Seagri quer introduzir fécula de mandioca na produção de pães e macarrão

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O secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, defendeu nesta sexta-feira, (20/08/2010), na abertura da VI Expomandioca e I Feira Nacional da Mandioca, em Santo Antonio de Jesus, que se junte esforços para a aprovação de uma lei que obrigue a introdução de fécula de mandioca na fabricação de pães e macarrão. “Estudos realizados por especialistas provam que é possível adicionar até 25% de fécula de mandioca à farinha de trigo, sem alterar o gosto e sem qualquer prejuízo, mas se conseguirmos adicionar 10% já será um grande avanço”. Ele analisou que isso representará o aumento de 2,5 milhões de toneladas na produção de mandioca e a geração de mais 50 mil empregos. “Será importante para a Bahia e vai significar a sustentabilidade desta cultura em todo País”, disse.

De acordo com Joselito Mota, técnico da Embrapa, a fécula de mandioca não contém glúten e atua como diluidor do glúten presente do trigo. Do ponto de vista econômico, o uso da fécula no pão vai representar a economia de R$ 100 a R$ 200 milhões por ano. “O Brasil importa 80% do trigo que consome, sangrando nossa economia em cerca de R$ 1 bilhão por ano. Ele lembrou que um projeto neste teor tramitou no Congresso Nacional mas acabou sendo arquivado por pressão do lobby internacional do trigo. O técnico da Embrapa lembrou ainda que a Câmara de Vereadores de Petrolina acabou de aprovar um projeto obrigando o uso da fécula no pão da merenda escolar da rede municipal, aguardando agora que o prefeito sancione.

O secretário reuniu-se com o Fórum dos Secretários de Agricultura dos municípios da região Recôncavo Sul para discutir os problemas da agropecuária e lançou o desafio para que os governos municipais sejam mobilizados no sentido de sensibilizar os deputados federais a aprovar na Câmara dos Deputados a lei viabilizando a utilização da fécula na fabricação de pães. Os secretários foram desafiados também a fazer com que os prefeitos enviem projeto aos legislativos municipais lei obrigado o uso da fécula nos pães da merenda escolar.

A Bahia é o segundo maior produtor nacional de mandioca, perdendo apenas para o Pará. O setor é responsável na Bahia pela geração de 220 mil empregos diretos. “A mandiocultura está presente nos 417 municípios baianos e é prioritária para o governo do Estado, que através da Secretaria da Agricultura está desenvolvendo ações para estruturar a cultura da mandioca na Bahia”.

O secretário lembrou que uma fábrica de fécula e de amido modificado está sendo instalada no município de Lage, no Vale do Jequiriça, e outra está sendo implantada em Vitória da Conquista. A Seagri estuda ainda a possibilidade de reativar uma fábrica de fécula que há anos está desativada em Feira de Santana.

FÓRUM

Acompanhado pelos superintendentes de Irrigação, Marcelo Nunes; de Desenvolvimento da Agropecuária, Raimundo Sampaio; presidente da EBDA, Emerson Leal; Rodolfo Mont´Alverne, coordenador de Ação Fundiária do CDA e pelo diretor geral da Adab, Cássio Peixoto, o secretário reuniu-se durante toda a tarde, em Santo Antonio de Jesus, com secretários de Agricultura da região Recôncavo, e representantes de associações de produtores, debatendo os problemas da agropecuária regional.

“Foi uma reunião de trabalho, que nos permitiu verificar in loco os problemas dos produtores e com eles debater as soluções possíveis”, disse o secretário, lembrando que “estamos, através das câmaras setoriais elaborando um planejamento estratégico para a agropecuária baiana para os próximos 20 anos.

A VI Expomandioca e I Feira Nacional da Mandioca têm o objetivo de incentivar e promover a mandiocultura no município e região, valorizando o trabalhador do campo e contribuindo para dinamizar a economia local.

Sobre Carlos Augusto 9707 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).