Fundação Cultural é contemplada em edital da Cinemateca Brasileira

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A Diretoria de Audiovisual (Dimas) da Fundação Cultural do Estado, unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), foi contemplada pela segunda vez no edital do Programa de Restauro de Filmes, da Cinemateca Brasileira, instituição da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira.

O edital selecionou filmes nacionais, ameaçados pelo tempo ou por condições precárias de conservação para serem restaurados. Um convênio assinado com a Petrobras destina R$ 3 milhões para preservar a memória cinematográfica do país por intermédio do programa. Com o projeto aprovado, a Dimas realizará a recuperação de dois filmes baianos do diretor José Walter Lima – O Alquimista do Som (1978) e Nós Por Exemplo (1979).

Ao final da restauração, cópias novas das obras e 20 exemplares em DVD serão concedidos pelo edital. Em troca do financiamento do trabalho, a Cinemateca Brasileira ficará com uma matriz digital e os direitos dos filmes para a Programadora Brasil, que patrocina exibições não-comerciais em lugares sem salas de cinema, democratizando o acesso a produções importantes do cinema nacional.

“Os dois filmes curtos do cineasta José Walter Lima foram realizados no período do surto da contracultura brasileira: O Alquimista do Som, um documentário sobre Walter Smetak, e Nós Por Exemplo, uma ficção que retrata a época do regime militar no país e que traz no elenco o cineasta Edgard Navarro. Quem assina a fotografia dos dois é o gênio Mário Cravo Neto, que faleceu no ano passado. Portanto, são filmes relevantes que precisam ser recuperados para que o público tenha acesso a eles”, resume a diretora de Audiovisual da Funceb, Sofia Federico.

Não é a primeira vez que obras baianas serão restauradas pelo edital do Programa de Restauro de Filmes. Na edição de 2007, a Dimas conseguiu a aprovação e restauração dos filmes Caveira My Friend (1969/1970), com direção de Álvaro Guimarães, e Tocaia no Asfalto (1962), de Roberto Pires. As cópias das obras já se encontram salvaguardadas no Núcleo de Memória da Dimas/Funceb. “Nós fomos contemplados não somente porque fizemos um bom projeto, mas, sobretudo, pela importância da cinematografia baiana para o Brasil. Os filmes já restaurados e os que serão agora recuperados são parte da rica memória audiovisual brasileira. Portanto, patrimônio valioso da nossa cultura. É esse o principal reconhecimento público que devemos considerar com essa premiação”, enfatiza Sofia.

Os filmes

O Alquimista do Som foi filmado em Salvador, com produção, roteiro e direção de José Walter Lima, direção de fotografia de Mário Cravo Neto, montagem de Roberto Miranda, narração de Rogério Duarte e som de José Humberto Dias e José Alberto Machado. É um documentário sobre a vida e a obra do músico e artista plástico suíço Walter Smetak, que lecionou na Escola de Música da Universidade da Bahia, influenciando uma geração de músicos como Gilberto Gil, Rogério Duprat, Caetano Veloso, Gereba, Tom Zé, Tuzé de Abreu, grupo Uakti, entre outros.

Nós Por Exemplo, também rodado na capital baiana, tem argumento, roteiro e direção de José Walter Lima, fotografia de Mário Cravo Neto e montagem de Jair Moura. Retratando a época da ditadura militar, narra a história de um jovem abandonado pela mulher, que lhe informa sobre a prisão de um companheiro de luta que “abriu tudo” para a polícia. Vendo-se numa situação difícil, o jovem entra num surto psicótico e começa a delirar, falando coisas aparentemente desconexas e metafóricas pelas ruas da cidade. O cineasta Edgar Navarro e a atriz Márcia Vergner compõem o elenco do filme.

Cinemateca Brasileira

Instituição da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira, a Cinemateca Brasileira surgiu em 1940, em São Paulo, graças ao empenho de cinéfilos que marcaram a história do cinema nacional – Paulo Emílio Salles Gomes, Francisco Luiz de Almeida Salles, Décio de Almeida Prado e Antonio Candido de Mello e Souza. Atualmente, a instituição divulga e restaura seu acervo, um dos maiores da América Latina. São cerca de 200 mil rolos de filmes, entre longas, curtas e cinejornais. Possui também um amplo acervo de documentos, formado por livros, revistas, roteiros originais, fotografias e cartazes.

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