Para se aproximar de andinos, Brasil deve fortalecer Unasul, dizem analistas

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A consolidação do principal bloco de integração da América do Sul, a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) é um dos principais desafios que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de assumir na relação com os países andinos, na avaliação de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

O fortalecimento do bloco que reúne 12 países é visto como uma ferramenta para que a região concretize os projetos de integração e desenvolvimento regional e, ao mesmo tempo, para que ele se torne o “guarda-chuva” protetor das economias menores em negociações com a União Europeia e Estados Unidos, por exemplo.

“A Unasul é um projeto de grande envergadura, que favorece a todos, e sabemos que seu grande motor é o Brasil”, afirma o analista internacional Diego Cardona, ex-vice-ministro colombiano de Relações Exteriores e professor de Relações Internacionais na Universidade do Norte de Barranquilla.

“A Unasul é uma iniciativa que realmente convence os países andinos”, complementa o analista político equatoriano Adrián Bonilla, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais no Equador (Flacso).

A seu ver, a iniciativa de regionalizar a América do Sul com a criação da Unasul tem tido consenso “inclusive da Colômbia” a partir de um método “cauteloso” impresso pelo Brasil.

“É uma aproximação cautelosa, que não significa nenhum tipo de condicionamento ou urgência”, porém, “que pode ganhar posição política significativa”, afirmou.

Criada em maio de 2008 para aprofundar a integração regional, com foco na construção de infraestruturas de conexão entre os países, cooperação energética e desenvolvimento social, a Unasul atuou em pelo menos três oportunidades como “árbitro” para aliviar as tensões geradas na região andina.

O primeiro teste foi quando o bloco contribuiu para dissolver um impasse entre governo e oposição na Bolívia, meses após sua criação.

Em agosto deste ano, também ficou a cargo da Unasul a mediação da crise diplomática entre Colômbia e Venezuela que levou à ruptura de relações entre os países. Sob observação do secretário-geral do bloco, Néstor Kirchner, Caracas e Bogotá reataram relações.

Bases militares

No ano passado, porém, os esforços do bloco foram insuficientes para dissuadir o governo da Colômbia de firmar um acordo militar com os Estados Unidos que permite a militares americanos o uso de sete bases militares colombianas.

O acordo, que levou ao isolamento político da Colômbia na região e gerou mal-estar e preocupação entre os vizinhos, foi recentemente considerado inconstitucional pela Justiça colombiana.

Para o analista internacional colombiano Diego Cardona, o “freio” imposto pela Corte colombiana é uma oportunidade para o governo brasileiro “atuar” para dissuadir o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, a levar o acordo militar à aprovação no Congresso, trâmite exigido pela Justiça para validar o convênio.

“Aqui há uma enorme possibilidade para a diplomacia voltar a trabalhar como deve, com discrição, eficácia e de maneira persistente”, afirma.

*Com informação da BBC Brasil

Redação do Jornal Grande Bahia
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