Com o espírito de 1994

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Na maioria das situações, teria sido apenas mais uma de tantas partidas de eliminatórias da Copa do Mundo da FIFA para a Seleção. Mais uma partida em casa, contra um adversário teoricamente mais frágil: um Brasil x Bolívia em 29 de agosto de 1993 que aparentemente tinha poucos motivos para entrar para a história. Mas entrou.

A equipe dirigida por Carlos Alberto Parreira chegava à antepenúltima rodada do torneio classificatório para os Estados Unidos 1994 sob pressão e desconfiança gigantescas. Um mês antes, o Brasil havia sofrido sua primeira derrota em eliminatórias na história – 2 a 0 para os mesmos bolivianos, em La Paz – e, na semana imediatamente anterior, apesar de ter batido o Equador por 2 a 0, havia saído de campo sob vaias estrondosas dos torcedores presentes ao Morumbi, em São Paulo.

O jogo diante da Bolívia, em Recife, entrou para a história como o início da virada. Ali nasceu, efetivamente, o grupo que levaria o país ao titulo depois de 24 anos. Ou, pelo menos, o espírito daquele grupo. Antes da goleada redentora por 6 a 0, os jogadores entraram em campo de mãos dadas – um gesto que seguiriam repetindo até 17 de julho de 1994, dia da vitória na decisão da Copa contra a Itália – e que se tornaria o símbolo da união de uma equipe tão contestada.

Dezesseis anos depois, o capitão daquele time, Dunga, é o técnico da Seleção Brasileira na África do Sul 2010. E, desde que assumiu o cargo em 2006, o ex-volante nunca escondeu seu principal trunfo para repetir o sucesso: o espírito de luta e união; os mesmo que vivenciou em 1994. Ou ao menos algo próximo daquilo. “Acho que nunca mais vou encontrar no futebol um ambiente como o daquela Seleção”, salientou o treinador brasileiro já em Johanesburgo, numa entrevista em que elogiava justamente o clima que reina dentro da concentração brasileira. “Em 1994 havia desconfiança, cobrança, polêmica, crítica… O negócio era quase desumano. Mas o espírito, a vontade e a alegria se assemelham com este grupo de 2010.”

Do campo para o banco

É inevitável que, de fato, haja semelhanças. Tal como comandava aquela Seleção de 1994 de dentro do campo, Dunga agora o faz de fora. E até alguns de seus companheiros na missão são os mesmos; dois titulares da equipe campeã do mundo: seu assistente técnico e fiel escudeiro, Jorginho, e também Taffarel, recém-indicado como observador para a Seleção durante a Copa. “Em cada exercício e trabalho que fazemos, vejo um compromisso muito grande. Vejo o mesmo desejo de 1994; o desejo que Dunga, Taffarel e eu vivemos”, assegura Jorginho. “Não tem vaidade: um torce pelo outro. Essa é a força que a gente teve naquela oportunidade (em 1994)”, surpreendeu-se Taffarel ao se juntar à delegação na África do Sul.

Outro integrante do grupo de 1994 está em Johanesburgo, mas como comentarista para a televisão: Mauro Silva. O parceiro de Dunga na dupla de volantes campeã do mundo diz entender perfeitamente o porquê de o elenco atual demonstrar tanta confiança e união. “Dunga já esteve lá dentro para valer. Já venceu a Copa, já levantou o troféu. Então, o que ele diz é: ‘rapazes, o caminho para a vitória é este aqui’, e ninguém ousa duvidar de que ele fala aquilo com propriedade”, analisa Mauro Silva em entrevista exclusiva à FIFA. “Sua filosofia reflete bem sua personalidade: alguém sério, trabalhador e, acima de tudo, um vencedor.”

Portanto, certamente não será por não ter em quem se espelhar que a Seleção não chegará longe na África do Sul. Se tudo correr conforme o sonho do capitão Lúcio, o destino é repetir o gesto de Dunga no Rose Bowl em 1994 – a que o zagueiro da Inter de Milão assistiu pela televisão, aos 16 anos. “Naquele exato momento em que Dunga levantou a taça, passei a sonhar em ser campeão do mundo e em defender a Seleção Brasileira”, relembra ele.

A fonte original de inspiração, então, não podia estar mais próxima. A equipe de 2010 já parece no caminho certo para espelhar a de 1994 no espírito. Resta aguardar para ver se o fará também no resultado.

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