João Leão: ‘A Bahia é um estado-país’

João Leão e deputados do PP. Entrevista revela visão do parlamentar que foi secretário de infraestrutura da Bahia.
João Leão e deputados do PP. Entrevista revela visão do parlamentar que foi secretário de infraestrutura da Bahia.

Durante exato oito meses de agosto de 2009 a abril de 2010, o deputado federal João Leão foi gestor da pasta de infraestrutura do governo do estado, atendendo convite pessoal do governador Jaques Wagner, que julgava indispensável ter na secretaria um político com transito livre nos principais gabinetes do poder em Brasília capaz de influenciar nas decisões em favor do Estado da Bahia.

Como secretário, João Leão deu conta da missão, decidido a resolver crônicos problemas de energia, transportes, telefonia e comunicação, que atracavam o crescimento do estado e a interiorização dos eventos. Em apenas oito meses na secretaria, João Leão deixou um legado de grandes obras em todos os setores e percorreu mais da metade da malha da rodoviária da Bahia, verificando problemas e buscando soluções. Entre suas principais ações esta a conquista de 100 mil ligações para o programa Luz Para Todos, a restauração e modernização de mais de quatro mil km de rodovias, a realização de obras essenciais em 49 aeroportos no interior do estado e o empenho permanente para que sejam agilizados os processos que permitam a construção da ferrovia Oeste-Leste.

De volta ao Congresso e se preparando para disputar mais uma eleição – foi eleito quatro vezes consecutivas nos últimos 16 anos, Leão diz: “no Congresso continuarei a luta pela minha terra, para que o ciclo de crescimento proporcionado pelos pesados investimentos dos governo federal e estadual não seja interrompido”. Nesta entrevista exclusiva concedida ao repórter Sergio Toniello, o deputado João Leão fala sobre os projetos que estão em andamento ou já muito bem encaminhados em função do seu trabalho no comando da Secretária Estadual de Infraestrutura.

A TARDE: Quais são as principais ações do governo e como o senhor tem participado do processo de melhorar nossas rodovias e construir e outras novas?

João Leão: a Bahia é um estado-país, com uma malha total de aproximadamente 20 mil quilômetros, entre rodovias federais e estaduais. Não foi fácil restaurar estradas e abrir novas vias de acesso em curto espaço de tempo. Mas como sou um homem determinado e o governador tinha isso como uma de suas prioridades, fomos à luta. Conseguimos que a equipe do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – na Bahia trabalhasse em perfeita sintonia com a equipe do DERBA – Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia. A integração foi um sucesso. Durante os meses em que estive à frente da Seinfra investimos pesado no setor, com o apoio do secretário Walter Pinheiro, do Planejamento. Com isso, pudemos inaugurar 1800 km de estradas restauradas, deixamos máquinas na pista e mais 2.267 km e mais 396 km em fase de licitação ou já licitadas. Nesse período, viajei para mais de 300 municípios para anunciar ou vistoriar obras. E continuo trabalhando, viajando muito. Já fui maus de uma vez aos 417 municípios da Bahia, conheço bem a realidade de cada um.

“Já fui mais de uma vez aos 417 municípios da Bahia, conheço bem a realidade de cada um. E posso dizer que sem rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, mais principalmente sem boas rodovias, a economia não anda. E posso dizer que sem rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, mais principalmente sem boas rodovias, a economia não anda.”

AT: O senhor é ferrenho defensor da construção da Ferrovia Oeste-Leste e tem sido atuante para que o projeto saia do papel?

JL: É importante lembrar que, há pelo menos cinco anos, estou empenhado para que a ferrovia se torne realidade. A idéia original de construir a ferrovia Oeste-Leste é do deputado baiano Vasco Neto e remonta aos anos 50, ainda no governo do presidente Juscelino Kubitschek que fez a terraplanagem de diversos trechos da ferrovia. Um dia, quando eu e o governador Jaques Wagner, na época ministro das Relações Institucionais, conversamos com o presidente Lula, apresentei meu anteprojeto. O presidente chamou Dilma Rousseff, que acionou os ministros da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura. A partir daí, a ferrovia, que eu chamo de “Nova Bahia Oeste”, começou a sair do papel.

AT: Na sua opinião, a viabilidade econômica da ferrovia compensa os altos investimentos que serão realizados?

JL: O oeste do estado produz sete milhões de toneladas de produtos. Sendo mais de cinco milhões soja, um milhão e pouco de milho, 700 mil de algodão, alem mais de cem mil toneladas de frutas. E chegam para o oeste da Bahia os produtos que eles possam produzir, como calcário e óleo diesel. Atualmente tudo vai de caminhão, encarecendo os custos. Com a ferrovia os caminhões vão deixar de passar pela BR-242, reduzindo os fretes. Ou seja, ganharão todos: os produtores, os transportadores, a população e o estado da Bahia, que continuará com sua rota acentuada de crescimento verificada nos últimos anos. Nossos portos serão reequipados teremos o Complexo Intermodal Porto Sul, localizado na Ponta da Tulha, entre Ilhéus e Itacaré, que facilitará o escoamento de milhões de toneladas de commodities produzidas na Bahia. E o novo aeroporto internacional de ilhéus permitirá o deslocamento mais rápido de quem chega para fazer negócios e de quem viaja para fora.

AT: Por falar em aeroportos, a deficiência é muito grande. O que o governo tem feito?

JL: No Estado, para atender 417 municípios temos apenas 83 aeroportos e só dois deles permitindo vôos internacionais, o de Salvador e o de Porto Seguro. Para piorar a situação, 67 aeroportos estavam interditados pela ANAC – Agencia Nacional de Aviação Civil. De lá pra cá, muito foi feito. Desinterditamos 22 aeroportos, com obras pontuais exigidas pela ANAC, e outros 27, com obras de maior porte, diria mesmo que foram reconstruídos. Falta concluir reparos em 18 aeroportos e a meta do governador é fechar o ano como todos funcionando normalmente. Por isso, estamos nos empenhando pela construção do aeroporto internacional de Ilhéus. Será de classe internacional tanto para passageiros como para cargas, podendo receber aviões de porte trazendo turistas de todo mundo e atendendo a futura ZPE – Zona de Processamento de Exportação.

O aeroporto internacional de Salvador será ampliado e modernizado para atender o fluxo de visitantes que virão para a Copa do Mundo de 2014. Um novo aeroporto será construído em Vitoria da Conquista, a obra já incluída no PAC2, o aeroporto de Porto Seguro já sofre intervenções de ampliação e melhorias e em Bom Jesus da Lapa será construído um aeroporto-pólo para atender a região do São Francisco.

AT: Como anda o Programa Luz Para Todos que tem merecido atenção especial de sua parte?

JL: Mais do que todos os outros programas, o Luz Para Todos me encanta pelo cunho social que representa. Imagine o que era pra uma família que mora em rincões distante ou nas periferias das cidades ter energia elétrica iluminando sua casa e a possibilidade de comprar uma geladeira, assistir Tv, usar o ferro de passar roupa elétrico, entre outros confortos. Por isso, o governador Jaques Wagner está investindo tanto nesse programa e eu tenho me dedicado a ele tanto na Câmara Federal quanto na Secretaria de Infraestrutura. Já realizamos 350 mil ligações no atual governo e este ano faremos mais de 100 mil ligações em regiões onde a energia elétrica ainda é um sonho.

“Levar energia elétrica para tanta gente, ver a alegria estampada no rosto das pessoas a cada inauguração que participamos, tudo isso me dá a certeza de que essa foi maior vitória que conquistei em minha passagem pela Seinfra.”

Nas periferias das cidades, pelo menos 200 mil famílias carentes passarão a ter energia elétrica graças aos investimentos de mais de R$1,2 bilhão que estamos bancando ao longo do ano de 2010. Levar energia elétrica para tanta gente, ver a alegria estampada no rosto das pessoas a cada inauguração que participamos, tudo isso me dá a certeza de que essa foi maior vitória que conquistei em minha passagem pela Seinfra.

Redação do Jornal Grande Bahia
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