Bahia sedia Encontro Internacional de Arte Rupestre

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Considerada umas das mais ricas regiões do Brasil em cavernas, pinturas rupestres e fósseis vegetais e animais, a Chapada Diamantina sedia a partir desta segunda-feira (23/08/2010) o mais importante encontro internacional sobre Arte Rupestre já realizado na Bahia.

A região a ser debatida é originária de bacia sedimentar com 1,6 bilhão de anos e soerguida em camadas de arenitos, conglomerados e calcários, totalizando 38 mil quilômetros de serras, algumas com mais de mil metros de altura acima do nível do mar.

O encontro acontece até a próxima quarta-feira (25) no auditório Afrânio Peixoto da Fundação Pedro Calmon e no hotel Portal de Lençóis, ambos em Lençóis, e será realizado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) com apoio do Governo da Estado da Bahia, por intermédio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA).

A organização geral do evento está a cargo do Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica–Ufba/CNPQ e Instituto Julio Cesar Mello de Oliveira. Também apoiam o encontro, a Prefeitura Municipal de Lençóis, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Fundação Pedro Calmon e agência Volta ao Parque.

Povoamento do continente americano

Tendo como temática principal “Os múltiplos olhares sobre a arte rupestre”, o encontro reúne, simultaneamente, o 5º Seminário de Arte Rupestre da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a 3ª Reunião da Associação Brasileira de Arte Rupestre (Abar), contando, entre os palestrantes, com a participação da arqueóloga brasileira mundialmente reconhecida, Niéde Guidoin. Ela passou a ser referência mundial obrigatória, quando, com suas pesquisas e achados arqueológicos, mostrou que o povoamento do continente americano aconteceu muito antes do que se imagina e é difundido.

Enquanto as teorias mais conhecidas aceitam que os primeiros humanos chegaram às Américas há 15 mil anos, alguns sítios arqueológicos de Niéde Guidon reúnem artefatos que datam de 50 mil anos, ou seja, vestígios humanos de mais 30 mil anos antes do que é aceito normalmente.

Com grande equipe de trabalho e inúmeros projetos em andamento, Guidon reescreve assim a versão corrente da história demográfica do homem no planeta, enquanto o acúmulo de evidências arqueológicas fortalece cada vez mais as suas hipóteses.

Participam ainda do evento, o subdiretor do Museu de História Natural de Paris, Denis Vialou, e a professora do Instituto de Paleontologia Humana de Paris, Agueda Vilhena Vialou, coordenadora da Missão Francesa de Arqueologia em Mato Grosso. As professoras Anne Marie Pessis e Gabriela Martin da Universidade Federal de Pernambuco, especialistas de arte rupestre da UFPE, também participarão de mesas redondas.

Preservação dos sítios e seu entorno

De acordo com o professor Carlos Etchevarne, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e coordenador geral do evento, durante o encontro serão apresentados novos dados de pesquisas realizadas no Brasil. Além disso, serão discutidos enfoques conceituais ou metodológicos já utilizados em outros países, que permitam avançar na reflexão sobre esse tipo de patrimônio arqueológico que é a Arte Rupestre.

Em sessões específicas serão analisados os posicionamentos das comunidades de não-especialistas com relação aos sítios de pinturas e gravuras arqueológicas. Para Etchevarne, a relação entre as comunidades contemporâneas que se defrontam com grafismos rupestres não passa unicamente pela questão de preservação dos sítios e de seu entorno. “Podemos admitir que a noção de patrimônio esteja mais próxima da apropriação feita pelas comunidades, do que algumas classificações técnicas de especialistas”, diz o especialista.

Durante o encontro acontecerá também um minicurso com a professora/doutora Marcela Rucq, membro do Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica (Cnpq), que trabalha na preparação editorial e na direção fotográfica de publicações de peso, em Arqueologia e, sobretudo, em Arte Rupestre, no Brasil e na Europa. Informações e inscrições através do e-mail [email protected] .

Depósitos sedimentares primitivos

A Chapada Diamantina é definida como uma região de serras, vales e cumes, situada no centro da Bahia, onde nascem quase todos os rios das bacias hidrográficas do Paraguaçu, Jacuípe e Rio de Contas, com formação de quedas d’água, corredeiras e cachoeiras.

Na região foi criado um parque nacional, em 1985, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Governo Federal. A vegetação é exuberante, composta de espécies da caatinga e florada serrana, com destaque para bromélias, orquídeas e sempre-vivas.

As serras abrangem cerca de 38 mil quilômetros quadrados. Depois da formação da bacia sedimentar há cerca de 1,6 bilhão de anos, depositaram-se nessa região sedimentos sob a influencia de rios, ventos e mares. Posteriormente, aconteceu o “soerguimento” acima do nível do mar, e as inúmeras camadas de arenitos, conglomerados, e calcários, da Chapada de hoje, mostram esses depósitos sedimentares primitivos. Os conjuntos arquitetônico-históricos da região também são tombados como patrimônios culturais da Bahia e do Brasil.

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