Eleições 2010 – Bahia: Geddel Vieira Lima diz que saúde e segurança são para governador assumir, critica SEPLAN e chama projeto da ponte de Itaparica de factoide

O candidato da Coligação A Bahia Tem Pressa, Geddel Vieira Lima, garantiu que vai, no Governo do Estado, chamar a si a responsabilidade pelas áreas de saúde e segurança. Ele fez a declaração nesta segunda-feira (02/08/2010) em entrevista ao programa Balanço Geral, da TV Itapoan, apresentado por Raimundo Varela.

“O governador tem que trazer o problema para o seu colo, sem medo de crítica, sem transferir culpa para o crack ou responder que o problema é do país”, disse Geddel referindo-se à segurança pública.

Respondendo a uma pergunta do apresentador sobre os investimentos do atual governo estadual na segurança pública, Geddel utilizou dados da própria Secretaria de Segurança Pública (SSP), divulgados pela imprensa, para demonstrar que o setor não é prioridade para atual gestão, que gasta quatro vezes mais em publicidade.

“Enquanto os gastos com publicidades chegam a R$ 109 milhões, o governo investiu em segurança pública apenas R$ 26 milhões”, disse o candidato, que atribui a crise no setor à incapacidade de gerenciamento do governo.

Geddel anunciou que a pretende reestruturar o sistema de segurança pública, requalificando o efetivo policial, adotando medidas bem sucedidas em outros estados, a exemplo da polícia pacificadora, ocupando as áreas de maior violência, investindo na auto-estima do policial, o que inclui a melhoria da remuneração, e implantando um programa habitacional para o servidor público, beneficiando os policiais.

Sobre a saúde, Geddel garantiu que vai, já no primeiro mês de governo, enviar à Assembléia Legislativa o Plano de Cargos e Salários para os profissionais de saúde. O objetivo é estimular os médicos a ingressar na rede estadual, principalmente, para atuar no interior.

“Não é apenas construindo hospitais que vai se resolver o problema da saúde. É preciso faze-los funcionar. A saúde está bem hoje no interior? O Hospital Geral do Estado e o Roberto Santos funcionam bem? Eu tenho visto e ouvido que não. Faltam médicos e medicamentos”, avaliou.

Geddel também respondeu sobre as suas propostas na área de educação, anunciando que vai priorizar a pré-escola e o ensino fundamental. Ele garantiu que vai manter o programa de alfabetização do atual governo, mas deixou claro que a sua preocupação é impedir que as crianças de hoje venham a ser, no futuro, “clientes” desse programa.

“Aquela senhora que aparece na propaganda emocionando a todos por ter aprendido a escrever o nome, nos tocaria e tocaria muito mais a ela própria se dissesse que os seus filhos, seus netos, não são analfabetos porque houve um governo na Bahia que se preocupou com a pré-escola, o ensino fundamental, o ensino profissionalizante e lhes deu a oportunidade de cursar a faculdade”.

Critica Seplan e diz que ponte para Itaparica é factóide

O candidato do PMDB ao governo da Bahia, Geddel Vieira Lima, criticou o anúncio feito nesta segunda-feira (02) pela Secretaria de Planejamento do Estado de que receberá no dia 3 de novembro o resultado dos estudos de viabilidade técnica da ponte Salvador-Itaparica. “Essa informação precisa ser traduzida”, disse Geddel, “e a tradução é que esse factóide vai ser usado durante toda a campanha eleitoral, que termina muito antes de 3 de novembro, mesmo com segundo turno”.

Geddel observou que Secretaria do Planejamento disse que se os estudos apontarem para a viabilidade da obra, ela pode vir a ser feita com recursos do PAC 2 ou em parceria público-privada: “Isso comprova que a idéia da ponte é mesmo um factóide de campanha. O governo nem sabe com que dinheiro vai fazer, vez que a tal ponte não tem projeto, não está orçada e nem está no PAC 2”.

Quanto à possibilidade de uma parceria público-privada para construir a ponte, o candidato peemedebista disse que preferia lembrar as palavras do empresário Emílio Odebrecht em um evento realizado em maio passado na Associação Comercial, quando ele se disse não acreditar no projeto e manifestou sua convicção de que existem muitas outras alternativas que convém melhor, como uma pista por Candeias. Geddel disse que essa é exatamente a proposta que está em seu plano de governo: a construção da Rodovia do Recôncavo, “que dará o mesmo resultado e será significativamente mais barata para os cofres públicos”.

 Geddel diz que prefeitos é que assumem a segurança

O candidato a governador pela coligação “A Bahia Tem Pressa”, Geddel Vieira Lima, acusou o atual governo do Estado de transferir para os prefeitos a responsabilidade pela segurança pública nos seus municípios. Ele fez essa afirmação ao discursar em comício na cidade de Conceição do Almeida, na noite deste domingo (01).

“Se existe segurança no interior do Estado é porque os prefeitos arcam com os custos de combustível, reforma da delegacia e aluguel de casa para a polícia”, disse o candidato peemedebista.

Presente ao comício, o prefeito Adailton Campos Sobral, conhecido como Ito de Bêga (PMDB) confirmou que chega a gastar mensalmente R$ 10 mil para manter a segurança no município, assumindo responsabilidades que caberiam ao Governo do Estado: “Se não fosse a Prefeitura, não teríamos segurança aqui. Com esse dinheiro, poderíamos construir casas pra essa gente pobre, que não tem onde morar”.

O comício teve também a presença dos candidatos ao Senado César Borges (PR) e Edvaldo Brito (PTB) e do vice-governador Edmundo Pereira. A Praça Matriz da cidade, mesmo com o tempo chuvoso, ficou lotada.

Ainda em discurso, Geddel citou os dados divulgados pelo próprio Governo do Estado indicando o aumento de 18% dos casos de assassinato no interior, para demonstrar o abandono de municípios, como Conceição de Almeida, por parte da política de segurança pública.

“Não é entregando viaturas a prefeitos, tentando trocá-las por voto, que vai se resolver o problema da segurança. As viaturas têm que ser entregues diretamente à polícia. O que falta é gestão e planejamento. A segurança não é lugar para se fazer política eleitoral”, avaliou o candidato.

As críticas do candidato peemedebista não se limitaram à área de segurança. Ele avaliou que há uma desassistência em relação aos municípios do interior e anunciou que a sua prioridade será reduzir o nível de pobreza dos 100 municípios mais pobres da Bahia. A meta é fazer com que em quatro anos as suas populações atinjam, no mínimo, a média do Índice de Desenvolvimento Humano do Estado.

“Nós vamos tirar do papel as idéias para melhorar a vida dos baianos”, disse Geddel, citando, como exemplo, o Plano de Cargos e Salários para os profissionais de saúde, que vai estimular os médicos a trabalhar no interior. Anunciou também que vai aumentar os repasses de recursos do Estado para as prefeituras custearem as ações de saúde.

As propostas alegraram o prefeito de Conceição do Almeida que, para demonstrar a credibilidade do candidato do PMDB, lembrou as obras realizadas por Geddel no município, enquanto ministro da Integração Nacional. Entre os exemplos, a construção de 60 unidades habitacionais distribuídas entre a sede e as localidades de Pau Sedro, Comércio de Jaguaripe, Santana do Rio da Dona, Andaiá e Sapatoí.

O senador e candidato à reeleição César Borges disse que o desejo de mudança é a marca dos programas de Geddel. “Nós, da coligação, queremos tirar a Bahia da situação em que ela se encontra. O povo, que era alegre, tem receio da insegurança e já não pode contar com uma boa educação”.

Para o também candidato ao Senado, professor Edvaldo Brito, um dos programas mais importantes de Geddel é o da educação. “Eu me associei a Geddel porque o programa de educação de seu governo tem muito respeito pelos professores. Eu, que sou professor, me aposentei há 34 anos, ganhando menos de R$ 1 mil. Geddel vai valorizar o professor e todo o serviço público. Ele vai fazer a revolução ma educação. Pobre tem que ter aula boa, curso bom”.

A comitiva que acompanhou o peemedebista contou ainda com os candidatos a deputado estadual Reinaldo Braga (PR) e Uziel Bueno e o deputado federal e candidato à reeleição Marcelo Guimarães Filho (PMDB). Também participaram do evento o prefeito de Teolândia, Antonio Junior (PMDB), o ex-prefeito de Cruz das Almas, Jean Cavalcante Silva, e o ex-vice-prefeito de Conceição do Almeida, Chico de Chiquinho, além de lideranças de outras regiões como Muniz Ferreira, São Felipe e Santo Antonio de Jesus.

Jingle

Durante o comício, Geddel foi homenageado com um jingle feito pelo cantor e compositor João de Deus Pereira Souza, conhecido como Billy Jones. Morador do município, ele subiu ao palco para conhecer Geddel, ao som da música em ritmo de reggae.

Antes do comício, a comitiva participou de carreata que partiu do povoado e Monbaça (na estrada para o distrito de São Felipe, distante cerca de três quilômetros da sede) até a Praça da Matriz, no Centro da cidade. Cerca de cem carros acompanharam os candidatos. Eles foram recebidos com muitos fogos de artifício, jingles e bandeiras que estampavam seus números nas urnas.

 Médicos anunciam apoio

Lideranças médicas baianas formalizaram na noite desta segunda-feira (02) o apoio ao candidato a governador do Estado, Geddel Vieira Lima, da coligação “A Bahia Tem Pressa”. No encontro, realizado no Restaurante Amado, Geddel se comprometeu a enviar, já no início do governo, o projeto criando a carreira dos profissionais de saúde na rede estadual, a formalização de parcerias com a iniciativa privada e hospitais filantrópicos, para garantir assistência de qualidade a todos os baianos e a “desideologização” da Secretaria de Saúde.

“A Secretaria de Saúde não é lugar para a prática de ideologias políticas e sim da meritocracia, do compromisso pela vida das pessoas”, ressaltou.

Entre os presentes, diretores e ex-diretores das principais entidades médicas e hospitais da Bahia e o secretário de Saúde de Salvador, José Carlos Brito. O ex-presidente da Associação Baiana de Medicina, Roque Andrade, em nome dos profissionais de medicina da Bahia fez um diagnóstico da situação enfrentada pelo setor no Estado, ao justificar o apoio que estava sendo manifestado a Geddel.

“Na Bahia estamos às portas do caos e sair dele, se afastar dele, essencialmente, vai depender do esforço do governo estadual”, ressaltou, citando como exemplo a assistência precária prestada nas emergenciais dos hospitais estaduais, o atendimento crítico no interior do Estado e o descaso com áreas, como hemodiálise, que antes conseguiam atender com certa qualidade os pacientes: “O que funcionava bem já vai descarrilando no trilho da burocracia ingrata”.

Na opinião do representante dos médicos baianos, Geddel é o nome indicado para promover “o choque de gestão” que o setor de saúde precisa e garantiu que ao seu lado estarão as principais lideranças da categoria, a exemplo do que ocorreu no Governo César Borges, procurando soluções para os problemas enfrentados hoje pelo setor.

“Temos confiança na lealdade, temperança e na coragem de Geddel para mudar a Bahia que tem pressa”, disse Andrade.

Ao agradecer o apoio dos médicos baianos, Geddel pediu que a categoria tomasse nota para lhe cobrar depois o compromisso de enviar à Assembléia Legislativa, no primeiro mês de governo, o Plano de cargos e salários dos profissionais de saúde. Garantiu também que na gestão do PMDB, os investimentos em educação e saúde não vão se limitar às transferências determinadas pela Constituição:

“Prioridade não se faz com discurso. Se faz no orçamento e por isso, no nosso governo, vamos investir na educação e na saúde recursos acima das transferências constitucionais”.

O vice-governador e candidato à reeleição, Edmundo Pereira, esteve presente ao encontro. Entre os médicos presentes, os deputados federais e candidatos à reeleição Colbert Martins (PMDB) e Maurício Trindade (PR), o presidente da Câmara da capital Alan Sanches (PMDB) e o ex-vereador Sandoval Guimarães (PMDB), também candidatos à Câmara Federal.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9162 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).