Vermelhos verdes mares | Por Ivan Postigo

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Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
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Ainda que ao abrigo dos recifes, os peixes maiores sempre comem os menores.

Qualquer espécie debilitada corre sério risco de se tornar a presa.

Embora não seja regra geral, a taxa de sucesso nas tentativas de alimentação é de dez para uma. O fracasso costuma cobrar um alto preço!

A brutalidade do ataque do tubarão não ter a ver com maldade, mas com a necessidade.

Nos mares, bem como no mercado, há os momentos de abundância e escassez.

Os lançamentos de novos produtos e coleções, que atraem revendedores e consumidores, são como a migração das sardinhas que reúne em locais favoráveis à caça toda espécie de predador.

É um dos maiores acontecimentos marinhos, conhecido como “a corrida das sardinhas.

Essa misteriosa migração ocorre entre maio e julho ao longo da costa leste da África do Sul.
Não há estatísticas precisas sobre quantas sardinhas participam da “corrida”, mas cardumes gigantescos de 15 km de extensão e 4 km de largura costumam ocupar mais de 1000 km da região costeira.

À caça delas, seguem milhares de predadores de vários tipos. Estima-se por volta de 20 mil golfinhos, milhares de tubarões, leões marinhos e dezenas de milhares de aves.

Quanto maior for o sucesso dos caçadores, maiores suas chances de prolongamento da vida e geração de descendentes.

Como nem todos os empresários e gestores são adeptos ao mergulho deveriam participar de workshops sobre falência.

É importante saber apreciar as ondas, mas também reconhecer os cuidados básicos.

Para sentir um grande incomodo não é necessário ser mordido por um tubarão ou ser picado por uma arraia, basta ter contato com uma água-viva.

Muitos afogamentos ocorrem porque as pessoas avançam além de uma área segura, onde a profundidade não permite que permaneçam em pé ou as ondas dificultam o nado.

O mesmo acontece quando o gestor incauto vai esgotando todo crédito que lhe é fornecido e vai se endividando.

No momento não se dá conta, mas um dia terá que pagar a dívida contraída. O excesso de crédito impede que os envolvidos enxerguem a verdadeira dimensão do problema.

Como diz a conhecida frase: “Na superfície nada se observa, mas nas profundezas o inferno está em chamas”.

Tenho visto que o desespero só bate as portas quando a falência, que poderia ter sido evitada, se torna fato concreto.

Para os credores toda transação só se encerra com a liquidação do compromisso, afinal doações se pratica de outra forma.

Uma pessoa sem experiência em navegação entraria em um barco e atravessaria mares sem cartas náuticas, instrumentos e apoio de um marinheiro capaz?

Evidentemente que não, então porque o fazem com suas empresas?

Muitos porque não enfrentaram turbulências e outros por crerem que já sabem o suficiente. O problema é que alguns erros não dão à empresa uma segunda chance.

Não vemos um volume maior de falências porque o período de agonia costuma ser longo.

Encontramos organizações tão endividadas que desafiam todas as regras de gestão.

Gestores experientes e navegadores experimentados são arrojados e precavidos, pois sabem quão vermelhos podem ser os verdes mares.

 

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