Em ação inédita, IPAC promove tombamentos de prédios modernistas e art déco na Bahia

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Em ação inédita, IPAC promove tombamentos de prédios modernistas e art déco na Bahia.
Em ação inédita, IPAC promove tombamentos de prédios modernistas e art déco na Bahia.

Enquanto cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais brasileiras, já têm as suas edificações modernistas e art déco reconhecidas há décadas, como patrimônios culturais edificados, cidades baianas como Salvador e Cipó – cujo centro histórico detém o maior conjunto art déco conservado do Brasil – esperaram por mais de 40 anos para terem suas edificações dessas linhas arquitetônicas reconhecidas pelo poder público estadual como patrimônio da Bahia.

Em mais de quatro décadas de criado, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), órgão da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), nunca havia desenvolvido política ampla para a proteção de imóveis e conjuntos urbanos construídos sob a influência de arquitetos modernistas e art déco na Bahia. Visando diminuir esse déficit, desde 2007, está sendo implantada a ‘Política Pública de Patrimônio Cultural’ do IPAC que já atingiu cerca de 200 municípios baianos. Com essas ações Instituto já conseguiu aumentar nos últimos três anos em mais de 400% os serviços de salvaguarda de bens culturais, se comparados aos já realizados em quatro décadas pelo governo estadual.

A Política de Patrimônio do IPAC inclui orientações técnicas, tombamentos e registros de bens culturais – sejam eles materiais ou imateriais – exposições, seminários, lançamento de publicações, produção de vídeos-documentários educativos e a execução de obras de restauração que já somam R$ 50 milhões investidos em território baiano nos últimos três anos e meio. Segundo o diretor geral do órgão, Frederico Mendonça, o IPAC se esforça, ainda, para superar o déficit de demandas não atendidas desde a década de 1970. Um dos exemplos é a igreja de Brotas, em Salvador, que há 30 anos a população do bairro solicitava para ser tombada, pedido que o programa de aceleração de atendimentos do órgão, já foi atendido em setembro do ano passado (2009).

INEDITISMO – Mas são os tombamentos inéditos de edificações com estilos arquitetônicos art déco e modernistas da Bahia, antes relegados e sem proteção legal do Estado, que mais têm chamado atenção de especialistas, arquitetos, urbanistas, engenheiros civis, museólogos, artistas e gestores públicos do patrimônio cultural brasileiro. A última edificação que o IPAC iniciou o tombamento foi do Hotel da Bahia, construção modernista de autoria do renomado arquiteto baiano Diógenes Rebouças – falecido em 1994 – que também projetou a Avenida Contorno, a Escola Parque e outras edificações, marcos da arquitetura no nosso estado.

O centro histórico da Estância Hidromineral de Cipó – considerado o conjunto arquitetônico-urbanístico art déco e neocolonial mais conservado do Brasil – é um dos principais exemplos dos novos tombamentos do IPAC. Em Salvador, os edifícios Oceania (Farol da Barra), Dourado (Graça), A Tarde e Sulacap (Praça Castro Alves), o Caramuru (Comércio) – referência da arquitetura modernista brasileira – o cine-teatro Jandaia (Baixa dos Sapateiros) e Hospital Aristides Maltez (Brotas) já se encontram sob proteção de tombamento provisório do IPAC. “O tombamento auxilia na salvaguarda do patrimônio, assim como, na sua preservação; e ao assegurar a permanência desses bens que traduzem a memória e a história de um povo, o Estado cumpre uma das suas mais importantes funções na área cultural”, ressalta Frederico Mendonça. “Ao tombarmos, estabelecemos um reconhecimento público oficial que possibilita aos proprietários dessas edificações melhor acesso às diversas fontes de financiamento sejam elas municipais, estaduais, federais ou internacionais, já que as edificações tombadas têm prioridade nesses programas de preservação”, finaliza Mendonça.

Art Déco – Conjunto de manifestações artísticas, estilisticamente coesa, que se iniciou na Europa e se difundiu pela América do Norte e do Sul, inclusive chegando ao Brasil, a partir da década de 20. A expressão Art Déco se traduz no interesse pela decoração. Suas linhas seguem uma simetria, havendo integração / articulação entre arquitetura, interiores e design (mobiliário, luminárias e serralheria artística). Quando curvas, delineavam um arco bem definido, em formas aerodinâmicas, e quando retas tinham a precisão de uma régua, com formas geométricas. Observa-se que alguns elementos decorativos recorriam, de forma estilizada, a modelos clássicos da antiga Grécia, artefatos egípcios, arte oriental e estilo marajoara, além de uma grande variedade de outras influências. O art déco apresenta-se de início como um estilo luxuoso, destinado à burguesia enriquecida do pós-guerra, empregando materiais caros como jade, laca e marfim. A partir de 1934, ano de realização da exposição Art Déco no Metropolitan Museum de Nova York, o estilo passa a dialogar mais diretamente com a produção industrial e com os materiais e formas passíveis de serem reproduzidos em massa. O barateamento da produção leva à popularização do estilo que invade a vida cotidiana: os cartazes e a publicidade, os objetos de uso doméstico, as jóias e bijuterias, a moda, o mobiliário etc. Se as fortes afinidades entre arte e indústria e entre arte e artesanato, remetem às experiências imediatamente anteriores da Bauhaus, a ênfase primeira na individualidade e no artesanato refinado o coloca o art déco nas antípodas do ideal estético e político do programa da escola de Gropius, que se orienta no sentido da formação de novas gerações de artistas de acordo com um ideal de sociedade civilizada e democrática.

Arquitetura Moderna – O Modernismo foi um movimento artístico e cultural que se iniciou na Europa e começou a ter seus ideais difundidos no Brasil a partir da primeira década do século XX, através de manifestos de vanguarda, principalmente em São Paulo, e da Semana da Arte Moderna, realizada em 1922. O movimento deu início a uma nova fase estética na qual ocorreu a integração de tendências que já vinham surgindo, fundamentadas na valorização da realidade nacional, e propondo o abandono das tradições que vinham sendo seguidas até então, tanto na literatura quanto nas artes. Apesar da grande repercussão que a arquitetura e Arte Moderna obtiveram, vale ressaltar que o Movimento Moderno não se limitou a essas duas áreas. Foi um movimento cultural global que envolvia vários aspectos, entre eles sociais, tecnológicos, econômicos e artísticos. O Modernismo arquitetônico surgiu na Europa devido à necessidade de se encontrar soluções para os problemas que vinham sendo gerados pelas mudanças sociais e econômicas que a Revolução Industrial causou. Já no Brasil, as primeiras obras Modernistas surgem quando apenas se iniciava o processo de industrialização, portanto não se habilitava a solucionar necessidades sociais. No entanto, segundo Lúcio Costa, o Modernismo brasileiro justifica-se como estilo, afirmando a identidade de nossa cultura e representando o “espírito da época”. No campo da arquitetura, o Modernismo foi introduzido no Brasil através da atuação e influência de arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo conhecido e aceito.

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