Câmaras setoriais da agropecuária baiana elaboram primeira versão do planejamento estratégico

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Criadas pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Seagri, há cerca de três meses, as câmaras setoriais de 20 cadeias produtivas prioritárias da agropecuária se reuniram nesta segunda-feira, (09/08/2010), na I Conferência Estadual das Câmaras Setoriais para apresentar a primeira versão do Planejamento Estratégico da Agropecuária da Bahia Para os Próximos 20 anos. O encontro, realizado no Hotel Pestana, com a participação de mais de 600 membros das câmaras, foi aberto pelo secretário estadual de Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, que definiu o evento como uma grande reunião de trabalho da agropecuária baiana.

“Sinto-me orgulhoso de estar secretário da Agricultura neste momento em que podemos pensar o setor e prepará-lo para o futuro”, disse Salles, confirmando que “em outubro nós entregaremos o planejamento ao governador Jaques Wagner”. O secretário explicou que “este trabalho vai apontar o que é importante para cada cadeia, as necessidades e as prioridades, que serão consideradas nos orçamento dos próximos anos”. De acordo com o secretário, “a agropecuária, um setor da nossa economia responsável por 24% do PIB, 30% dos empregos gerados e 37% das exportações, precisava de um planejamento estratégico para balizar seu fortalecimento e desenvolvimento.

Participaram da conferência os membros titulares e suplentes das câmaras setoriais da Apicultura e Meliponicultura, Algodão, Seringueira, Cana de Açúcar e derivados, Mandioca, Café, Grãos, Pesca e Aqüicultura, Oleaginosas, Hortaliças, Silvicultura, Fruticultura (com duas sub-câmaras: Citricultura, Fruticultura Temperada e Tropical), Guaraná, Cacau, Leite, Fibras e Carne.

Cumplicidade

O secretário Eduardo Salles destacou que organização das câmaras setoriais para a elaboração do planejamento estratégico é uma iniciativa inédita no Brasil, e “se caracteriza por não ser um plano desenvolvido pelo Estado, mas com o apoio estatal, porém elaborado por todos os entes da cadeia produtiva, tendo desta forma a cumplicidade do setor”

Ele ressaltou que as cadeias produtivas têm nas câmaras a instância neutra e adequada para a análise e identificação de prioridades de atuação do governo e de sua política de desenvolvimento harmônico para os diferentes segmentos da agropecuária.

Para o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário, (SDA) da Seagri, Raimundo Sampaio, as câmaras setoriais são instrumentos democráticos e transparentes de interlocução entre o governo e o setor produtivo. “No contexto da produção agrícola, esse elo entre governo e setor privado enseja a oportunidade de participação da sociedade”, explicou Sampaio. As câmaras são formadas por representantes de entidades, de pequenos, médios e grandes produtores, trabalhadores, empresários, industriais, do setor privado e de órgãos públicos federais e estaduais, além de instituições financeiras e movimentos sociais.

Depoimentos:

“A agricultura tem que estar ligada à agroindústria e vice-versa. As ações de governo devem priorizar a agricultura e a agroindústria, ou seja, desde o inicio da cadeia produtiva. Priorizar os problemas, as dificuldades e as possíveis soluções, como o que está sendo discutido nas câmaras setoriais, vai alavancar o setor industrial, gerando grande produtividade e retorno”.

Vitor Ventin – Primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia

“Desejamos uma política pública para o Estado e não de governo, que atenda aos interesses de todos. Desejamos que a Bahia possa dar o salto que o País deu no desenvolvimento do setor agropecuário. O secretário Eduardo Salles está de parabéns com esta iniciativa. Esperamos com muita ansiedade o resultado desse trabalho”.

Luiz Freire Sande – Gerente de Programas Especiais da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) – Secretário Executivo da Câmara Setorial do Leite

“As câmaras setoriais possibilitam ao governo conhecer os problemas do setor e priorizar as ações especificas, para um resultado promissor. É importante focar na capacitação e assistência técnica, no crédito rural assistido e comercialização, como está sendo feito pelas câmaras. O setor da fruticultura é muito carente em comercialização, padronização e leis favoráveis ao setor, mas com o planejamento estes gargalos serão solucionados”.

Ivan Pinto – Presidente do Instituto da Fruta

“A câmara setorial é o canal especifico do governo para estabelecer as diretrizes dos produtores da Abapa em relação a cadeia produtiva do algodão. Vamos levar as propostas que devem ser priorizadas para atuação do governo de modo estratégico e que beneficiem as 135 associações no oeste e 25 localizadas no sudoeste do estado. Através da câmara setorial do algodão pretendemos fomentar ações governamentais e promover a sustentabilidade, gerar emprego e renda. Estamos apostando no resultado desse trabalho”.

Ernani Edvino Sabai – Membro da Câmara Setorial do Algodão e secretário executivo da Abapa

(Associação dos Produtores de Algodão do Estado da Bahia)

Sobre Carlos Augusto 9652 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).