Universo feminino de beleza, poesia e fé, o espetáculo Rosário está em cartaz no Teatro do ICBA em Salvador

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“Todo mundo rei e rainha de sua própria história” é com essa provocação e muitas outras durante o espetáculo “Rosário” que Felícia de Castro coroa o público com uma interpretação intensa que esbanja feminilidade e aborda aspectos da presença do sagrado nas manifestações culturais afro-brasileiras, a diáspora africana e a resistência do povo brasileiro.

“Rosário” foi contemplado pelo edital da Fundação Pedro Calmon de Culturas Negras de 2008, tem direção do palhaço, ator e doutor em artes cênicas, Demian Reis e ficará em temporada no Teatro do ICBA, Corredor da Vitória, de 05 a 27 de agosto de 2010, com apresentações às quintas-feiras às 14h e às 20h e sextas-feiras às 20h. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Para o diretor do espetáculo, Demian Reis, “Rosário” é uma “dramaturgia no lugar da condição feminina. Uma fábula de mulheres em forma de ritual, mulheres vivendo momentos diferentes em idades diferentes e agregando toda a carga emocional que essas idades carregam”, afirma o diretor.

“Rosário” é uma fábula ritualizada contada numa trajetória circular. Através de cantigas, rico gestual, explosões de texto, interatividade com o público, a atriz revela aspectos das identidades brasileiras. Através de um ciclo denso e cheio de oscilações que configuram as várias mulheres presentes na personagem, é possível perceber a articulação entre gênero, etnia, poesia, beleza e fé.

Através da manifestação de devoção à Nossa Senhora do Rosário o espetáculo é inspirado na simbologia de coroação de reis negros. Felícia de Castro evidencia traços da formação brasileira pelo viés da mestiçagem religiosa. “Pesquisei outras manifestações que evocavam traços das identidades brasileiras. Buscava particularmente o aspecto religioso destas manifestações populares: A fé característica destes brasileiros, que produz tanta beleza e instaura uma aura de sagrado”, afirma a atriz.

Cânticos populares são guias da ação cênica. Com movimentos que lembram a capoeira Angola (BA), as cantigas que concebem o reisado do congo (CE), o samba de roda (BA), o candomblé (BA), os congos e candombe (MG) em seus terreiros de origem, Felícia pesquisou canções, vozes, danças, sons e gestos, e reinventou a construção das mulheres que compõem esse “Rosário”.

Demian Reis

Ator, palhaço, compositor, dramaturgo, diretor, doutor em Artes Cênicas pelo Programa de Artes Cênicas da UFBA e co-fundador do grupo Palhaços para Sempre.

Felícia de Castro

Atriz, palhaça e mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFBA, teve sua formação de palhaça em 1999, através do VIII Retiro de Clown e o Sentido Cômico do Corpo ministrado pelo Lume Teatro. Co-fundadora do Grupo de Teatro Palhaços Para Sempre, que, desde 2000, pesquisa a arte do palhaço e a arte do ator, assim como manifestações artísticas brasileiras. Junto com Flavia Marco Antonio (Abril Despedaçado) dirigiu e atuou no espetáculo de clown “Jardim”, onde foram duplamente contempladas com o prêmio de melhor atriz do Festival de Teatro de Guaramiranga (CE), em 2005. Atuou em vídeos artísticos, publicitários e nos filmes “Central do Brasil” (Walter Salles) e “Histórias da Bahia” (Sergio Machado, Araripe jr, Adyala Iglesias), contracenando com Fernanda Montenegro e Lucélia Santos.

Agenda

Quando? De 05 a 27 de agosto, com duas apresentações as quintas-feiras, 14h e às 20h e sextas-feiras às 20h.

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