina ocorreu nos últimos 15 dias de campanha.

“Um dia essas bandeiras chegarão à base da pirâmide do eleitorado brasileiro, mas isso demanda tempo e paciência”, disse Fleischer. Para ele, o processo de crescimento do PV pode ocorrer em uma velocidade mais acelerada que a do Partido dos Trabalhadores uma vez que os potenciais doadores fazem parte de uma elite, na sua avaliação, mais esclarecida sobre a necessidade de buscar o crescimento econômico e social em conformidade com a preservação do meio ambiente.

Outro fator que ajuda o PV nesse processo é os verdes já terem consolidado uma liderança para o público, no caso Marina, como foi Lula para o PT. Se quiser ser uma alternativa viável de poder, o partido tem o desafio, agora, de encontrar um líder voltado para dentro que seja capaz de construir um programa claro e capaz de controlar eventuais facções que porventura venham a existir.

Já o cientista político e também professor da Universidade de Brasília, João Paulo Peixoto, destacou que os processos históricos de criação e crescimento do PT e, agora, do PV são antagônicos, uma vez que o Partido dos Trabalhadores teve como base para seu crescimento os movimentos sindicais e sociais. Por isso, ele não acredita que a médio prazo os verdes tenham a capacidade de chegar à Presidência da Republica.

“Não existe similaridade entre o PT e o PV como alternativa de poder”, disse Peixoto. Ele frisou que a campanha de Marina Silva foi fundamental para consolidar o processo de crescimento do PV a partir de agora. Isso fará com que o partido ganhe densidade e peso para construir alianças políticas que sejam capazes de chegar ao Poder.

João Paulo Peixoto afirmou ainda que os verdes se consolidam como uma “nova força” que tem que ser considerada no processo político a partir destas eleições. “Eu diria até que esse crescimento dos verdes não se dá apenas no Brasil, mas em todo o mundo”, afirmou.

Para especialistas, próximo governo deve priorizar área de infraestrutura do país

Estradas, portos, aeroportos, ferrovias, geração e transmissão de energia, telefonia. Tudo isso faz parte do dia a dia dos brasileiros, e por isso a superação dos gargalos da infraestrutura deve ser um dos principais desafios do próximo presidente do país para os próximos quatro anos. Com a expectativa da disputa da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e das Olimpíadas de 2016 aqui no país, resolver os problemas desse setor se torna ainda mais importante.

Manter as contas equilibradas e ao mesmo tempo elevar a infraestrutura brasileira a uma de primeiro mundo é o grande desafio do próximo governo, na opinião do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires. Para isso, na sua avaliação, será preciso investir em novas formas de financiamento de projetos, além de apostar em planos de investimentos a longo prazo.

“O governo tem que deixar de ter planos como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], que é apenas uma colagem de vários projetos individuais, e realmente promover um grande programa de investimento em infraestrutura, com medidas para estimular a iniciativa privada a fazer a sua parte”, aposta Pires.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também acredita que a superação das deficiências do setor de infraestrutura do país depende da efetiva participação da iniciativa privada no investimento e na gestão dos serviços. A entidade defende mais agilidade nos processos de licenciamento e licitação, segurança e qualidade de regulação, além de mais eficiência na gestão e no planejamento dos investimentos.

A CNI elaborou um documento sobre as principais demandas do país para entregar aos candidatos à Presidência. Segundo a entidade, o total aplicado no país em infraestrutura é de 2% em relação ao Produto Interno Bruto, o que corresponde a um terço do que é gasto na China e no Chile e a metade do que é gasto na Índia.

“É preciso no mínimo dobrar esses investimentos. Se o governo não tem capacidade de fazer ele próprio, ele tem que criar condições para que o setor privado faça. Mas não pode deixar de aumentar esses investimentos, e modernizar a gestão”, defende o presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI, José Mascarenhas.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, avalia que é preciso melhorar o processo de licenciamento ambiental e aumentar os investimentos no sistema portuário e nos aeroportos. “O Brasil precisa contar com um novo modelo de funcionamento nos aeroportos que atenda às demandas das empresas e dos passageiros e que garanta segurança, conforto e agilidade na movimentação de cargas e usuários”, diz. Ele também defende a universalização de serviços de distribuição de água, coleta e tratamento de esgotos.

Na área de energia, será preciso ampliar os projetos de construção de hidrelétricas, especialmente na região Amazônica, na opinião do coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Nivalde de Castro. “O desafio maior vai ser sensibilizar a sociedade brasileira da importância da construção de centrais hidrelétricas de grande porte na região Amazônica. O novo governo vai ter que mostrar para a sociedade o quanto essas usinas são importantes”, afirma. O especialista também destaca que o país vai precisar construir mais termelétricas a gás.

Para o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o principal desafio para os próximos anos no setor elétrico é expandir a estrutura de geração e transmissão de energia, mantendo a matriz energética renovável. Ele também destaca o aumento na produção de biodiesel, a consolidação do marco regulatório da mineração e a exploração do petróleo do pré-sal.

Para a presidente do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços em Telecomunicações (Sinstal), Vivien Suruagy, um dos grandes desafios do setor é a elaboração de um plano consistente para as telecomunicações, mas com a participação de todas as entidades envolvidas no assunto. Ela diz que esse planejamento é essencial para formar a mão de obra necessária para trabalhar na área de telecomunicações. “Se não sabemos o que vamos ter no Brasil de contratação de serviços para executar, como vamos fazer treinamento de mão de obra?”, questiona.

Novos governantes devem promover diálogo entre universidades e empresas para motivar a pesquisa científica

Pouco falada pelos candidatos a presidente e aos governos estaduais, a pesquisa científica e tecnológica é estratégica para o crescimento do país. Os próximos governantes terão pela frente o desafio de alavancar a produção nacional para colocar o Brasil na lista dos principais produtores de ciência e tecnologia do mundo. Atualmente, cerca de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas no Brasil – vão para a ciência e tecnologia, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia. Em outros países, como Japão, o percentual é superior a 2%. O Brasil responde por 2,7% da produção científica mundial, ocupando a 13ª posição no rankinginternacional.

Para cientistas e pesquisadores, um dos obstáculos a superar é promover o diálogo entre as universidades e as empresas privadas – problema também vivido por outros países da América Latina. O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, aponta como alternativa a criação de institutos para promover uma maior interação entre os mundos acadêmico e empresarial, semelhante ao que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) faz para entrelaçar os interesses dos pesquisadores e do agronegócio. “Pode ser uma empresa ou um sistema de instituto voltado a intermediar as demandas do setor privado com o que é produzido nas universidades.”, disse o físico Marco Antônio Raupp.

Outro desafio a ser enfrentado é o de promover o hábito da inovação tecnológica nas empresas. A maior parte dos investimentos no setor é de recursos públicos. Em 2008, o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento foi de R$ 32,7 bilhões, sendo 54% de recursos públicos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), quase 80% por cento das empresas brasileiras desconhecem os instrumentos financeiros de apoio à inovação tecnológica ou as leis de incentivo fiscal para quem investe no setor, como as leis do Bem e da Inovação, que possibilitam isenção do Imposto de Renda ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). “É preciso facilitar o desenvolvimento de pesquisas no setor privado”, afirmou o matemático e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis.

Documento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em maio deste ano, traz observações dos empresários sobre as principais dificuldades para inovar: custos elevados, riscos econômicos, escassez de fontes de financiamento, falta de mão de obra qualificada e ausência de cooperação entre empresas e institutos de pesquisa. De 2003 a 2005, pouco mais de 30% das empresas brasileiras criaram algum produto ou processo. Entre as pequenas e médias empresas, a taxa de inovação é inferior à média nacional, contra 80% das grandes. De acordo com a CNI, a compra de máquinas e equipamentos equivale à metade dos gastos com inovação tecnológica.

O vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Guilherme Marco de Lima, defende os projetos de parcerias a longo prazo e reclama que os atuais mecanismos de financiamento para a inovação não acompanham o ritmo do processo da iniciativa privada. “As datas de muitos editais [com recursos para financiar desenvolvimento tecnológico], por exemplo, não coincidem com o período de formulação de projetos das empresas”, disse.

Para a chefe de Divisão de Ciência e Tecnologia do BID, Flora Painter, o Brasil dispõe de bons instrumentos de apoio financeiro à pesquisa científica e tecnológica, porém alerta para a falta de articulação entre empresários e pesquisadores. “Em termos de disponibilidade de instrumentos para fomento da inovação, o Brasil, provavelmente, tem mais instrumentos do que qualquer outro país da América Latina. Quando fui aos estados e conversei com o setor empresarial, escutei queixas de que eles [mecanismos] são burocráticos, lentos e não tem suficiente informação”, disse.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 123318 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.