Governo da Bahia entrega Casa das Sete Mortes restaurada

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Cercada por muitas lendas, a Casa das Sete Mortes, localizada na rua do Passo, n° 24, no Centro Histórico, foi reinaugurada, nesta quinta-feira (01/07/2010), pelo Governo da Bahia. Para a restauração foram investidos R$ 3,1 milhões do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur 2), com a contrapartida do governo estadual e aporte do Banco do Nordeste (BNB).

A obra faz parte do Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador (CAS) e segue a proposição de número seis, que trata da qualificação dos espaços culturais e monumentos. De acordo com o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado (Ipac), Frederico Mendonça, a Casa estava em estado de arruinamento total. Devido à situação, os restauradores e engenheiros precisaram reconstruir todos os itens estruturais e artísticos da antiga edificação.

O conjunto de azulejos, que reúne exemplares dos séculos 17, 18, 19 e 20, também passou por restauro. A ação teve três fases, como explica o arquiteto Adolfo Roriz, responsável pelo gerenciamento da obra. Outro processo foi a reintegração cromática a quente – todas as lacunas dos azulejos são reintegradas com tinta para cerâmica e levadas ao forno.

Até então, todo o processo de reintegração era feito a frio como pintura normal, mas, neste caso, foi utilizada tinta para cerâmica na recomposição das falhas, efetuando queima a 900 graus juntamente com a pintura original, criando fato inovador, um corpo uno da peça, muito mais resistente e duradouro. Dessa forma, a parte restaurada se integra com a pintura original.

Segundo o secretário da Cultura, Márcio Meirelles, esse é o terceiro grande monumento restaurado e entregue pelo governo no Centro Histórico da capital baiana. O último foi o Palácio Rio Branco – primeira casa governamental do Brasil -, reinaugurado com a presença do presidente Lula, no dia 10 de junho.

No total, seis monumentos serão recuperados no Centro Histórico, ao custo total de R$ 20 milhões. Ainda estão em obras, a igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída a partir de 1704 por uma das primeiras irmandades de escravos do Brasil, a igreja e cemitério do Pilar, de meados do século 18, e o Oratório da Cruz do Pascoal, de 1743, que será reformado no segundo semestre deste ano.

História

A Casa das Sete Mortes foi decretada Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1943. Dentre as várias lendas que existem sobre o seu nome, o real está documentado no Arquivo Público da Bahia e registra que, em 1756, foram ali assassinados a facadas o Padre Manuel de Almeida, dois escravos negros e um homem pardo liberto. A apuração durou anos, variando os acusados, sem punir ninguém. A casa tem na fachada principal sete entradas, três portas, na parte inferior, e quatro janelas, na superior.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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