Festa da Boa Morte é oficializada como Patrimônio Imaterial da Bahia

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O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) iniciou os estudos que fundamentaram o dossiê final para o registro da Festa da Boa Morte no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações, tornando a manifestação oficialmente um patrimônio imaterial da Bahia. Os estudos e o dossiê receberam aprovação do Conselho Estadual de Cultura (CEC) e agora a festa passa a integrar um lugar no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações do Estado da Bahia.
A Irmandade da Boa Morte foi criada no século 19, composta por mulheres negras movidas pelo anseio de liberdade, todas católicas, detentoras do poder por terem posses no âmbito da sociedade colonial, patriarcal e escravista. Tinham por objetivo a devoção a Nossa Senhora, assim como resgatar mulheres negras escravizadas na Bahia, pagando as cartas de alforria, oferecendo proteção e encaminhando fugitivos aos quilombos.
A memória oral sobre a irmandade, registrada em um DVD-documentário produzido pelo Ipac este ano, remonta a fundação dessa instituição de escravos e ex-escravos na Igreja da Barroquinha, reduto onde outras irmandades se reuniam para cultuar seus santos de devoção.
Pesquisa do Ipac registra que em 1820 a Irmandade da Boa Morte se instalou em Cachoeira – cidade hoje tombada como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) –, vinda de Salvador, fugindo da perseguição impetrada pelo general Madeira de Mello às irmandades religiosas negras na capital baiana.
A irmandade é formada apenas por mulheres, todas intimamente ligadas à religiosidade de matriz africana, acima de 40 anos, negras, vinculadas diretamente às ialorixás – sacerdotisas – do candomblé baiano ou a outros cargos dentro da mesma religião.
Está estruturalmente organizada há décadas por uma provedora, uma procuradora, a tesoureira, a escrivã e as irmãs de bolsa. A irmã de maior idade – hoje dona Estelita – é quem sempre ocupa o cargo de juíza perpétua. As irmãs de bolsa são as que passam por um período de três anos de observação, até ocupar definitivamente o cargo de escrivã, quando podem receber a farda de honra.
A Festa da Boa Morte acontece entre os dias 13 e 17 de agosto. Antecedendo às celebrações, é feita a eleição da comissão da festa do ano seguinte e são realizadas a ‘esmola geral’ e a ‘condução da santa’ de volta para a sede da irmandade, após ter ficado durante todo o ano sob os cuidados da provedora.
Dormição e assunção de Nossa Senhora
Os ritos celebrados estão ligados à morte e à vida, ou, como elas dizem, à dormição e à assunção de Nossa Senhora. São rituais cercados por louvores e simbolismo contidos nas cores, nas indumentárias, nos adereços, nos ritos e objetos sagrados.
Em 13 de agosto acontecem a missa e a ceia pelas irmãs mortas. Nesse dia, o branco simboliza o sentimento pela memória às irmãs fundadoras da irmandade. No segundo dia são realizadas a procissão e a missa em louvor à dormição de Nossa Senhora da Boa Morte. E no terceiro acontece o ápice das celebrações: as irmãs saem em procissão após a missa para louvar a assunção de Nossa Senhora da Glória.
A irmandade celebra a Boa Morte e Glória de Nossa Senhora com muita comida e samba-de-roda, prolongando por mais dois dias, quando é servido o cozido e o caruru para os fiéis e amigos de Cachoeira.
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