Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago

Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago.
Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago.
Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago.
Aos 87 anos, morre o escritor português José Saramago.

O escritor português José Saramago, de 87 anos, morreu hoje (17/06/2010) em consequência de falência múltipla dos órgãos, depois de um longo período com a saúde fragilizada. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago morreu na ilha de Lanzarote, Ilhas Canárias, onde vivia desde os anos 90.

A fundação que leva o nome do escritor informou que ele estava acompanhado pela família no momento da morte. A informação foi confirmada pela imprensa portuguesa.

“O escritor morreu acompanhado por sua família, despedindo-se de forma serena e tranquila”, informou a Fundação José Saramago em um breve comunicado de cinco linhas. Segundo a nota, a morte ocorreu às 12h30 – cerca de 8h de Brasília. A notícia estampa a capa do site da fundação na
internet.

De acordo com a imprensa portuguesa, Saramago teve uma noite tranquila, tomou o café da manhã normalmente hoje, mas em seguida começou a passar mal e morreu. A mulher dele, Pilar Del Río, o acompanhava.

No blog do escritor foi postado hoje um trecho de uma entrevista concedida por Saramago em 11 de outubro de 2008 à revista portuguesa Expresso.

“Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma”.

Em nota de pesar, Lula ressalta talento de Saramago

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou há pouco nota de pesar pela morte do escritor português José Saramago. No documento, Lula destaca o talento literário de Saramago e relembra o Prêmio Camões, distinção máxima conferida a escritores de língua portuguesa, e o Prêmio Nobel de Literatura, conquistados pelo português.

“José Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa. De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial”, diz trecho da nota.

“Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma. Intelectual respeitado em todo o mundo, Saramago nunca esqueceu suas origens, tornando-se militante das causas sociais e da liberdade por toda a vida. Neste momento de dor, quero me solidarizar, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre”, disse Lula na nota.
Juca Ferreira lamenta morte de Saramago e diz que escritor tinha relação privilegiada com o Brasil

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, lamentou, em nota, a morte do escritor português José Saramago, ocorrida hoje (18). O ministro lembrou que Saramago mantinha relações privilegiadas com o Brasil e que a sua perda foi recebida com muita tristeza.

“A sua perda é recebida com muita tristeza, particularmente pelos que têm apreço pela língua portuguesa e por sua importância cultural em tantos continentes. O Ministério da Cultura do Brasil se soma aos que lamentam e manifestam a dor pela perda desse grande escritor”, disse Juca ferreira, que está em Lisboa, onde participa da 7ª Reunião de Ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O ministro destacou que o escritor português esteve pressente em diversos eventos literários no Brasil. Juca Ferreira lembrou que em romances como O Ano da Morte de Ricardo Reis o país faz parte das reflexões de Saramago. No romance, o personagem Ricardo Reis viveu 16 anos exilado no Brasil.

O escritor português José Saramago, de 87 anos, morreu em consequência de falência múltipla dos órgãos, depois de um longo período com a saúde fragilizada. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago morreu na Ilha de Lanzarote, uma das Ilhas Canárias, onde vivia desde os anos 90.

Para Saramago, escritor deve participar do processo político, econômico e social no mundo

Polêmico e crítico, o escritor português José Saramago jamais se furtou ao envolvimento em controvérsias. Fez restrições ao Papa Bento XVI, à política externa de Israel, aos governos autoritários e ao capitalismo.

Em 1998, o português recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Desde então, afirmou que a “atividade pública” dele foi incrementada. Assim, aumentou também a preocupação com os direitos humanos e a busca por uma sociedade mais justa, como confidenciou na sua autobiografia.

“Em consequência da atribuição do Prémio Nobel, a minha actividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas”, disse Saramago, na autobiografia, divulgada no site da fundação que leva seu nome.

O estilo de Saramago se caracteriza por frases e períodos longos com uma pontuação nada usual – ele preferia a vírgula ao ponto, por exemplo. Alguns dos parágrafos de Saramago ocupam páginas inteiras. O estilo dele é considerado de leitura mais difícil pelo ritmo que impõe. Em 63 anos de carreira, desde sua primeira publicação em 1947, o português escreveu romances, peças teatras, contos, poemas, crônicas, diários de viagens e memórias e o infantil A Maior Flor do Mundo.

Recentemente, Saramago resolveu também se dedicar ao blog. Nele, o escritor opinava sobre filmes, acontecimentos políticos de Portugal e do exterior e lá exercia uma das atividades que mais gostava – a discussão e a polêmica. Para ele, um escritor deveria interferir e participar do processo político, econômico e social no mundo.

Em 29 de janeiro, depois do terremoto que atingiu o Haiti e matou cerca de 220 mil pessoas, além de desabrigar 1,3 milhão, Saramago lançou uma campanha de solidariedade aos haitianos. Denominada Porque Todos Temos uma Obrigação, a campanha acabou inspirando uma edição especial do livro A Jangada de Pedra, cujas vendas foram revertidas para as vítimas do terremoto.

José de Sousa Saramago, escritor português, foi vencedor, em 1998, do Nobel de Literatura e em 1995,d o Prêmio Camões.
José de Sousa Saramago, escritor português, foi vencedor, em 1998, do Nobel de Literatura e em 1995,d o Prêmio Camões.
Redação do Jornal Grande Bahia
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