Saiba mais sobre os riscos do amianto à saúde

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O amianto ou asbesto é uma designação comercial genérica para a variedade fibrosa de sais minerais metamórficos de ocorrência natural e utilizados em vários produtos comerciais.
O amianto ou asbesto é uma designação comercial genérica para a variedade fibrosa de sais minerais metamórficos de ocorrência natural e utilizados em vários produtos comerciais.

O amianto é um mineral que ocorre na natureza. Uma variedade da substância, o amianto branco, é usado na indústria da construção civil nos países em desenvolvimento, mas é proibido na maioria dos países industrializados, devido aos riscos para a saúde.

Outras formas de amianto – o azul e o marrom – são proibidos em todo o mundo.

Para que serve o amianto?

O amianto é resistente ao calor e ao fogo. Além disso, o material é resistente e barato, por isso pode ser usado de diversas formas. Ele pode ser misturado ao cimento para fabricação de tetos e pisos. Também é utilizado em canos, tetos, freios, entre outros.

O amianto é perigoso?

Fragmentos microscópicos de fibras de amianto são potencialmente perigosos quando inalados e podem provocar doenças respiratórias:

Câncer de pulmão, que é o mais comum em pessoas expostas ao amianto;

Mesotelioma, uma forma de câncer no peito que praticamente só ocorre em pessoas expostas ao amianto;

Asbestose, uma doença que causa falta de ar e pode levar a problemas respiratórios mais graves.

O amianto branco, conhecido como crisótilo, é a única forma de amianto usada hoje. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a variação também é associada ao mesotelioma e outros tipos de câncer, mas seus produtores dizem que a substância é segura se manejada com cuidado.

Onde o amianto é usado?

Em países da União Europeia, na Austrália e em mais de 20 países, o amianto branco é proibido. Ele é limitado a quantidades pequenas nos Estados Unidos e no Canadá.

Os maiores consumidores são China, Índia e Rússia. Os maiores exportadores são Rússia, Cazaquistão, Brasil e Canadá.

E no Brasil?

O amianto é amplamente produzido e usado no Brasil, apesar de alguns esforços isolados para se banir a substância. O Brasil é o terceiro maior produtor e exportador de amianto, que é vendido para países como Colômbia e México. O país também é o quinto maior consumidor do produto.

As 11 empresas que trabalham com o produto empregam mais de 3,5 mil pessoas diretamente e movimentam R$ 2,5 bilhões por ano.

O amianto pode ser usado de forma segura?

Alguns especialistas afirmam que o amianto branco traz menos risco à saúde do que o amianto azul e marrom, mas mesmo empresas que vendem a substância dizem que os trabalhadores devem evitar inalar o ar com o produto.

Nos Estados Unidos, as fábricas precisam se certificar de que existe menos de 0,1 partículas de amianto por centímetro cúbico de ar.

Um órgão de saúde do governo americano afirma que mesmo a exposição a esse grau de contaminação do ar ao longo de uma vida toda de trabalho pode provocar cinco mortes por câncer e duas por asbestose em cada mil trabalhadores.

Como os trabalhadores podem se proteger?

Eles podem usar roupas protetoras e máscaras para respiração. Outra medida é reduzir o nível de poeira nas fábricas com ventiladores, aspiradores e água, mantendo o ambiente mais úmido.

Familiares de trabalhadores também correm risco?

O maior grupo de risco são os trabalhadores expostos por muito tempo. No entanto, há casos de esposas que morreram de doenças relacionadas ao amianto por manejarem as roupas sujas do marido. Filhos de trabalhadores também já morreram pelo mesmo motivo.

Quanto tempo leva para que se contraia uma doença relacionada ao amianto?

A asbestose pode surgir em uma década após exposição inicial ao amianto, mas em muitos casos ela demora ainda mais. O mesotelioma pode surgir em 30, 40 ou até 50 anos após a exposição. Médicos dizem que pacientes diagnosticados com mesotelioma tem menos de cinco anos de expectativa de vida.

‘Erin Brockovich’ brasileira combate amianto há 25 anos

Uma brasileira de 52 anos conquistou uma reputação internacional por seu trabalho contra a indústria do amianto no Brasil. Há 25 anos, Fernanda Giannasi vem tentando banir o produto no país, para evitar que mais pessoas morram em decorrência do seu uso.

Entre os produtores brasileiros de amianto, Giannasi virou até persona non-grata. “Eu não tenho nome. Sou apenas conhecida como ‘aquela mulher'”, brinca.

Fernanda Giannasi é inspetora do ministério do Trabalho. Ela afirma que o amianto branco – produzido em Goiás e vendido tanto no Brasil quanto no exterior – já matou centenas de pessoas e provocará mais mortes se não for proibido.

Ela rejeita a ideia de que o produto possa ser usado com segurança, como defendem alguns produtores. “Isso é uma ficção”, diz Fernanda.

Dois tumores

Por seu trabalho no Brasil, ela ganhou vários admiradores na comunidade internacional. Um médico de Goiás apelidou-a de “Erin Brockovich brasileira”, em referência à americana que lutou contra indústrias que poluíam a água na Califórnia e virou personagem de um filme.

O palco do trabalho de Fernanda Giannasi são as cidades brasileiras, como Osasco, em São Paulo. “A fábrica era cheia de pó por toda a parte. Era possível ver o pó nos raios de sol”, conta Souza, hoje com 68 anos.

Até 1977, os trabalhadores não tinham nenhum equipamento especial. Naquele ano, eles receberam máscaras de papel.

“Em um momento, eles chamaram todos os trabalhadores e tiraram raio-X dos nossos pulmões, mas eles nunca nos mostraram os resultados.”

Em 2000, Eliezer Souza passou por uma cirurgia para remover dois tumores do seu pulmão.

O trabalhador é um dos integrantes da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA). O grupo é um dos 70 que foram formados pelo mundo reunindo vítimas da substância.

O amianto já foi amplamente usado em vários países, mas isso mudou ao longo dos últimos anos. No mundo todo, 52 países já proibiram ou restringiram o uso do amianto. A União Europeia proíbe qualquer variação do amianto. Nos Estados Unidos, apenas alguns freios são usados.

Em países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil, no entanto, a substância ainda é usada.

O Brasil é o terceiro maior produtor e exportador de amianto, que é vendido para países como Colômbia e México. O país também é o quinto maior consumidor do produto.

As 11 empresas que trabalham com o produto empregam mais de 3,5 mil pessoas diretamente e movimentam R$ 2,5 bilhões por ano.

Ativista

Giannasi começou sua carreira nos anos 80 no Brasil, combatendo a indústria do amianto em São Paulo. Em 1991, após vasta experiência como inspetora, ela foi transferida para Osasco, cidade que concentra as maiores indústrias do setor.

Em 1995, ela entrou em guerra contra uma empresa local, tentando impedir a demolição de uma das fábricas sem um manejo ambiental. O processo poderia liberar ainda mais partículas de amianto no ar.

Desde o começo do governo Lula, em 2003, a produção de amianto cresceu no Brasil. Fernanda Giannasi levantou a voz para protestar contra a falta de regulação e acabou suspensa por 45 dias. Depois de ir à imprensa, ela conseguiu voltar ao cargo.

Exausta da luta de quase três décadas, ela diz hoje que não acredita que conseguirá alcançar seu objetivo maior: uma proibição nacional do uso do amianto no Brasil.

*Com informações da BBC Brasil.

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