Ministro do STF Ricardo Lewandowski não descarta motivação política em atentado contra presidente do TRE de Sergipe; Governador escarta motivação

Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, disse hoje (18/08/2010) que as autoridades que apuram atentativa de assassinato do presidente da Corte eleitoral de Sergipe, Luiz Mendonça, não descartam a possibilidade de o atentado ter motivações políticas devido à proximidade do período eleitoral.

O carro de Mendonça foi alvejado com mais de 30 tiros, inclusive de escopeta, quando o desembargador saiu de casa na manhã de hoje (18) para trabalhar. O presidente conseguiu se abaixar e foi atingido apenas por estilhaços de vidro e metal, mas seu motorista, baleado, está internado em estado grave. Ainda não há pistas sobre os suspeitos.

Lewandowski informou que já acionou o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a direção-geral da Polícia Federal, o governador do estado de Sergipe, Marcelo Déda, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, para mobilizar forças para que o caso seja resolvido o quanto antes. Ele disse que irá a Sergipe para acompanhar o início das investigações.

Questionado sobre a hipótese de o atentado estar relacionado ao indeferimento de registro de algum candidato, Lewandowski afirmou que não descarta nenhuma hipótese. “O crime pode ter motivação eleitoral, mas vale lembrar que o desembargador foi secretário de Segurança Pública e tem origem no Ministério Público.”

O presidente do TSE disse ainda que o atentado não inibirá o trabalho da Justiça Eleitoral. “Minha presença em Sergipe tem justamente esse objetivo. A Justiça Eleitoral é coesa e está pronta para qualquer desafio”, afirmou, lembrando ainda que a Justiça tem seus substitutos naturais, e, em caso de atentado contra qualquer presidente, o vice assume e os trabalhos continuam.

“Meu recado é que criminosos não tentem interferir no processo eleitoral, pois estamos atentos e mobilizados e não haverá possibilidade de interferência no andamento das eleições”, disse Lewandowski, assumindo a possibilidade de pedir reforço de segurança para todos os agentes públicos envolvidos no processo eleitoral.

Governador de Sergipe descarta motivação política

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), disse hoje (18) que não tem caráter político e não ameaça a segurança do processo eleitoral no estado o atentado sofrido pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE), Luiz Mendonça.

De acordo com o governador, o próprio juiz acredita que o crime tenha sido motivado por ações dele em cargos anteriores, como promotor de Justiça e secretário de Segurança do estado.

Marcelo Déda disse que entrou em contato com a mulher do juiz e que membros do seu governo conversaram com o próprio juiz, que teria relatado ameaças feitas por um fugitivo da Justiça sergipana. Déda chegou a citar o nome de Floro Calheiros, que estava preso e fugiu há dois anos da penitenciária estadual, como um dos investigados pela polícia de Sergipe.

Déda não descartou a possibilidade de pedir reforço de forças federais para a investigação do crime. No entanto, ele julgou não ser necessário o envio de reforço na segurança no estado para as eleições.

O governador Marcelo Déda fez essas declarações em Brasília, ao sair de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o governador, Lula demonstrou preocupação com o processo eleitoral diante do atentado.

Sobre Carlos Augusto 9406 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).