UE vê na aviação civil um novo filão de negócios no Brasil

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Encontro bilateral com agenda política promete flexibilizar regulamentações para promover abertura recíproca dos mercados. Companhias aéreas e fabricante brasileiros têm boas expectativas.

O momento parece propício para o Brasil: números dão conta de um crescimento da demanda de vôos domésticos – em abril a taxa foi de 23% em relação ao mesmo período do ano passado, o número de voos atrasados caiu.

No espaço europeu, por outro lado, grandes companhias aéreas ainda sofrem os solavancos da crise. Apesar de os números do primeiro trimestre mostrarem um crescimento em 4,3% – o índice está longe dos dois dígitos vistos no Brasil e em outras regiões do globo.

É nesse contexto de experiências diferentes que o Brasil sedia uma cúpula para se aproximar – e também toda a América Latina – da União Europeia. “Os países do bloco e a América Latina têm muito a ganhar com uma cooperação mais próxima frente às mudanças significantes que o transporte enfrentará nos próximos anos”, disse Siim Kallas, vice-presidente da Comissão Europeia na abertura da cúpula nesta terça-feira (25/05).

Agora num novo âmbito, as duas regiões prometem, mais uma vez, estreitar relações. A agenda é política, mas, como não é difícil de prever, há grande ansiedade das duas partes de conquistar novos mercados.

Conexões diretas

Segundo dados da União Europeia, o volume de passageiros entre o continente europeu e a América Latina duplicou entre 1997 e 2008 – atualmente, mais de 20 milhões de pessoas viajam todos os anos em rotas diretas.

Mas o mercado internacional operado pelas companhias brasileiras apresentou, em abril, ligeira queda de 0,22% em comparação com o mesmo período de 2009. Para ampliar esses números, as duas partes prometem abrir o espaço às companhias aéreas para fazerem escalas e embarque de passageiros.

“A reciprocidade nos possibilitará um voo interno na Europa, que nasça no Rio de Janeiro, chegue a Paris e depois vá a Frankfurt, podendo pegar passageiros. Hoje não se pode fazer isso”, exemplificou o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

A expectativa é que as empresas brasileiras – Gol e TAM também participam da cúpula organizada com a ajuda da Comissão Latino-Americana de Aviação Civil – sejam beneficiadas com os acertos políticos bilaterais.

Mas as companhias aéreas europeias também estão de olho no novo filão que pode se abrir: foi a Comissão Europeia que propôs, no início de maio, a abertura de negociações com o Brasil.

Efeitos colaterais

Outro acordo acertado é sobre o reconhecimento mútuo de certificados de homologação produzidos pela brasileira Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa, do inglês), que vale para peças, equipamentos e aeronaves. Um convênio semelhante já está em vigor com entre Anac e a autoridade equivalente nos Estados Unidos.

“Hoje o processo de certificação de aeronaves brasileiras na Europa, e vice-versa, segue uma série de protocolos que dão andamento às atividades, mas sem dúvida a assinatura de um acordo bilateral estreitará e elevará o nível de relacionamento entre as agências reguladoras”, disse a direção da Embraer à Deutsche Welle.

A fabricante brasileira de aviões envia 23% de suas vendas externas para a Europa e espera mais. Segundo o representante da Embraer, “em termos de potencial de mercado, vemos a Europa como uma região bastante promissora para os jatos executivos (E-Jets), tanto na reposição de aeronaves com longo tempo de uso, como na complementação de frotas para as companhias aéreas”.

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