Em entrevista exclusiva, prefeito Tarcízio Pimenta reconhece a desorganização e a falta de disciplina dos espaços públicos em Feira de Santana

Tarcízio Pimenta: com o passar dos anos as dificuldades para disciplinar os espaços do centro da cidade se tornaram mais críticos.
Tarcízio Pimenta: com o passar dos anos as dificuldades para disciplinar os espaços do centro da cidade se tornaram mais críticos.
Tarcízio Pimenta: com o passar dos anos as dificuldades para disciplinar os espaços do centro da cidade se tornaram mais críticos.
Tarcízio Pimenta: com o passar dos anos as dificuldades para disciplinar os espaços do centro da cidade se tornaram mais críticos.

O prefeito de Feira de Santana, Tarcízio Pimenta (DEM) — em entrevista exclusiva concedida à Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia (JGB) — aborda temas concernentes a educação, saúde, a ocupação irregular dos espaços públicos da cidade.

JGB — Prefeito, o que fazer para reduzir os problemas existentes no centro da cidade no que concerne a ocupação indevida das calçadas por setores privados e públicos. Já não é hora de se adotar um sistema que discipline melhor este segmento?

Tarcízio Suzart Pimenta Júnior — Com o passar dos anos as dificuldades para disciplinar os espaços do centro da cidade se tornaram mais críticos. Cito como o mais grave deles a questão do trânsito que tem contribuído para provocar maior tencionamento provocado principalmente pela falta de educação das pessoas. Classifico esta situação como um dos grandes males que estão afetando os grandes centros urbanos. Conforme aponta recente estatística feita no município, o acréscimo na frota de veículos corresponde a um aumento de 1000 novos carros que passam a circular, mensalmente, no centro comercial de Feira. Outro dado  preocupante é que atualmente 157 mil veículos circulando diariamente na cidade. Diante da complexidade do problemas, já determinei a Procuradoria do Município para elaborar  licitação  para a imediata implantação da Zona Azul no centro comercial  visando minimizar  esta situação.
JGB — Essa situação não é também agravada devido à falta de espaços públicos e privados voltados para estacionamentos?
Tarcízio Pimenta — Essa situação corre por conta da questão em relação aos prédios públicos existentes no município e também devido à falta de um Centro Administrativo. Nós temos que urgentemente desenvolver um projeto para a sua construção visando atender às necesidades não só de estacionamentos, bem como da comodidade, segurança e de concentração de serviços. De nossa parte já foi feito um estudo pelo engenheiro Luis Humberto voltado para este setor. A sua concretização será considerada como um grande avanço para a cidade.  O antiprojeto contempla prédios que irão agrupar secretarias, prefeitura, câmara de vereadores, entre outros segmentos, todos eles dotados de amplo estacionamento. O mais importante é que já existe a área e ela fica situada no Centro da Cidade.
JGB — A saúde é considerada como um dos pontos delicados de qualquer administração. O  senhor aos assumir o governo se defrontou com vários problemas como  postos de saúde em estado precário, sendo que muitos deles já foram totalmente reformados por seu governo. O município de Feira recebe 14 milhões de reais por mês, porque o atendimento à população continua tão complicado?
Tarcízio Pimenta — Saúde é caro, quando se fala em 14 milhões parece ser uma quantia impossível de se gastar, mas não é. Para que se possa ter uma ideia da situação cito como exemplo o feriado prolongado de Corpus Christi, neste período, as policlínicas prestaram cerca de quatro mil atendimentos. Imagine os recursos empregados no atendimento em unidades de emergência de saúde onde são disponibilizados remédios, material de limpeza, pagamentos de profissionais, combustível, manutenção de laboratórios, Raio X e outros serviços. Também aproveito a oportunidade para chamar a atenção para o fato de que estas unidades de pronto atendimento da prefeitura é  que têm  salvo  o sistema de saúde em Feira, senão há muito tempo o caos no setor já estaria instalado no município.
Atualmente a prefeitura é responsável pela manutenção de 90 PSFs em Feira, todo o sistema  é digitalizado o que contribuí  para a racionalização dos gastos no setor. Tenho a certeza que este modelo de atendimento no sistema de saúde do município vai se tornar modelo para todo o país, devido ao seu alto nível de organização, satisfação e eficiência que é ofertado a toda população, de forma indistinta. Importante observar que todas as 23 unidades de saúde digitalizadas estão sendo financiadas com recursos parópios, o estado em nada tem ajudado. Em recente viagem empreendida por mim a Brasília, apresentei um projeto de complementação para a manutenção desse sistema, na ordem de R$ 5 milhões, uma vez que a nossa capacidade de investimento chegou ao limite e não temos mais como avançar.
JGB — A oposição acusa o seu governo de gastar muito recursos em exames de alta complexidade, quando parte  destes recursos poderiam ser aplicados na prevenção e tratamento da saúde. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Tarcízio Pimenta — Quem estabelece e fiscaliza este repasse de atendimento de hemodiálise, quimioterapia, diálise, radioterapia é o Ministério da Saúde. Nosso governo atua apenas como mero repassador de recursos. Eu concordo com você quando fala que eles deveriam ser aplicados mais em atenção básica, infelizmente este não é o modelo que vem sendo desenvolvido. Às vezes se faz uma tomografia computadorizada, mas não se consegue fazer uma simples ultrasonografia, o que considero uma grave distorção do sistema, que resulta em grandes transtornos na área de atendimento público. Para minimizar alguns destes problemas estamos preparando condições para proceder à abertura do Ambulatório do Hospital da Mulher que se encontrava fechado.
Outro aspecto que faço questão em destacar no setor de saúde é que enquanto o governo Wagner anuncia com grande alarde a implantação do cartão do SUS, nós estamos muito mais avançados neste campo. O cidadão feirense após se cadastrar no sistema ele não precisa portar cartão ou qualquer outro tipo de penduricalho. Para que ele seja identificado no sistema, basta que o indivíduo para isso se utilize da sua impressão digital. Acredito que se não houver interrupção no programa, em breve estaremos disponibilizando um atendimento de saúde pública do mais alto nível, comparável ao ofertado no primeiro mundo. Todavia, reconheço ainda problemas no setor, mas desconheço um modelo que supere o nosso.
Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9308 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).