Qual o segredo para escrever um bom livro?

O jovem intelectual feirense Marcelo Vinicius.
O jovem intelectual feirense Marcelo Vinicius.

“Qual o segredo para escrever um bom livro? Antes de pontuar obrigo-me a registrar o que me parece essencial: criatividade, talento e persistência. Sem sinergia e fusão destes elementos não vejo qualquer possibilidade de sucesso e êxito. Lygia Fagundes Telles quando nos fala sobre a arte de escrever inspira: ‘Rasgar, rasgar e rasgar. Eu rasguei muito.'” (João Scortecci)

Para escrever um bom texto de ficção é preciso preparar os conteúdos material e literário. Definir exatamente o que quer. E só depois escrever com disciplina e obstinação.

O escritor deve realizar no texto literário o máximo de sofisticação literária para alcançar o máximo de simplicidade. Isso mesmo. Escrever com muito esforço para ser lido com a facilidade de quem bebe água. A nossa tarefa é seduzir. Fazer o leitor sentir-se amado para nos amar. Vejamos os casos de Doutor Fausto, de Thomas Mann, Madame Bovary, de Flaubert, e de Dom Casmurro, de Machado de Assis, ou de Silvia, de Gerard de Nerval. Livros que podem ser lidos com satisfação num preguiçoso fim de semana lento – com exceção do volumoso Doutor Fausto – e que, no entanto, acumulam um nível de técnicas e de elaboração literária que entusiasmam. E o leitor não é obrigado a torcer o pescoço.

Se você quer ser escritor mesmo, comece lendo A hora da estrela, de Clarice Lispector. Veja que coisa boa ela diz ali:

“Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”.

Em primeiro lugar substitua a Inspiração pela Eclosão. Você acumulou observações e experiências, vai trabalhar com anotações e recortes de jornais, filmes, poemas, obras de arte, e só depois é chegada a hora de começar. Sem romantismo. Um escritor não se inspira, eclode – sai da casca, amadurece. Por isso, o primeiro momento deve ser ocupado pelo Impulso – a vontade irresistível de escrever. E escreva, escreva sempre e escreva muito. Mesmo na fase das primeiras anotações. Feito dizia Guimarães Rosa, sem:

“Limitações, tabiques, preconceitos, a respeito de normas, modas, tendências, escolas literárias, doutrinas conceitos, atualidades e tradições – no tempo e no espaço.”

Depois de tudo isso vem a Intuição. Quando você começa a desconfiar que pode mexer um pouco ali, um pouco acolá; numa palavra, num ponto, numa frase, num parágrafo. Na Intuição entram as suas observações e experiências de leitor, de alguém que conhece palavras, frases, parágrafos, cenas, cenários etc. Que já leu críticas, resenhas, ensaios. Aí mexe e remexe. Inquieta-se. Então precisa dominar a criação. A criação também se domina. E a criação também tem didática. Sem disciplina não se consegue ir muito longe. Passada a fase das anotações e dos recortes – vamos discutir essa questão lentamente – chegou a hora dos primeiros rascunhos, é o momento de dominar o texto.

Comece a preparar a obra de arte literária.

Estude, estude, estude. Leia, leia, leia. Sem ler muito é impossível. E só os grandes – mesmo os grandes de sua geração, aqueles que estão construindo a obra ali ao seu lado –, não dê atenção a qualquer um. Anote, anote, anote. Frases breves, nomes de personagens, cenas rápidas, cenários, digressões, não elimine nada, ainda que tudo lhe pareça confuso, todo começo de criação é confuso, às vezes feio. Não se decepcione. Faça estudos. Ouça discos, veja filmes e de novo: leia e leia e leia. Os poetas também. Os poetas ensinam a escrever. procure Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Ferreira Gullar, todos os bons. Ficcionistas devem ler os poetas, sempre. Procure estudar cenas, cenários, digressões, diálogos, dos grandes escritores. Não perca tempo com obras de segundo plano. Os melhores, sempre os melhores.

Mais algumas dicas:

1- Ser um leitor. Um ótimo leitor. Um leitor voraz e dedicado. Se o objetivo é um romance concentre-se no gênero.

2- A entrada em cena de cada personagem – principal ou coadjuvante – precisa receber do autor uma carga inicial de energia. Quando o autor não o faz corre o risco de perder o leitor.

3- Ter uma boa história. Concisa, objetiva e única.

4 – Fazer um roteiro. Inicialmente simples e pontual. Em tópicos. Deixe os detalhes para depois quando um segundo roteiro – mais complexo – se fizer necessário.

5 – Evite chavões e plágio. Você até pode “babar” de leve uma passagem ou uma frase de efeito. A tentação acontece, e mente quem diz que não. Alguns parágrafos são perfeitos e a inveja literária costuma tirar o sono de muitos. Alguns títulos são eternos e maravilhosos.

6 – Faça a opção por capítulos. Escolher ou não um título para o capítulo não é tão importante. O que pesa positivamente é a pausa. Trabalhar por capítulos é uma mão-na-roda. Havendo um desequilíbrio no texto – isso é comum acontecer – o leitor acaba não percebendo a falha.

Depois de pronto é importante saber que o livro não está pronto. Ler e reler exaustivamente ajuda a criar – muita – repulsa pela obra. Isso é bom. Conheço autores que chegam ao ponto de quase suicídio literário. Calma. É hora então de procurar ajuda profissional. Independentemente de uma edição de autopublicação ou comercial, através de uma editora, uma obra precisa de revisões e leitura crítica. Tudo isso antes de seguir o caminho natural de publicação, impressão, veiculação e comercialização.

*Com informações do Portal Literal

Redação do Jornal Grande Bahia
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