A vitória de presente | Por Sérgio Tarcitano

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O acidente entre Vettel e Webber no GP da Turquia, além de ter dado à McLaren uma dobradinha, inesperada, de presente, mostra que o jovem piloto alemão está sentindo a pressão de ter um companheiro de equipe mais rápido. O veterano Webber, de 33 anos, que sempre foi conhecido como “leão de treino”, por nunca ter, na corrida, um desempenho igual ao que tinha nos treinos, parece que neste ano acertou a mão. Se não fosse a barbeiragem de Vettel, seriam três poles e três vitórias consecutivas. Mas ainda assim o Australiano continua líder do campeonato.

Já foi comprovado, historicamente, que uma disputa interna numa equipe de F1 não beneficia a própria equipe. E foi isso que vimos, mais uma vez, no GP da Turquia. Não preciso ir muito longe para dar exemplos. Em 2007, na McLaren, houve a disputa entre Alonso e Hamilton e o campeão foi Raikkonen, da Ferrari, por um ponto de diferença. A mesma McLaren havia se beneficiado de uma disputa interna na Williams entre Mansell e Piquet em 1986, quando o título ficou com Alain Prost por dois pontos apenas.

Só me lembro de uma disputa livre na F1 em que a equipe que permitiu a briga foi a campeã. Em 1988, a McLaren permitiu abertamente a disputa entre Senna e Prost, porém, a superioridade da equipe era tão grande que eles podiam se bater pelo caminho que não perderiam o campeonato. Foi o primeiro título de Ayrton Senna, com três pontos de diferença sobre o companheiro. Naquele ano a McLaren marcou 199 pontos, contra 201 pontos marcados por todas as outras equipes juntas… E ganhou 15 das 16 provas do ano.

Sou a favor da igualdade de condições entre os pilotos, e totalmente contra o jogo de equipe para favorecer um único privilegiado, como era (ou ainda é?) na Ferrari. No tempo em que corria pela equipe italiana, Michael Schumacher era, descaradamente, o favorecido. Isso não era muito evidente antes da chegada de Rubens Barrichello, que foi o único que conseguia andar, em algumas provas, na frente do alemão. Todo mundo se lembra de quantas vezes Barrichello teve que tirar o pé para ser ultrapassado pelo companheiro. Aliás, a história se repetiu ano passado. Pra favorecer Jenson Button, que liderou o campeonato todo, a equipe Brawn fez um monte de absurdos nas estratégias de corrida de Barrichello. Até um pit stop a mais ele foi obrigado a fazer… O brasileiro deslanchou na segunda metade da temporada, e eu até tenho uma “teoria da conspiração” (mais uma) sobre isso, mas fica pra outra oportunidade.

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