Presidente Lula: Brasil venceu queda de braço com os EUA no caso do algodão e Brasil vai disputar com países ricos mercado africano

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Brasil venceu queda de braço com os EUA

Lusaca (Zâmbia) e Brasília – Ao discursar ontem (08/07/2010) para empresários brasileiros e zambianos, em Lusaca, capital da Zâmbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o exemplo da queda de braço entre Brasil e os Estados Unidos devido aos subsídios do governo norte-americano aos produtores de algodão. O caso ilustrou a tese do presidente de que os países africanos devem procurar soluções próprias, não ditadas pelos países ricos, para resolver seus próprios problemas.

“Nós ganhamos”, disse Lula. “Agora, entre a gente ganhar e eles cumprirem, tivemos que editar uma medida provisória com retaliação aos produtos americanos, para que eles descobrissem que nós não estávamos brincando”, ressaltou.

O que o presidente considera vitória do Brasil é o fato de que, na semana passada, o governo americano depositou a primeira parcela, de US$ 30 milhões, dos US$ 147,3 milhões anuais que devem ser creditados na conta do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

Esse fundo de compensação para financiar projetos ligados à produção brasileira de algodão foi proposto pelos Estados Unidos para evitar as retaliações autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), em novembro de 2009, por causa de subsídios concedidos aos produtores pelo governo norte-americano.

Ao todo, a retaliação poderia ser até US$ 830 milhões, entre elevação de tarifas de importação e propriedade intelectual que pode ser quebrada pelo Brasil. Um acordo fechado no mês passado entre os governos brasileiro e norte-americano, no entanto, suspendeu o início das retaliações até o final de 2012, quando os Estados Unidos deverão reformular sua lei agrícola para limitar os gastos com subsídios e reduzir a ajuda no programa de garantias de crédito à exportação do algodão.

A “novela” do algodão teve início em setembro de 2002, quando o Brasil apelou à OMC contra subsídios dados pelos EUA a seus produtores de algodão, que causavam distorção no comercio internacional, prejudicando os cotonicultores brasileiros.

Brasil vai disputar mercado africano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (8) que o Brasil vai disputar com os países mais ricos “cada metro quadrado da África”. Lula manteve encontros pela manhã, com o presidente da Zâmbia, Rupiah Bwezani Banda, autoridades locais e empresários brasileiros e zambianos. Ao sair do encontro, Lula ressaltou que o Brasil está mesmo na disputa com as grandes economias pela África.

“É claro que a China, a Índia e os Estados Unidos, como são economias muito competitivas estão disputando cada metro quadrado aqui [na África]. Então, nós não podemos ficar sentados em uma cadeira de balanço esperando”, disse o presidente antes de embarcar para a África do Sul, último país a receber a visita de Lula em sua viagem ao Continente Africano.

Na Zâmbia, o presidente Lula voltou a criticar o comportamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial que, segundo o presidente brasileiro, ficaram em “silêncio profundo” diante da crise mundial.

“Quando a crise era em um país como Zâmbia ou em um país como o Brasil, aqui apareciam o FMI e o Banco Mundial para nos ensinar o que fazer e para dar palpite nas nossas políticas. Agora que a crise é nos países ricos, o FMI está em um silêncio profundo e o Banco Mundial ficou mudo. Ou seja, eles não sabem como tratar a crise como pensavam que sabiam tratar a crise nos países pobres.”

Lula repetiu o alerta que fez em outros países visitados de que os países em desenvolvimento devem tentar resolverem sozinhos seus problemas e evitarem as soluções propostas dentro da esfera dos países ricos.

“Durante grande parte do século 20 nós tivemos a expectativa de que os países ricos resolveriam nossos problemas. A crise mostrou que nós é que temos de resolver nossos próprios problemas”, disse.

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