Emoções fazem tremer | Por R. C. Amorim Neto

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R. C. Amorim Neto conversando com Jovanotti.
R. C. Amorim Neto conversando com Jovanotti.
R. C. Amorim Neto conversando com Jovanotti.
R. C. Amorim Neto conversando com Jovanotti.

Você já notou quão poderosas são nossas emoções e como em algumas situações é tão difícil ter controle sobre elas? Em geral, considero-me uma pessoa com um bom nível de autocontrole. Noto que sou até mesmo capaz de algumas vezes sacrificar minhas vontades para atender às necessidades legítimas de outros sem fazer muito esforço. E por isto nunca imaginei que pudesse ter inclusive meu corpo completamente dominado por uma emoção.

Todavia, o que experimentei no domingo, dia 25 de Julho de 2010, me fez notar o quanto nossas emoções podem nos mover. Antes de narrar o fato de domingo, lhe darei algumas informações sobre o contexto para que você possa perceber o que de fato aconteceu.

A primeira vez que ouvi uma música do cantor italiano, Lorenzo Jovanotti, foi em 2003. Desde lá o interesse por suas músicas cresceu naturalmente à medida que passei a acompanhar discretamente sua carreira. Contudo, sempre gostei de estilos musicais variados e nunca fui de me apegar a artistas, cantores ou qualquer tipo de celebridade.

Em julho de 2009, estava em Nova York fazendo um curso de verão, e certo dia, por já estar cansado do ritmo intenso de estudos, resolvi folhear o jornal. A primeira linha que meus olhos alcançaram foi aquela que anunciava o show de Jovanotti em um pequeno bar. Foi difícil acreditar na coincidência.

Felizmente cheguei cedo, pois naquela noite o bar atingiu o limite. Não havia como mover-se lá dentro! Consegui um lugar apertadinho bem junto do palco e acreditei que conseguiria tirar uma foto com Jovanotti para ter de lembrança. Quando o show acabou, me aproximei dele para tirar uma foto, e no exato momento um grupo de italianos o puxou para outro lado e mais pessoas se colocaram entre ele e eu. Logo em seguida um grupo de seguranças surgiu e retirou o cantor do meio dos fãs.

Um ano depois, fiquei sabendo que Jovanotti se apresentaria em um parque em San Francisco, onde atualmente resido. Claro, anotei na agenda e fui, mas sem expectativa alguma de sequer chegar perto do palco, afinal eram esperadas dez mil pessoas para aquele evento em que ele era apenas uma das muitas atrações.

Para conseguir pelo menos um lugar para sentar de onde eu pudesse ter uma visão razoável do palco, saí de casa cedo numa manhã nublada típica de San Francisco. Quando cheguei no parque Stern Grove, tive a primeira surpresa. Jovanotti estava no palco fazendo os últimos ajustes para sua apresentação. No meu rosto sonolento surgiu um sorriso. O ensaio foi rápido e ao final, ele foi para um dos cantos do palco mais próximo da plateia e imediatamente um grupo se formou.

“Nem vou tentar, pois além de tudo, ainda vou perder o meu lugar.” Foi o que pensei. Entretanto, minutos depois lá estava eu passando pela pequena multidão como se fosse a coisa mais natural a ser feita. Aproximei-me dele, pedi para tirar uma foto com ele, e logo falei que sou brasileiro e isto serviu como senha para um diálogo rápido, no qual pude até mesmo falar do livro que publicarei em breve e no qual pretendo citar um trecho de uma música. Ele me apresentou ao agente dele, com quem estendi a conversa. Depois disto, lá vieram os seguranças e o levaram.

Voltei para meu lugar. Levei alguns minutos para notar como uma onda de euforia havia tomado conta de mim, e isto foi tão forte que minhas mãos tremeram por um longo tempo. Eu nunca havia sentido tanta energia no meu corpo. Finalmente, Jovanotti se apresentou e colocou dez mil pessoas para dançar.

Ao chegar em casa já no início da noite, minha cabeça ainda estava a mil. Minhas mãos já não tremiam, mas a euforia ainda era gigante. Eu, que havia tomado apenas um copo de leite antes de sair e comido um sanduíche ao meio-dia, sequer sentia fome. Consegui me acalmar e dormir apenas às duas da manhã. No dia seguinte, parecia que um caminhão havia passado por cima de mim. Meu corpo estava todo dolorido e minha mente cansada.

Estou até agora tentando entender em que momento decidi deixar meu lugar e ir ao encontro dele, e também de onde veio a coragem para me aproximar dele, passando à frente de um bom número de fãs emocionados. Isto não foi planejado ou sequer pensado. Foi instintivo! Naqueles instantes, fui guiado completamente pela emoção. Era como se minha racionalidade tivesse sido desligada… Emoções fazem tremer! Elas também fazem agir, para o bem ou para o mal…

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