Médico baiano apresenta pesquisa que comprova que a fertilidade do homem não diminui com a idade

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Se não existe dúvida que a fertilidade feminina declina progressivamente com a idade, principalmente a partir dos 40 anos, a relação entre idade e fertilidade masculina ainda é motivo de controvérsias no meio científico. Pesquisa desenvolvida ao longo de 15 anos pelo especialista em Reprodução Humana, Joaquim Lopes, ex-presidente e atual consultor de infertilidade conjugal da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), comprova que o sêmen masculino continua capaz de produzir filhos mesmo em idades mais avançadas. O resultado da pesquisa inédita na Bahia vai ser apresentado pelo médico no Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE 2010), de 27 a 30 de junho de 2010, em Roma.

A pesquisa foi realizada entre 1993 e 2008, envolvendo 190 mulheres receptoras (esposas que receberam óvulos implantados) e 239 ciclos de fertilização in vitro. O estudo considerou 190 homens, os maridos dessas receptoras, divididos em dois grupos, um com menos de 40 anos de idade e outro acima dos 40. “Homens mais velhos geralmente são casados também com mulheres mais maduras, que já apresentam queda acentuada da fertilidade, além disso eles têm uma freqüência sexual menor”, explica o especialista.

Para realizar o estudo da fertilidade masculina foi utilizada a técnica da Fertilização in Vitro (FIV). “A partir do momento que utilizamos a FIV, que é um procedimento pontual e não depende da continuidade das relações, e que o sêmen masculino foi fertilizado no óvulo de mulheres doadoras mais jovens – com idade média em torno de 29 anos – o índice de sucesso foi igual nos dois grupos”, revela o médico e pesquisador. Após a inseminação, a implantação dos embriões foi feita no útero das esposas, que puderam gerar seus filhos.

Na mulher, a idade é um fator fundamental na infertilidade. A partir dos 35 anos, o ovário diminui a capacidade de ovular ou de produzir óvulos saudáveis – capazes de serem fertilizados e formar embriões. Cerca de 1/3 dos casais onde a mulher tem mais de 35 anos experimenta problemas de fertilidade. Ao chegar à menopausa, a mulher não mais produzirá óvulos, perdendo assim sua capacidade de engravidar.

Mesmo mantendo sua capacidade de ter filhos em idades mais avançadas, o homem é responsável por 1/3 dos casos de infertilidade conjugal. A idéia de que a infertilidade seja sempre atribuída à mulher é um mito. Atualmente, sabe-se que as mulheres são responsáveis por 40% dos casos de infertilidade, os homens têm responsabilidade em 40% também e os 20% restantes são resultantes de causas desconhecidas ou de uma combinação de fatores do homem e da mulher.

A fertilidade do homem geralmente é avaliada através do sêmen para verificar a quantidade, forma e mobilidade dos espermatozóides. Além de lesões, problemas congênitos ou doenças, como a varicocele, o estilo de vida pode influenciar na quantidade e qualidade do esperma. Uso de cigarro, álcool e drogas também influenciam na qualidade do sêmen. Exposição a toxinas, como solventes e pesticidas, também pode afetar e comprometer a fertilidade masculina.

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