Câmara Setorial do Café discute acesso a outros mercados

Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
Jornal Grande Bahia compromisso em informar.

Como armazenar o café? Para onde exportar? Por quais estradas? Quais tecnologias implementar na lavoura? Estas e outras questões foram debatidas pela Câmara Setorial do Café, durante reunião, nesta quarta-feira (21/07/2010), na Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac), em Vitória da Conquista (BA), a cerca de 500 quilômetros de Salvador. O encontro teve a participação do secretário da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, que ressaltou a importância de se fazer um planejamento estratégico para a cafeicultura baiana, “atendendo às diferentes realidades de produção do café em cada região”.

Conforme Salles, a cadeia produtiva do café é uma das mais importantes do Estado e o governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura (Seagri), tem como propósito apoiar as ações de desenvolvimento da atividade, introduzindo um melhor aproveitamento das áreas agrícolas e o uso de tecnologias, além de incentivar a verticalização da cadeia e as exportações. “Queremos não somente os produtores mais organizados e fortalecidos. Queremos mais indústrias na Bahia, que o grão seja processado aqui mesmo e se volte ainda mais ao mercado externo. E agora temos a agroindústria mais perto”, disse, referindo-se à coordenação de Agroindústria, que se originou na Seagri e, por duas décadas permaneceu na Secretaria da Indústria e Comércio (Sicm), sendo reintegrada à Seagri na semana passada.

Ainda de acordo com Salles, embora ainda tenha muitos desafios, os cafeicultores baianos já podem comemorar ainclusão de 43 dos 44 municípios baianos que estavam fora do zoneamento do café. “Municípios como Brejões estavam fora do zoneamento. Isso não se justificava mais”, frisou o secretário.

Na opinião do presidente da Coopmac, Claudionor Dutra Neto, a inclusão dos municípios no zoneamento vai facilitar a vida de milhares de cafeicultores, que vão poder solicitar crédito rural. Além disso, tornar ainda mais conhecido o café da Bahia, “que possui ótima qualidade e está entre os melhores do país”.

Para o presidente da cooperativa, entidade que engloba 250 produtores, o café baiano está no caminho certo para entrar em outros mercados. O próximo passo é que o grão seja exportado para a China. E as negociações tendem a acontecer em pouco tempo, já que o Estado conta agora com um escritório de agronegócio em Pequim, em uma iniciativa inédita em todo o país. “Estamos avaliando questões como volume, capacidade de distribuição e logística”, conta Dutra Neto.

Planejamento – O café desponta como uma cultura de forte desenvolvimento, porém é carente de um planejamento e suporte tecnológico mais adequado aos seus diferentes biomas, principalmente na região litorânea da Bahia, pela quase ausência de pesquisas e tradição institucionais voltadas para o pleno desenvolvimento de sua potencialidade em todos ecossistemas e segmentos da cadeia produtiva.

As câmaras setoriais têm justamente o objetivo de identificar as oportunidades de desenvolvimento das cadeias produtivas, a partir da definição de ações prioritárias voltadas aos segmentos familiar e empresarial e seu relacionamento com o mercado interno e a exportação, respectivamente. Focalizam questões como logística e infra-estrutura (energia, estradas, ferrovias, portos, aeroportos), assistência técnica, defesa agropecuária, industrialização, etc.

A iniciativa neste formato é inédita no Brasil e conta com todos os elos da cadeia produtiva, tendo desta forma a cumplicidade do setor. Não é um plano desenvolvido pelo Estado, mas com o apoio estatal, tendo a Secretaria da Agricultura (Seagri) o papel de articuladora.

Neste mês de julho, o secretário tem participado de reuniões das câmaras setoriais em diversos municípios. O resultado desses debates, a primeira versão do Planejamento Estratégico para a Agropecuária da Bahia para os Próximos 20 anos, será apresentado na Conferência Estadual das Câmaras Setoriais, que acontece em 9 de agosto deste ano.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Carlos Augusto 9610 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).