Pedro Archanjo e a Bienal do Recôncavo

Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

O sociólogo e fotógrafo Pedro Archanjo é um dos idealizadores deste vitorioso evento da arte da Bahia que é a Bienal do Recôncavo — que neste ano de 2010 chegará à sua nona edição

Este que vos escreve teve a honra e o privilégio de participar de Banca Examinadora da Dissertação de Mestrado “Bienal do Recôncavo: aspectos de uma intervenção contemporânea”, de Pedro Archanjo da Silva, bem orientada pela Profª Drª Rosa Gabriella de Castro Gonçalves e defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.

Foi num final de manhã chuvoso da sexta-feira, 16 de julho de 2010.
Além de mim, Profº Drº Juarez Duarte Bomfim, compôs a Banca o Profº Drº Juarez Marialva Tito Martins Paraíso — o artista plástico Juarez Paraíso, lenda viva da arte e da cultura baiana.

O sociólogo e fotógrafo Pedro Archanjo é um dos idealizadores deste vitorioso evento da arte da Bahia que é a Bienal do Recôncavo — que neste ano de 2010 chegará à sua nona edição. Assim, Pedro é ao mesmo tempo observador e observando do seu objeto de estudo; simultaneamente sujeito e objeto; analisador e analisado.

Todavia, mesmo estando nesta condição aparentemente incômoda, no lugar disso comprometer os resultados da pesquisa, esta singular situação fez foi enriquecê-los ainda mais.

Pedro Archanjo tem plena consciência da importância da Bienal do Recôncavo para a cultura baiana, pois, quando da primeira edição, aqueles eram anos difíceis para a produção artística e cultural da “triste Bahia”.
O governador da época havia criado a tão desejada Secretaria de Cultura, porém, paradoxalmente, fechou o Teatro Castro Alves e o Museu de Arte Moderna…
No plano federal, o famigerado presidente Collor de Melo cerrava as portas do Ministério da Cultura e todos os órgãos derivados, num momento de redemocratização, por um lado, e, por outro, de obscurantismo cultural.
Com financiamento de uma instituição privada, num modesto município de dezesseis mil habitantes, surge em 1991, em São Felix, a Bienal do Recôncavo, e o que Pedro Archanjo propõe na sua dissertação de mestrado é analisar a importância da Bienal do Recôncavo enquanto projeto de pluralidade artística, refletindo sobre aspectos da estética contemporânea, e compreender a “Bienal enquanto projeto cultural e artístico que mantém as características da diversidade” de poéticas visuais, técnicas e de estilos, o que é uma marca original deste exitoso evento.
Na sua dissertação, Pedro Archanjo também reflete sobre os sistemas de inscrição e seleção adotados pelas oito edições anteriores da Bienal, assim como o sistema de curadoria e, ao final do trabalho, recomenda e sugere aperfeiçoamento e mudanças de alguns destes processos.
A dissertação está dividida em três partes seguidas de uma conclusão. Na primeira parte, Pedro traça um panorama das artes plásticas na Bahia a partir da denominada “geração de 1950” e avalia a repercussão de importantes eventos para a arte da época, que foi a “Bienal Nacional de Artes Plásticas – Bienal da Bahia” nas suas duas edições, a segunda delas, de 1968, reprimida e sufocada pela ditadura fascistizante que se abateu sobre o Brasil.
Pedro nos traz um curioso dado biográfico sobre o fotógrafo franco-baiano Pierre Verger. Ele nos diz que Verger era filho de uma das famílias mais tradicionais da Europa, donos do famoso papel Verger, e “eram dois irmãos herdeiros desta herança do século XIX. Pois bem, o irmão dele foi encontrado morto no norte da África, intoxicado com uma dose grande de morfina, com isto foram entregues todos os bens da família a Verger que ficou sendo o único herdeiro. Ele então foi à fábrica e distribuiu os bens com os funcionários, depois tocou fogo na casa da família que era um castelão medieval e saiu pelo mundo com aquela calça caqui, uma camisa comprada na feira e a Roleflex” — em depoimento conseguido junto a um prestigioso artista baiano, amigo de Verger.
Nos capítulos a seguir, Pedro Archanjo faz um minucioso resgate da memória da Bienal do Recôncavo e, devido a qualidade do trabalho e do tema de pesquisa, a Banca Examinadora recomendou entusiasticamente a sua publicação.
Que venha logo tão fundamental livro, pois muito contribuirá para a arte e a cultura da Bahia.

Sobre Juarez Duarte Bomfim 741 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]