Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte é atração da semana no Recôncavo Baiano

Detalhe da fachada da sede da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira.
Detalhe da fachada da sede da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira.
Detalhe da fachada da sede da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira.
Detalhe da fachada da sede da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira.

A cidade de Cachoeira, a 109 km de Salvador, será palco da tradicional festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, a partir da próxima sexta-feira (13/08/2010), tendo como o ponto alto no domingo (15/08/2010) e encerramento na terça-feira (17). A manifestação, que une cultos católicos com manifestações de matriz africana, é considerada patrimônio nacional e recebe milhares de visitantes para acompanhar o ritual das irmãs da entidade religiosa.

A programação inclui cortejo anunciando a morte de Maria, missas em memória das irmãs falecidas, sentinela, missa simbólica de corpo presente e procissão. De todas as festas religiosas da Bahia, a da Irmandade da Boa Morte é considerada a mais importante, mais negra e com maior volume de sincretismo e força feminina no estado.

Nascida em meio às senzalas, há mais de 150 anos, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte tinha o objetivo de alforriar negros, ou facilitar-lhes a fuga. A força do grupo se mantém até hoje pelas mãos de quem o conduz: são 23 mulheres afrodescendentes com idade superior a 50 anos. De acordo com Valmir Pereira, porta-voz da Irmandade, a festa tem grande representatividade para a cultura do estado e da cidade de Cachoeira.

Troféu de resistência

“A festa já tem 240 anos, é importante porque veio do movimento abolicionista e reflete a liberdade das mulheres negras para se expressarem, cultuarem, e serem vistas. É o troféu de resistência dessas mulheres e se tornou a maior festa de interação, porque atrai gente de todos os lugares”, disse Valmir Pereira.

O encanto do público e dos fiéis não se resume à importância histórica da festa. As roupas utilizadas pelas irmãs da Boa Morte são um atrativo à parte durante os festejos. O luto pelas irmãs já falecidas é representado pelo branco. E a vestimenta para o ritual simbólico do sepultamento de Nossa Senhora é composta por saia preta, blusa branca bordada e lenço branco no cabelo.

Um xale de veludo, com faces vermelha e preta, é utilizado durante o percurso, com o lado preto voltado para fora. Já na procissão de Assunção de Nossa Senhora da Glória, a face vermelha fica à mostra, em meio à beca, às joias e aos orixás.

Tradição religiosa e política

A festa sagrada tem rituais estabelecidos e seguidos à risca há mais de 150 anos pelas mulheres da Irmandade. No primeiro dia, as irmãs fazem o cortejo com o esquife de Nossa Senhora saindo da Capela D’Ajuda em direção à capela da Irmandade. Lá, é celebrada uma missa em memória das almas das irmãs falecidas, seguida da sentinela e da Ceia Branca, composta por pão, vinho, peixes e frutos do mar, sem dendê.

No segundo dia, uma missa simbólica de corpo presente abre a programação, seguida da procissão de enterro de Nossa Senhora da Boa Morte. A parte religiosa se encerra no terceiro dia da festa, com missa de Assunção de Nossa Senhora da Glória e procissão percorrendo as ruas da cidade. Logo depois, as irmãs almoçam com convidados na sede da Irmandade e a programação é fechada com samba-de-roda no Largo D’Ajuda.

O lado profano da Boa Morte se dá nos dois últimos dias, este ano na segunda e terça (16 e 17), quando são servidos um cozido e caruru, acompanhados de samba-de-roda, no Largo D’Ajuda. De acordo com o historiador Manoel Passos, a festa é uma confraria que mantém toda uma tradição religiosa e política.

“Esta é uma manifestação sincrética, e é a única Irmandade no Brasil que mantém a tradição. Além disso, a festa da Irmandade da Boa Morte é geradora de fluxo turístico; foi ela quem inspirou o Turismo Étnico e atrai turistas internos e externos”, explica.

Atração turística

Há mais de 15 décadas, a festa ainda atrai visitantes de toda parte, além de ser um atrativo para profissionais do turismo. Este ano, a expectativa é que cinco a seis mil pessoas acompanhem os festejos da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte.

A funcionária pública Suiá Couto de Castro, 28 anos, foi duas vezes à festa quando fazia curso para guia de turismo. “Achei a parte visual da festa muito bonita, além de ser muito interessante, porque é uma cultura que existe há mais de 100 anos”, diz.

A fotógrafa Tatiana Souza, 34, também já visitou a cidade de Cachoeira durante a festa, e lembra a importância de se manter a tradição. “É preciso conscientizar as pessoas para a importância cultural da Festa da Boa Morte. As irmãs estão morrendo e, infelizmente, a nova geração não tem se preocupado em manter o ritual”, explica.

Como aproveitar melhor a festa

Programação:

O quê: Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte
Local: Cachoeira – 109 km de Salvador
Data: 13 a 17 de agosto de 2010
– Sexta-feira (13) – A partir das 18h
– Sábado (14) – A partir das 19h
– Domingo (15) – A partir das 9h
– Segunda-feira (16) e terça-feira (17) – A partir das 20h

Como chegar

Sair de Salvador pela BR-324, por 59 Km, até o entroncamento da BA-026, percorrendo mais 11 km até Santo Amaro. A partir dessa cidade, siga para Cachoeira pela mesma BA-026, por mais 38 Km. De ônibus, é possível ir pela empresa Santana – (71) 3450-4951-, a partir do Terminal Rodoviário de Salvador.

Onde ficar

– Pousada D’Ajuda
Largo D’Ajuda, s/n
Tel.: (75) 3425-5287
– Hotel Fazenda Villa Rial
Ladeira do Padre Inácio, s/n
Tel.: (75) 3425-3602
– Santo Antônio Hotel
Praça Maciel, nº 01
Tel.: (75) 3425-1402

Onde comer

– Restaurante Recanto da Maga
Rua Ana Néri, 42.
Tel.: (75) 3425-2764
– Restaurante A Confraria
Rua Inocêncio Boaventura, s/n
Tel.: (75) 3425-1716
– Restaurante Beira Rio
Rua Manoel Paulo Filho, 19
Tel.: (75) 3425-5050

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