Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita a Salvador

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jaques Wagner, durante visita a Salvador.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jaques Wagner, durante visita a Salvador.
Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita a Salvador.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República: a gente vem dizer em alto e bom som que o país da destruição acabou, o país de desleixo acabou, o país da irresponsabilidade acabou. Nós, agora, queremos recuperar o Centro Histórico de Salvador, mas não vamos recuperar tocando de lá os pobres que moram lá, nós vamos recuperar trabalhando junto com eles, oferecendo oportunidade para eles. Não é para tirar os pobres para mandar para 300 quilômetros de distância e colocar lá um escritório de alguma pessoa rica.

Ô Wagner, ô Wagner, eu quero te dizer o seguinte: eu, há muito tempo, não via uma anarquia generalizada como essa aqui. Possivelmente é a anarquia mais democratizada e mais organizada que eu estou vendo, nesses últimos anos.

Mas eu queria, eu queria, primeiro, dizer aqui, por etapa, porque aqui nós anunciamos a área de preservação ambiental; aqui nós anunciamos o Programa Próximo Passo, que é a formação profissional para trabalhadores que vão trabalhar nas obras do PAC e nas obras do Programa Minha Casa, Minha Vida; aqui nós anunciamos investimento do Ministério do Turismo e do Ministério da Cultura, para que a gente possa recuperar o Centro Histórico de Salvador; aqui nós anunciamos o Programa Minha Casa, Minha Vida, trazendo, Wagner, quantas casas? Quatro mil, cento e quarenta novas casas aqui, para o estado da Bahia, das quais quase 1.700 serão feitas aqui em Salvador e, depois, a gente vai ter Ilhéus, Lauro de Freitas e outras cidades por aí, que o Wagner, depois, vai falar.

Agora, tem também os companheiros barraqueiros de praia, que estão com uma placa aqui pedindo ajuda. Então, eu queria apenas comunicar a vocês o seguinte: olha, primeiro, eu liguei, antes de descer para cá, eu liguei para a nossa companheira Alessandra, que é a secretária que cuida do Patrimônio da União. Então, ela me disse, ela me disse que o problema das praias é um problema constitucional, que a praia… é proibido colocar coisa fixa nas praias.

Então veja, então veja, companheiros, companheiros, assim não hablaremos, nosotros no nos entendiemos. Bem, o problema, o problema é o seguinte, veja: obviamente que nem o Presidente da República, nem o companheiro barraqueiro, nem o Prefeito, nem o Governador têm autoridade para descumprir a Constituição, temos que ter claro isso. Agora, ao mesmo tempo, tanto o Prefeito quanto o Governador, tanto o Presidente da República quanto o Poder Judiciário têm responsabilidade de garantir aos homens e mulheres que viviam nas suas barracas de trabalhar dignamente, vendendo as coisas nas praias de Salvador e do Brasil.

Então, eu não tenho como fazer, com um passe de mágica, dizer para vocês [que] vai ser assim. Eu já pedi para que a Secretária, na segunda-feira, esteja no meu gabinete, para a gente conversar para ver o que pode ser feito. Vou conversar com o Prefeito. Porque, veja, nós temos a obrigação de cumprir a Constituição, mas a obrigação de garantir o ganha-pão para cada um de vocês, para que vocês possam levar para casa o sustento da família. Então, o meu compromisso com vocês é que vocês me deem um voto de confiança para resolver esse negócio junto com o Governador, junto com o Prefeito, e vocês não sofrerem as sequelas, porque a gente quer cumprir a lei.

A segunda coisa importante que foi anunciada aqui é esses dois meninos, esses dois meninos que receberam o diploma aqui – aquela menina e aquele menino. Nós estamos com um programa de formação profissional, porque tem acontecido uma coisa muito grave no Brasil: por conta do PAC e por conta do Minha Casa, Minha Vida, está faltando pedreiro, está faltando azulejista, está faltando armador, está faltando engenheiro, está faltando uma série de coisas. Então, nós estamos formando essa juventude e estamos pedindo para que os empresários que ganharem a licitação de obras do PAC, estamos pedindo para os prefeitos que vão fazer o programa Minha Casa, Minha Vida, que a gente pegue esses jovens para trabalhar, ganhar um salário e viver condignamente. Nós já formamos 176 mil jovens [oferecemos 172 mil vagas] e vamos formar muito mais jovens.

A terceira coisa importante, companheiros, é a questão das zonas de preservação que nós assinamos aqui. O Brasil se comprometeu, lá na Dinamarca, em dezembro do ano passado, que nós vamos reduzir o desmatamento no país em até 80%, na Amazônia, e nós assumimos o compromisso de que vamos reduzir a emissão de gases de efeito de estufa em até 39% até 2020. Quando a gente vem aqui e demarca mais uma área de preservação, é porque a gente vai cumprir aquilo que nós assinamos, custe o que custar. Nós vamos controlar, para evitar o desmatamento.

A terceira coisa é que quando a gente vem aqui assinar mais dinheiro para a cidade e inaugurar esse Palácio, a gente vem dizer em alto e bom som que o país da destruição acabou, o país de desleixo acabou, o país da irresponsabilidade acabou. Nós, agora, queremos recuperar o Centro Histórico de Salvador, mas não vamos recuperar tocando de lá os pobres que moram lá, nós vamos recuperar trabalhando junto com eles, oferecendo oportunidade para eles. Não é para tirar os pobres para mandar para 300 quilômetros de distância e colocar lá um escritório de alguma pessoa rica. Nós não queremos. Também não queremos fazer um acordo com a fábrica de tintas e passar na frente dos prédios, apenas colorir os prédios para tirar fotografia. Não é isso que a gente quer fazer. A gente não quer respeitar a aparência, a gente quer respeitar a dignidade do povo pobre que mora no Pelourinho e no Centro Histórico de Salvador.

A última coisa, companheiros, a última coisa que eu considero muito importante, queridos. O que o companheiro quer aqui, em São Caetano, gente? Ah, um hospital? Ah. Wagner, ô Wagner, cadê o hospital de São Caetano, rapaz? Deixa eu falar uma coisa para vocês, deixa eu falar uma coisa para vocês: eu não sei se vocês – é importante isso –, eu não sei se vocês têm alguma coisa por escrito sobre o hospital. Vocês já? Ah, esse baixinho pegou? Foi esse baixinho que pegou? Vocês viram que esse rapaz está ficando bem baixinho, barrigudinho, está com a canela ficando fina de tanto pegar papel aí. Eu… Olhem, deixa eu falar: se estiver com ele e tiver endereço de vocês, vocês, na semana que vem, receberão a minha resposta da reivindicação de vocês.

Eu tenho… Companheiros, olhem, é o seguinte: as pessoas estão apertando aqui na frente, está pressionando mulheres e homens aqui na frente, é importante dar um passinho para trás, gente, vamos lá, um passinho para trás, um passinho para trás, porque daqui a pouco está machucando as pessoas.

Olhem, ô Wagner, eu estou vendo ali um companheiro dizendo para você me convidar para comemorar, depois de julho, aqui na Bahia, no cargo de Presidente. Olhem, eu vou ver a minha agenda, porque no dia 2 de julho eu embarco para Cabo Verde, depois eu vou para Guiné Bissau, depois eu vou para Guiné Equatorial, depois eu vou para o Quênia, depois eu vou para a Tanzânia, depois eu vou para o Zâmbia e, depois, eu vou para a África do Sul, para trazer a Copa do Mundo para o Brasil, porque nós seremos hexacampeões.

Olhem, mas vamos ver. Eu vou ver, Wagner, realmente achei a ideia interessante. Eu gostaria de vir aqui, você nunca me convidou, você nunca me convidou. Eu vou ver se eu venho aqui, dia 2 de julho, para andar um pouco aí, (incompreensível).

Olhem, companheiros, deixa eu dizer para vocês uma coisa: a vontade de reivindicar é muito grande, mas eu tenho que ir embora para Brasília, porque eu tenho uma galega lá me esperando, ela é brava, ela é brava. Ela já telefonou três vezes para mim aqui.

Mas eu queria dizer para vocês: olhem, eu certamente voltarei aqui mais vezes. Certamente eu voltarei mais vezes aqui. Agora, eu queria dizer para vocês que faltam menos de seis meses para eu deixar a Presidência da República. Eu tenho consciência do que nós fizemos no Brasil e tenho consciência do que falta fazer neste país. O que eu queria que vocês entendessem é que, mesmo deixando a Presidência da República, eu não vou me aposentar da política, eu vou continuar fazendo política.

Então, eu queria me despedir de vocês, queria, aqui, me despedir do nosso companheiro Rodrigo – o Rodrigo, para quem não conhece, é o irmão do Caetano Veloso –, e eu quero que você dê um grande abraço para a minha namorada, dona Canô, que está com 102 anos de idade. Fale para ela que quando eu vier aqui com tempo, que o galego colocar na agenda, eu vou lá fazer uma visita para ela.

Gente, um grande abraço. Que Deus abençoe todos vocês. Um abraço.

Salvador-BA, 10 de junho de 2010.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jaques Wagner, durante visita a Salvador.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jaques Wagner, durante visita a Salvador.
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