Celso Amorim: críticos veem Brasil com olhos pequenos

Celso Amorim.
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O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que os críticos da política externa brasileira veem o Brasil com “olhos pequenos” e “não conseguem compreender” que o país passou a ter “grandeza” no cenário internacional e, em consequência, está sendo chamado a desempenhar um papel ativo nas questões mundiais.

O chanceler disse que, cada vez que vai ao Oriente Médio, sente que há “um interesse na participação do Brasil, sinto isso da parte dos palestinos, dos israelenses e dos iranianos, e de outros – egípcios, sírios….”

“Vale a pena o esforço, porque aqui (no Oriente Médio) estão concentrados os problemas principais da paz mundial, e o Brasil é um grande país e todos nós temos que pagar um preço pela manutenção da paz. “

“A paz é como a liberdade, é como ar, você só sente como ela é importante quando ela não existe”, disse Amorim.

E completou: “Os países que querem ter uma participação têm que pagar algo por isso e é melhor que seja em diplomacia do que em outras formas”.

Irã

O ministro afirmou que o Brasil vai respeitar as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã, embora tenha se oposto a elas, “pois respeita a lei internacional”.

No entanto, segundo Amorim, o Brasil não tem obrigação de se alinhar a favor das sanções unilaterais decretadas pelos países europeus ou pelos Estados Unidos.

“Continuamos achando que o melhor caminho para resolver a questão do projeto nuclear iraniano é por meio do diálogo e não do isolamento”.

O ministro afirmou que se houver uma guerra com o Irã as consequências poderão ser “absolutamente trágicas”.

“Mas prefiro apostar na paz e temos que continuar trabalhando para evitar que isso aconteça”, disse

Eleições

A maior resistência em relação à participação do Brasil e de outros países em desenvolvimento é na parte de paz e segurança, pois os cinco membros do Conselho de Segurança são também potências nucleares que querem barganhar entre elas as condições da paz no mundo. Mas isso vai mudar, porque o mundo não pode continuar tendo, no seu processo decisório, os mesmos paises de 1945.

Celso Amorim

Diante da aproximação das eleições no Brasil, Amorim afirmou que considera que mesmo na ausência do presidente Lula, o papel do Brasil no cenário internacional continuará crescendo.

“Pelé só teve um, mas o Brasil continuou a ser campeão mundial”, comparou Amorim.

De acordo com a avaliação do ministro, daqui a dez anos ninguém terá duvidas sobre o papel importante e central do Brasil nas relações internacionais, inclusive nas questões da paz e segurança mundiais.

“O Brasil já tem um papel importante nas questões financeiras, nas relações comerciais e na questão do clima. A maior resistência em relação à participação do Brasil e de outros países em desenvolvimento é na parte de paz e segurança, pois os cinco membros do Conselho de Segurança são também potências nucleares que querem barganhar entre elas as condições da paz no mundo”.

“Mas isso vai mudar, porque o mundo não pode continuar tendo, no seu processo decisório, os mesmos paises de 1945.”

“Esses oito anos em que servi no Ministério foram muito privilegiados pois foram um momento de transformação do mundo e do Brasil”, resumiu.

Sobre seus planos futuros, Amorim disse que no momento tem dois convites, “um é real, que é do reitor da Universidade do Rio de Janeiro, para ajudar na universidade, e o outro… eu gostaria de crer que tenho um convite… que é dos meus netos, para passar mais tempo com eles”.

*Com informações da BBC Brasil

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