Homenagem a Tufi Rachid Amim

Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Palavras proferidas por Juarez Duarte Bomfim e lidas por sua querida esposa Cecília Camarero Maringoni na Santa Missa (daimista) de 30º dia do seu falecimento. Rio Branco-Acre, 03 de junho de 2010. 

Tufi Rachid Amim nasceu em Rio Branco-Acre, em 10 de maio de 1952, originário de família sírio-libanesa que migrou para o Norte do Brasil, atraída pela pujança econômica da borracha amazônica. Quando criança estudou na Escola O Cruzeiro, fundada pelo Mestre Raimundo Irineu Serra, no Alto Santo, e teve como professora dona Percília Matos da Silva. Timidamente o menino Tufi observava o Padrinho Irineu Serra nas visitas periódicas que este fazia a escola. Ainda garoto, Tufi começou a trabalhar para ajudar a família. Foi baleiro, catraieiro, vaqueiro, “marreteiro” (compra e venda de gado), ajudante de caminhão, caminhoneiro, taxista, trabalhador rural e policial militar. Atualmente é sargento aposentado do Corpo de Bombeiros e pequeno proprietário rural.

O sargento Tufi é filho do comerciante Rachid Amim Abrahim. Da amizade do “turco” Rachid com o maranhense Irineu Serra surge o convite para que Benjamim Rachid Amim, filho do velho Abrahim e irmão de Tufi, fosse padrinho de casamento de Raimundo Irineu Serra com a dona Raimunda Feitosa, isso no já distante ano de 1937.

Tufi foi casado com a Sra. Herotildes Sales Amim, pai de cinco filhos – Rachid, Liliam, Leila, Suzy e Lisandra – e avô do menino Douglas.

Tufi conheceu o Daime no ano de 1979, numa visita ao Centro Espírita e Culto de Oração “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, a Barquinha, presidida pelo Velho Pastor Manuel Araújo, da qual foi freqüentador.

No ano de 1985 se filia a linha do Mestre Irineu, a Doutrina do Santo Daime, no Centro Livre presidido por Luiz Mendes do Nascimento, Centro ao qual pediu fardamento.

Nesta casa – então denominada CICLU, atual Centro Rainha da Floresta – Tufi exerceu as funções de subcomandante, comandante e gestor da Diretoria. Nesse período contribuiu decisivamente na organização da inesquecível comemoração do Centenário do Mestre Irineu (1992) e os “causos” de tão memorável festa ainda estão vivos na lembrança dos participantes, como se tivesse ocorrido ontem…

Em 1994, junto ao padrinho Luiz Mendes, o Sr. Ladislau Nogueira, amigos e familiares, Tufi contribuiu decisivamente para a fundação do CICLURIS, também situado na Vila Irineu Serra, tendo o Ladi como Presidente, Tufi como Vice e Luiz Mendes como Conselheiro.

Em 1998 o CICLURIS é rebatizado de CICLUJUR – Centro de Iluminação Cristã Luz Universal Juramidam – com a mesma composição da diretoria: Ladislau Nogueira, presidente; Tufi Amim, Vice-Presidente, enquanto que o Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento adentrava a floresta para firmar a sua Fortaleza.

Foi na condição de dirigente daimista que Tufi Amim participou, como representante (suplente), do Grupo Multidisciplinar de Trabalho do Conselho Nacional de Drogas (GMT do CONAD), instituído como resultado do Seminário sobre a Ayahuasca, organizado pelo Governo federal em março de 2006, na cidade de Rio Branco, tendo o objetivo de criar normas e regulamentar o uso religioso da ayahuasca.

Em 2008 Tufi assume com muito entusiasmo o desafio de fundar um novo centro, o CICLUMIDAM, também na Vila Irineu Serra.

O seu hinário “Eu sou feliz” começou a ser recebido do Astral Superior por Tufi Amim no ano de 1987.

Tufi era um ser curador. Ele foi médium passista do Centro Espírita e Culto de Oração “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, presidida pelo Velho Pastor Manuel Araújo. Mesmo com a saúde combalida nos últimos nove anos de vida aqui em matéria, de seu corpo emanava uma energia curadora da qual todos nós nos beneficiávamos. Seu hinário tem diversos hinos de cura, entre os quais, destaca-se “O Doutor”.

Eu sou, eu sou, eu sou o teu doutor,

Trazendo o remédio pra curar a tua dor.

A tua dor foi você quem criou,

Eu trago o remédio pra curar a tua dor.

Eu venho de branco, trazendo o amor,

Te entrego o remédio e levo a tua dor.

Eu venho, eu venho, eu venho de verdão,

Trazendo a alegria e deixando em tuas mãos.

Nesta doutrina você vai encontrar:

Paz, amor e alegria.E tudo que te faltar.

Estando nesta linha nada vai te atrapalhar.

No seu hinário é cantada a “linha de Arroxim”, já nos apresentada pelo irmão Raimundo Gomes. Tufi conclama os caboclos e os caboclinhos para louvar o Padrinho Irineu e a Senhora Rainha a Floresta.

A Rainha da floresta,

Foi Ela quem ordenou.

Eu falar com o caboclinho,

Pra mostrar o meu amor.

O meu amor eu vi,

Lá no meio da floresta.

Fiquei muito satisfeito,

Quando vi o meu amor.

Completado o meu prazer,

Dei o meu agradecer.

Saí pela porta aberta,

Que minha Mãe reservou.

No hino de número 36 (Lembrança do Centenário), o Eu Superior que habita o homem simples do povo, Tufi Rachid Amim, se apresenta, afirmando fazer parte de uma família espiritual, a nobre família do Chefe Império Rei Juramidã – família da qual Raimundo Irineu Serra Juramidã é o digníssimo patriarca.

Jura é Papai,

Midam são seus herdeiros.

Eu sou Adão Midam,

Eu também sou herdeiro.

Vamos por aqui

Eu vou te mostrando.

Pise firme e siga em frente

Com amor ao onipotente.

Eu vou te entregando,

Não vá se admirar

É pra você zelar,

E depois me entregar.

Neste jardim de ouro,

Está o meu amor.

Está meu coração,

Cristalizado com amor

Preste atenção,

Eu vou te orientando.

Precisa me ouvir,

Toda hora e todo instante.

Pronto Papai,

Eu prometo zelar.

Este jardim de ouro,

Aonde está o seu amor

Está seu coração

Cristalizado com amor.

Na espaçosa varanda da sua casa, saboreando delicioso suco de cupuaçu, Tufi nos contou a história do recebimento do seu último hino.

O hino 40 – Caminho de Amor, foi recebido por Tufi no dia 27 de outubro de 2004, e é um hino de despedida:

Tufi Amim, sofrendo de doença renal crônica, passava pelo período mais crítico da sua vida, com a saúde abalada e quase que “desenganado” pelos médicos. É transferido as pressas para hospital em São Paulo a espera de transplante de rim.

Ao receber este hino, o velho sargento do Exército de Juramidã imaginou que sua hora de deixar o mundo Terra tinha chegado, e ainda teve forças de instruir a sua esposa Herotildes a apresentar esta singela canção durante o seu velório.

O que Tufi não sabia é que o chamamento a se apresentar no mundo espiritual, naquele exato momento, não era para si… o chamado a viajar “pra junto de Mamãe” foi para a sua antiga professora e amiga: dona Percília Matos da Silva, a Percilinha, Percília de Pedro.

Percília Taio Ciris Midam Matos da Silva foi chamada pelo Velho Juramidã a viver no meio das flores, junto da Virgem Maria, Nossa Senhora da Glória neste exato dia: 27 de outubro de 2004. E para a felicidade de seus familiares e amigos, Tufi Adão Midam Rachid Amim aqui continuou entre nós.

O amor incondicional da sua generosa esposa, a madrinha Heró, foi fundamental para a recuperação de seu querido cônjuge, pois foi ela a doadora do rim que restituiu a vida e saúde a seu amado marido.

Até que, há exatos um mês, às 3 da tarde do dia 3 de maio deste ano de 2010, Tufi Rachid Amim partiu para a vida espiritual. Foi para “juntinho de Mamãe”, atendendo o chamado do “Velho Juramidam”.

Tufi está feliz, pois voltou à sua pátria espiritual, retornou ao seu país, como afirma no seu primeiro hino.

Cumpriu a sua missão aqui na Terra de bom pai, bom marido, bom amigo e irmão.

Amigo Tufi, hoje nós rezamos e rogamos por ti. Rezai e rogai por nós também.

Vou-me embora vou-me embora

Vou pra junto de Mamãe

Vou atender o chamado

Do Velho Juramidã

Meu Velho Juramidã

Me ensina com amor

Eu agradeço a meu Mestre

Pelo Vosso santo amor

A Rainha da Floresta

Ao Nosso Mestre ordenou

Para ele nos ensinar

O caminho do amor

Jesus Cristo Redentor

Pelo Vosso santo amor

Eu entrego o meu espírito

Com carinho e com amor

Minha Mãe, minha Rainha

Criadora e protetora

Guardai minha matéria

Nesta grandiosa Terra.

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

Sobre Juarez Duarte Bomfim 741 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]