Brasil 3 x 0 Chile | O contra-ataque voltou

Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
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Durante toda a fase de grupos na África do Sul, a Seleção Brasileira se queixou por se deparar sempre com um mesmo problema: rivais retrancados que saíam pouco ao campo de ataque e tratavam de esperar que os brasileiros tomassem a iniciativa do jogo. A estratégia dificulta aquela que tem sido uma das características mais marcantes do Brasil de Dunga: os contra-ataques velozes e precisos.

Nos 3 a 0 sobre o Chile nesta segunda-feira, pela primeira vez na Copa do Mundo da FIFA o Brasil foi o Brasil do contra-ataque, e não há exemplos mais claros disso do que o segundo gol, de Luís Fabiano, e o terceiro, de Robinho. Porque, claro, para contra-atacar, é preciso que antes o adversário ataque. E foi essa a coragem que os chilenos tiveram – ou, talvez, o erro que cometeram.
“O Chile demonstrou que é uma equipe que, mesmo quando enfrenta a Seleção, entra para jogar”, analisou Kaká ao FIFA.com após a partida. “Com isso, em alguns momentos eles nos deram espaço e, então, nós pudemos mostrar porque o contra-ataque é uma característica tão marcante nossa”, completou o camisa dez, que deu um lindo passe de primeira para o gol de Luís Fabiano, naquela que foi sua terceira assistência em três partidas no Mundial.
A história foi parecida com aquela das duas últimas vezes em que brasileiros e chilenos se enfrentaram, pelas eliminatórias sul-americanas. Tanto em Santiago, onde o Brasil venceu por 3 a 0 em setembro de 2008, quanto na vitória por 4 a 2 um ano depois, em Salvador, a Seleção criou chances porque encontrou diante de si um adversário que se dispôs a fazer aquilo que sabe, que é atacar. E, apesar dos resultados negativos diante dos brasileiros, os comandados de Marcelo Bielsa não parecem dar sinais de arrependimento.
“Jogar na defesa seria renunciar ao estilo que sempre tivemos. É por jogarmos assim que todos falam bem do Chile”, disse Gonzalo Jará à FIFA. “Atacar é algo característico nosso e que não vamos perder independente do rival que tenhamos pela frente. É parte da nossa filosofia”, completou o defensor do West Bromwich Albion.
Para o goleiro Claudio Bravo, porém, a cautela para se defender em algumas situações – como ao enfrentar um poder de fogo como o brasileiro – também é algo que o tempo deverá ensinar à seleção chilena. “Somos uma equipe jovem, uma das mais jovens do Mundial. Com as próximas competições, acho que vamos melhorar algumas coisas, como a capacidade de nos defendermos melhor, de outra forma”, comentou o camisa um. “Nós dominamos a posse de bola nos primeiros 30 minutos, mas o Brasil é o Brasil. Eles marcaram o primeiro gol, logo depois o segundo e nós, então, caímos de rendimento”, explicou Bravo à FIFA.
Um dos principais artífices dos mortais contra-ataques brasileiros no Ellis Park foi alguém que, a princípio, sequer estaria entre os titulares. Ramires entrou no lugar do lesionado Felipe Melo e sua capacidade de levar a bola de uma intermediária à outra foi um dos pontos altos da vitória brasileira, como ficou claro no lance do terceiro gol, em que arrancou rápido com a bola dominada, chegou à entrada da área e deixou Robinho livre para marcar. “Claro que é bom, para um time como o nosso, conseguir encaixar contra-ataques. Mas não acho que temos que louvar apenas isso. Também foi importante termos mostrado qualidade para controlar o jogo e evitar que ele se tornasse perigoso”, disse o meia do Benfica ao FIFA.com, antes de lamentar pelo único fato negativo de uma noite tão serena para a Seleção: o cartão amarelo que o deixa fora das quartas de final diante da Holanda. “Dá muita pena. Claro que fiquei meio chateado. Mas sei muito bem como este grupo é forte, e agora a única coisa que resta é torcer para que meus companheiros passem e eu possa estar junto deles de novo na semifinal.”
Semifinal em que o adversário – uma Holanda habituada por tradição a atuar, tal como o Chile, com três jogadores no ataque – pode ser o novo alvo para o recém-adquirido contra-ataque? “Ainda temos que estudar bem os holandeses e ver como eles vão jogar”, explicou Kaká ao FIFA.com. “Mas, na teoria, a princípio poderia ser mais um jogo para isso.” A análise tem quase tom de torcida. Os brasileiros já sentiam falta de ter campo para arrancar em contra-ataque. E mostraram que, quando houver espaços, a arma continua afiada como sempre.
Resumo
Jogo 54 – Rodada de 16 – 28 Junho de 2919
Árbitro Howard WEBB (ENG)
Johanesburgo – Estádio Ellis Park
Gols
JUAN (35′)
LUIS FABIANO (38′)
ROBINHO (59′)
Classificação completa
Grupo A
Equipe J V E D GF GC Pts
Uruguai 3 2 1 0 4 0 7
México 3 1 1 1 3 2 4
África do Sul 3 1 1 1 3 5 4
França 3 0 1 2 1 4 1
Grupo B
Equipe J V E D GF GC Pts
Argentina 3 3 0 0 7 1 9
Coreia do Sul 3 1 1 1 5 6 4
Grécia 3 1 0 2 2 5 3
Nigéria 3 0 1 2 3 5 1
Grupo C
Equipe J V E D GF GC Pts
EUA 3 1 2 0 4 3 5
Inglaterra 3 1 2 0 2 1 5
Eslovênia 3 1 1 1 3 3 4
Argélia 3 0 1 2 0 2 1
Grupo D
Equipe J V E D GF GC Pts
Alemanha 3 2 0 1 5 1 6
Gana 3 1 1 1 2 2 4
Austrália 3 1 1 1 3 6 4
Sérvia 3 1 0 2 2 3 3
Grupo E
Equipe J V E D GF GC Pts
Holanda 3 3 0 0 5 1 9
Japão 3 2 0 1 4 2 6
Dinamarca 3 1 0 2 3 6 3
Camarões 3 0 0 3 2 5 0
Grupo F
Equipe J V E D GF GC Pts
Paraguai 3 1 2 0 3 1 5
Eslováquia 3 1 1 1 4 5 4
Nova Zelândia 3 0 3 0 2 2 3
Itália 3 0 2 1 4 5 2
Grupo G
Equipe J V E D GF GC Pts
Brasil 3 2 1 0 5 2 7
Portugal 3 1 2 0 7 0 5
Costa do Marfim 3 1 1 1 4 3 4
Coreia do Norte 3 0 0 3 1 12 0
Grupo H
Equipe J V E D GF GC Pts
Espanha 3 2 0 1 4 2 6
Chile 3 2 0 1 3 2 6
Suíça 3 1 1 1 1 1 4
Honduras 3 0 1 2 0 3 1
Critérios de classificação
A classificação de cada seleção em cada grupo será determinada segundo os seguintes critérios:
a) o maior número de pontos obtidos em todas as partidas do grupo;
b) o maior saldo de gols em todas as partidas do grupo;
c) o maior número de gols marcados em todas as partidas do grupo.
Caso persista a igualdade entre duas ou mais seleções, a classificação será determinada segundo os seguintes critérios:
d) o maior número de pontos obtidos nas partidas do grupo entre as respectivas seleções;
e) o maior saldo de gols obtido nas partidas do grupo entre as respectivas seleções;
f) o maior número de gols marcados nas partidas do grupo entre as respectivas seleções;
g) sorteio realizado pelo Comitê Organizador da FIFA.

As seleções que ficarem em primeiro e em segundo lugar em cada grupo se classificarão às oitavas de final.

A mais recente análise estatística do FIFA.com destaca a supremacia do Brasil e de Robinho sobre o Chile e a impressionante série da Holanda na Copa do Mundo da FIFA.
67 vitórias tem o Brasil em jogos da Copa do Mundo da FIFA, quase 70% das 96 partidas disputadas pelo país na competição.
40 jogos foram disputados pela Holanda na Copa do Mundo da FIFA, metade deles encerrados com vitória. O país também registra dez derrotas e dez empates.
23 partidas sem perder: esta é a mais longa série invicta da história da Holanda.
12 vitórias seguidas é a atual marca da Holanda na competição, contando os oito triunfos nos oito compromissos do torneio classificatório para a África do Sul 2010. O último país que levantou o troféu vencendo todas as partidas nas eliminatórias e no Mundial foi o Brasil, que ganhou os seus 12 jogos em 1970.
12 anos se passaram desde que a Holanda disputou as quartas de final pela última vez, no Mundial da França. Antes, o país chegou entre os oito melhores do mundo em 1974, 1978,  1994 e 1998.
11 gols é a marca do Brasil contra o Chile em mata-matas da Copa do Mundo da FIFA. A Seleção venceu por 4 a 1 nas oitavas em 1998 e por 4 a 2 na semifinal de 1962.
11 números sucessivos de um a 11 puderam ser vistos às costas dos jogadores da Holanda no começo da partida contra a Eslováquia — algo que aconteceu pela primeira vez em Mundiais desde a escalação inicial da Suíça em 1994, exceção feita ao Brasil.
8 gols em seis jogos contra o Chile fazem de Robinho o grande carrasco brasileiro dos sul-americanos.
6 partidas já foram disputadas pelas oitavas de final da África do Sul 2010 e em apenas uma delas — Brasil x Chile — o vencedor não foi vazado.
5 equipes que venceram os seus grupos na primeira fase garantiram as seis vagas das quartas de final que foram decididas até o momento no Mundial sul-africano. A única seleção que não avançou foi a dos Estados Unidos, eliminada por Gana.
4 vitórias nos primeiros quatro jogos da Copa do Mundo da FIFA representam um novo recorde para a Holanda. Em 1974, a Oranje venceu quatro partidas seguidas: a última da fase de grupos e três nos matas-matas. Na decisão, perdeu para a Alemanha Ocidental.
4 gols foram marcados pelo atacante eslovaco Robert Vittek, número que o coloca na corrida pela Chuteira de Ouro adidas, juntamente com o argentino Gonzalo Higuaín. Com a derrota da Eslováquia para a Holanda, porém, Vittek não poderá aumentar o seu total. Mas ele já tem o mérito de ser o estreante que mais marcou gols no Mundial desde Davor Suker, que anotou seis para a Croácia em 1998 e foi o artilheiro da competição.
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