A caça a talentos dos países do sul | Por José Carlos García Fajardo

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Os países mais industrializados do mundo necessitam importar analistas de sistema, matemáticos, físicos, biólogos e engenheiros. Na Alemanha modificaram a legislação para conceder vistos de residência a 20 mil estrangeiros especialistas em informática.

Os grandes centros da revolução informática norte-americana – Seattle, Silicon Valley, Nova York e Washington – abriram suas portas a talentosos estrangeiros que suprem o déficit de universitários nacionais bem-preparados. Muitos desses universitários de origem asiática e africana tinham estudado nos EUA e tiveram facilitada a obtenção dos papéis para que fixassem sua residência.

No entanto, muitos outros estão sendo recrutados em suas universidades de origem, propiciando uma verdadeira fuga de talentos provenientes de países que precisam deles desesperadamente para sua incorporação à nova sociedade da globalização e da comunicação. Baseam-se em bolsas oferecidas por grandes empresas como Microsoft, AOL, AT&T, Bell, Oracle ou Yahoo, cuja alta tecnologia exige uma incessante renovação em seus quadros técnicos e que hoje contam com milhares de chineses, paquistaneses, indianos, filipinos, coreanos, indonésios ou malásios. Para esses jovens de grande preparação não existe discriminação racial.

São concedidos vistos de cinco anos para conseguirem o máximo da capacidade de inovação que costuma ser produzida entre os vinte e trinta anos. Aqueles que se integram ao sistema se facilita a residência permanente para que desenvolvam essas idéias inovadoras próprias da juventude da gente dos povos emergentes.

Na França, Grã Bretanha, Holanda e Bélgica são captados universitários estrangeiros para suprir o decline demográfico e a qualidade intelectual de seus estudantes de sociedades minadas pelo consumismo.

A revolução tecnológica produz um novo mundo no qual não basta só o conhecimento, mas também uma nova atitude intelectual que promova a inovação, que impulse a criatividade e desenvolva a iniciativa pessoal.

A administração dos EUA propôs um aumento de 200 mil vistos para estrangeiros qualificados. Os chamados “H-1B” para estrangeiros que terminaram carreiras relacionadas com ciências e tecnologia.
É escandaloso que os Estados do Norte finjam ajudar o “desenvolvimento” dos países emergentes, mediante o envio de seus excedentes, que sobrecargam a insuportável “dívida externa”, enquanto vão à caça de jovens-talentos que são imprescindíveis para o desenvolvimento endógeno de seus próprios países.

Junto à venda de armas e à imposição dos preços das matérias-primas, à caça dos jovens mais preparados, dizem estar obedecendo às sacrossantas leis do mercado. Teremos que apostar pela apostasia perante uma religião que contrapõe a economia aos direitos humanos.

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