Governador Jaques Wagner entrega Casa das Sete Mortes restaurada

Convite para inauguração da Casa das Sete Mortes.
Convite para inauguração da Casa das Sete Mortes.

Evento de entrega do imóvel construído no século 17 será amanhã, quinta-feira, dia 1° de julho de 2010, às 18h30, com a presença do governador Jaques Wagner. Azulejos datados dos séculos 17, 18 e 19, restaurados pelo IPAC/SecultBA, teve procedimentos como desinfecção de microorganismos, reintegração de lacunas e confecção de novas peças tornando-se referência no Museu de Azulejaria de Portugal, um dos mais importantes do mundo.

Seguindo a proposição de número 6 do Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador (CAS) que trata da “qualificação dos espaços culturais e monumentos”, o Governo do Estado entrega mais um monumento restaurado no Centro Histórico de Salvador.

A restauração da Casa das Sete Mortes contou com recursos do Prodetur 2 (Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste) do Ministério do Turismo, através de financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com a contrapartida do Governo da Bahia e aporte do BNB (Banco do Nordeste) no valor de um terço do total aplicado. Para a recuperação da Casa foram investidos cerca de R$ 3,1 milhões.

Localizada na Rua do Passo, a Casa das Sete Mortes é originária do século 17, decretada Patrimônio Nacional pelo IPHAN. A edificação é considerada original por sua construção aliar influências construtivas e estilísticas da península ibérica, mouras e até requintes ingleses, sendo restaurada pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural), órgão da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), por período de dois anos, já que o imóvel estava em estado de arruinamento total.

Para o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles, essa restauração é mais um exemplo do compromisso do Governo com a área. “Recuperar imóvel dessa importância traz orgulho para os moradores do Passo, mesma rua onde o governo estadual já recuperou o Largo Jubiabá, através da Conder/Sedur, ações fundamentais para a dinamização do turismo na região”, declara Meirelles. O Casa das Sete Mortes pertence a Casa Pia dos Órfãos de São Joaquim que pretende implantar uma escola de turismo para adolescentes, projeto da própria instituição.

De acordo com o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, esse é o terceiro grande monumento restaurado e entregue pelo governador Jaques Wagner no Centro Histórico da capital baiana. “O último foi o Palácio Rio Branco – primeira casa governamental do Brasil – reinaugurado com o presidente Lula no dia 10 deste mês (junho, 2010)”, diz Mendonça. Antes, em fevereiro deste ano (2010), o governador entregou a Igreja do Boqueirão no bairro de Santo Antônio, também na área tombada do Centro Histórico.

“Ao todo, seis monumentos estão sendo recuperados no CHS ao custo total de R$ 20 milhões”, diz Mendonça. No caso da igreja e cemitério do Pilar serão aplicados recursos também do PAC das Cidades Históricas coordenado pelo IPHAN/MinC. Todas essas obras estão sob coordenação do IPAC e repasses de financiamento através da secretaria estadual do Turismo (Setur). Ainda estão em obras pelo IPAC/SecultBA e repasse da Setur a igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída a partir de 1704 por uma das primeiras irmandades de escravos do Brasil, a igreja e cemitério do Pilar de meados do século 18 e o Oratório da Cruz do Pascoal, de 1743, que será reformado neste segundo semestre (2010). Segundo o diretor do IPAC todas essas obras estarão prontas até o final deste ano (2010).

 Referência de Azulejaria

A Casa das Sete Mortes também é destaque pelo conjunto de azulejos que reúnem, simultaneamente, exemplares dos séculos 17, 18, 19 e 20. O imóvel encontrava-se em estado de arruinamento total, fazendo com que a equipe do IPAC fosse forçada a reconstruir todos os itens estruturais e artísticos da antiga edificação.

O processo de restauração dos azulejos foi realizado em três fases. A fachada da casa com azulejos do século 19 sofreu processo de dessalinização, onde se retiram os sais marinhos que atacam as peças, depois desinfecção de microorganismos quando as peças passam no forno a temperatura de 400ºC que matam os fungos e cianobactérias. Outro processo, mais importante e que se tornou destaque internacional por mostrar nova forma de restauro da azulejaria, foi a reintegração cromática à quente, ou seja, todas as lacunas dos azulejos são reintegradas com tinta para cerâmica e levadas ao forno.

Até então todo o processo de reintegração era feito a frio, como pintura normal, mas, neste caso foi utilizada tinta para cerâmica na recomposição das falhas, efetuando queima a 900º juntamente com a pintura original, criando assim, fato inovador, um corpo uno da peça, muito mais resistente e duradouro. Dessa forma, a parte restaurada se integra com a pintura original. “A técnica é a mesma da cerâmica tradicional, mas é a primeira vez que é utilizada em reintegração de lacunas. A equipe técnica da empresa licitada pelo IPAC, Sertenge, discutiu muito com a fiscalizações do IPHAN e IPAC antes de chegar a essa idéia. Em toda peça restaurada deixamos os vestígios das modificações”, explica Orlando Ramos restaurador responsável pelas intervenções de restauro artístico no imóvel. Já com os azulejos internos do pátio do século 17, além dos painéis existentes, foram descobertos cerca de 7,2 mil fragmentos de azulejos, que estavam enterrados nos solo da construção que estava em ruínas. Para esses foi utilizada a técnica complementando fragmentos com massa e reintegrando as falhas a frio, na técnica do pontilhismo, deixando patente a intervenção dos restauradores.

LENDAS da Casa das Sete Mortes

Dentre as várias lendas que existem sobre o nome Casa das Sete Mortes, o real está documentado no Arquivo Público da Bahia e registra que em 1756 foram ali assassinados a  facadas  o Padre Manuel de Almeida, dois escravos negros e um homem pardo liberto. A apuração durou anos, variando os acusados, sem punir ninguém. Localizada na Rua do Passo n° 24, a casa tem, na fachada principal, sete entradas, três portas na parte inferior e quatro janelas na parte superior. Foi tombada em 1943, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como patrimônio nacional. Mas o solar tem grande valor histórico e arquitetônico. Com dois pavimentos, possui um pátio interno revestido de azulejos seiscentistas, fachada constituída de azulejos portugueses do século 19, vestíbulos de azulejos também do século 19 e janelas com ornamentos portugueses.

CRONOLOGIA

Séc. XVII – Fundação da casa. Nela residiu no século imediato o Padre Manuel de Almeida;

1755 – Segundo o Livro do Tribunal das Relações da Bahia, sucederam neste ano, não sete mortes, mas quatro por homicídio, na casa;

1795 – Casa pertence a D. Catarina de Senna da Silva Marinho;

1795 – Vistoria realizada pelos engenheiros Manuel Rodrigues Teixeira e Joaquim Vieira da Silva Pires propõe que seja feito uma sapata em todo o prolongamento do fundo e reforçado o ângulo da parte sul, com dois gigantes ou contrafortes, um em cada lado. Propõe ainda que se deveria esgotar a cisterna do pátio e tapar os condutores que conduzem água para ela;

1797 – Nova vistoria do Engenheiro Joaquim Vieira da Silva Pires recomenda que se faça com a maior brevidade, paredão no fim da ribanceira que ia dar na rua do Caminho Novo, no lugar em que caiu a casa em 1795, para evitar os prejuízos na casa que já se notavam no ângulo e cornija;

1881 – Morre Joaquim Esteves dos Santos deixando a casa para suas filhas Ana Inocência Esteves Alfama e Ernestina Esteve dos Santos Guimarães;

1890 – Sofre reforma registrada na cartela de mármore fixada acima da porta de entrada. Pode ter sido durante esta reforma que foram assentados os azulejos do séc. XIX da fachada, ocasião em que passaram a ser utilizados também na parte externa devido à facilidade de importação deste material;

1936 – A casa foi doada por Ernestina Esteves dos Santos Guimarães à Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim;

1947 – Desabamento de terra provocando destruição da velha cozinha revestida de azulejos e da varanda com grades de ferro.

1965 – Obras de limpeza e pintura sob a orientação do IPHAN.

2006 – Elaboração de Projeto de Restauração pelo IPAC;

2008 – Início das obras de restauração, em julho, licitadas, contratadas e fiscalizadas pelo IPAC, a cargo da Empresa Sertenge.

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