Sucesso: uma questão de sacrifício e prazer | Por R. C. Amorim Neto

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Na manhã chuvosa de domingo, 27 de março, Thiago decidiu continuar deitado. Uma leve dor de cabeça e outros sintomas da celebração de seu aniversário na noite anterior eram maiores do que sua vontade de levantar. As lembranças da agitada festa deram espaço a alguns pensamentos sobre seu trabalho. Ele havia completado 35 anos e ao apagar as velas do bolo de aniversário desejou sucesso profissional.

Há algumas semanas um sentimento de insatisfação vinha lhe invadindo o coração. Costumeiramente ele vinha fazendo comparações entre ele e pessoas bem-sucedidas… Comparou-se com Bill Gates, Eike Batista, Gisele Bündchen, Josh Groban e mesmo Lady Gaga. A princípio não conseguia entender o segredo do sucesso desta gente, em seguida passou a questionar porque ele ainda não havia chegado lá.

Já havia entendido ser necessário algum sacrifício para alcançar o que se deseja. São horas de treino intenso para alcançar a medalha de ouro olímpica; dias e mais dias de ensaio para a interpretação perfeita de uma peça teatral difícil; horas e horas de meditação para a construção de uma espiritualidade consistente.

Ao considerar estes fatos, concluiu que seria importante dedicar mais tempo aos seus projetos profissionais. Ele que já quase não assistia televisão reduziria pela metade o pouco tempo gasto com isto. Também pensou no tempo que gastava em conversas via internet com seus amigos e familiares. Por mais difícil que parecesse, também estava decidido a diminuir este tempo para poder focar ainda mais em sua carreira. Thiago estava satisfeito, afinal isto lhe renderia pelo menos uma ou duas horas diárias para dedicação exclusiva ao seu mais forte objetivo: tornar-se um profissional de sucesso, com uma carreira brilhante. A satisfação que sentiu logo deu lugar a dúvida… Mas que carreira?

Profissionalmente, atuava como professor universitário e era estimado por alunos e colegas. Nos finais de semana, cantava no coral de sua igreja demonstrando certo talento musical. Era sócio na academia que sua irmã administrava e de tempos em tempos era convidado a dar palestras sobre os escritos de Érico Veríssimo, sua especialidade.

Uma súbita sensação de fracasso tomou conta de Thiago. Ele se sentia incapaz de abrir mão de algum de seus projetos, mas naquele instante ele entendia isto como uma necessidade para alcançar um grau de excelência em alguma destas áreas. À medida que as semanas passavam ele se sentia ainda mais impelido a fazer uma escolha, e por toda sua energia em apenas um único objetivo na vida.

Tentou imaginar-se como cantor de sucesso, e considerou que era bastante introvertido para subir ao palco e conduzir um show sozinho, afinal o coral lhe dava a segurança do quase anonimato. Em relação à sua vida acadêmica, não havia muito mais o que fazer. Era doutor e lecionava em uma conceituada universidade em São Paulo. Entretanto, era apenas mais um doutor que entendia muito de muito pouco, e tinha seu livro e artigos lidos apenas por poucos especialistas da área. A vida de empresário da educação física também não lhe pareceu suficiente.

Quando partilhou alguns de seus pensamentos e preocupações com dois de seus amigos mais próximos, surpreendeu-se ao ouvir de pessoas em que confiava que ele já era um homem de sucesso e admirado por muitos dos que o conheciam. Todavia, isto não foi suficiente para acalmar a angústia de Thiago. Ele se sentia oprimido ao considerar que o tempo que já havia vivido e a realidade de não ter atingido seus sonhos.

Em uma tarde de sexta-feira, enquanto enfrentava o congestionamento em direção ao litoral, uma vez mais ele tocou no assunto com a esposa. Ela que já começava a se preocupar com a inquietação do marido, o ouviu silenciosamente e a única coisa que conseguiu perguntar para ele foi: “Qual atividade faz seu coração disparar de alegria? O que lhe dá prazer?”.

A pergunta de sua esposa não trouxe consigo uma resposta imediata, mas acrescentou um elemento que até então não considerado. Ao pensar em sucesso, o esposo de Heloísa sempre pensava no aspecto financeiro, no reconhecimento público, e também no sacrifício que cada profissão lhe daria, mas não havia ainda cogitado que seu desempenho seria potencializado à medida que se dedicasse a algo que lhe fizesse arder o coração, que ao mesmo tempo que consumisse sua energia, também lhe desse força criativa.

Aquele final de semana na praia foi especial para Thiago. Uma luz parecia ter se acendido no seu caminho…

E você, o que lhe dá prazer?

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