Pai, eu… | Por R. C. Amorim Neto

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Pai, eu sorri quando você me abraçou pela primeira vez e dizendo meu nome me chamou de “meu filho”. Você estava orgulhoso e apressado em me apresentar para seus amigos. Todos eles ao olharem para mim notavam a semelhança entre nós. Você, ao me observar, via a diferença. Um futuro que seria bem melhor do que o seu presente.

Pai, eu confiei em você em tantas oportunidades. Lembro de quando você segurava a bicicleta para que eu tivesse a certeza de que tudo estaria bem, e que mesmo se eu caísse você estaria por perto para me proteger. Você soube o momento exato de me deixar guiar a bicicleta sozinho, enquanto você me observava à distância.

Pai, eu notei a sua emoção ao me ver indo bem nos estudos, e alcançando as pequenas vitórias da vida. Algumas vezes você estava por perto e eu sentia sua mão no meu ombro como o mais significativo dos apoios que recebi. Entretanto, à medida que o tempo passou, aquela mão calorosa não estava mais por perto.

Pai, eu esperei por você tantas vezes. Especialmente quando você e minha mãe tiveram dúvidas sobre se deveriam ou não continuar juntos. Senti-me confuso e queria você por perto para me dar a certeza de que mais uma vez tudo daria certo. Você não estava em casa e por algum tempo nem soube por onde você andava… Apenas esperei por você.

Pai, eu me envergonhei de você, quando descobri que você não era o herói que imaginava. Você era humano, com tantas limitações e, ao mesmo tempo, fazendo um esforço tremendo para me dar o melhor. Um herói caído. Um homem dividido entre a família, o trabalho, e a busca de afeto e afirmação em lugares distantes de nossa mesa de jantar.

Pai, eu não estava por perto quando você precisou de mim lá no hospital. Estava distante lutando pelos meus sonhos, que nem sabia ao certo quais eram, mas que tinha certeza que seriam diferentes dos seus. Talvez você acreditasse que eu apareceria. Talvez você tenha esperado por mim quando percebeu que não lhe restava muito tempo. Talvez você tenha se envergonhado do filho que estava longe na hora em que você mais precisou. Isto certamente lhe despertou emoções e memórias de um passado que já não existia.

Pai, eu me desfiz em lágrimas na hora do adeus. Foi a dor mais intensa. O choro mais profundo. A sensação de ter perdido alguém que eu tanto queria e também de ter perdido a batalha contra o tempo. Não haveria mais possibilidades de reinventar nosso relacionamento, de sorrir de nossos erros, e de poder dizer a você que no fundo, somos mais parecidos do que eu imaginava.

Pai, eu sempre amei você!

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