Profissionais de saúde participam de Sessão Especial na Câmara Municipal de Feira de Santana

Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
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A Câmara Municipal de Feira de Santana, nesta quinta-feira (13/05/2010), em Sessão Especial, realizou uma ampla discussão acerca das questões relacionadas à saúde no município, atendendo aos requerimentos dos vereadores Roberto Tourinho e Ewerton Carneiro (Tom).

O evento foi conduzido pelo presidente da Casa Legislativa, Antônio Carlos Passos Ataíde, que compôs a mesa juntamente com Wellington Vanderley de Morais, coordenador geral das policlínicas do município; Sandra Peggy Araújo de Carvalho, diretora da Santa Casa de Misericórdia (Hospital Dom Pedro de Alcântara); Maísa Sandra Ribeiro Macedo, diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e Edilma Reis, diretora do Hospital Clériston Andrade (HGCA).

Após saudar os convidados, o vereador Carlos Alberto (Frei Cal) ressaltou que a realização do debate, na Casa da Cidadania, com a presença de profissionais e gestores de saúde é bastante relevante para a população, pois o objetivo da Sessão Especial é buscar a melhoria da qualidade na prestação de serviços pelo setor público.

Coordenador das policlínicas municipais

Wellington Vanderley iniciou seu pronunciamento, fazendo um breve resumo referente à coordenação das policlínicas. De acordo com ele, “as unidades pré-hospitalares fixas de 24 horas, vinculadas a Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, tem por finalidade o atendimento aos pacientes de média complexidade, viabilizando a reorientação do modelo de assistência implementado na rede de serviços. O objetivo é proporcionar retaguarda as unidades de atenção básica e diminuir a sobrecarga da demanda hospitalar”.

O coordenador geral das policlínicas informou que o atendimento pré-hospitalar fixo compõe de 6 policlínicas, sendo 5 na zona urbana e uma na zona rural. A estruturação fixa divide-se em blocos contínuos e funcionais, como sala de estabilização, raio X e observação para 24 horas, além de prestar também atendimento laboratorial e ambulatorial, tendo disponível um arsenal de equipamentos, medicamentos e materiais para polimentos. Wellington acrescentou que o Centro de Atendimento a Diabéticos e Hipertensos (CADH) e Centro de Saúde Especializada (CSE) estão vinculados a coordenação geral das policlínicas.

Quanto ao atendimento, Wellington disse que as policlínicas dispõem dos seguintes profissionais: coordenadores médicos, gerentes clínicos e administrativos, médicos clínicos, pediatras plantonistas de 24 horas, especialistas, enfermeiros, bioquímicos, técnicos em Radiologia, técnicos em Enfermagem, técnicos em laboratório, técnicos em Informática e auxiliar administrativo.

No que tange à prestação de serviços, ele citou, por exemplo, que a Policlínica do Tomba realizou, no mês de janeiro deste ano, 21.677 procedimentos médicos. No mês de fevereiro, 26.484 e, em março, 24.801. No tocante a transferência de pacientes para o HGCA, o coordenador geral das policlínicas declarou que, nos meses de janeiro e fevereiro, apenas 1% dos pacientes, que fizeram consultas de emergência, foram transferidos. Por sua vez, no mês de março, as transferências ficaram em torno de 2%.

No que diz respeito a metas do Executivo Municipal, Wellington informou que está previsto inauguração da Policlínica da Getúlio Vargas, entrega de cinco ambulâncias para as policlínicas, construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Bairro Queimadinha e outra no Bairro Mangabeira.

“O atendimento pré-hospitalar fixo tem avançado consideravelmente em todo o município com as unidades de emergência bem distribuídas na cidade, onde o Governo Municipal tem dado todo o apoio necessário, mediante reformas nas unidades, implantação do Sistema de Saúde Digital e com a contratação de profissionais qualificados, para melhor atender a população de Feira de Santana e região”, afirmou o coordenador geral das policlínicas.
Diretora da Santa Casa de Misericórdia

Segundo Sandra Peggy, a Santa Casa de Misericórdia – Hospital D. Pedro de Alcântara (HDPA) – é uma entidade filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos que faz parte da rede complementar de saúde, prestando serviços na área de assistência há mais de 100 anos, ao município de Feira de Santana e microrregião, onde tem em sua definição histórica um perfil assistencial articulado e integrado com a rede de serviços do Sistema Único de Saúde – SUS, atendendo dessa forma seus princípios e diretrizes.

A diretora do HDPA citou os serviços disponíveis na unidade de saúde, dentre eles: Setor de emergência: Pronto Socorro Cardiológico – Unidade de Dor Torácica (aguardando credenciamento do Sistema Único de Saúde – SUS), Clínica Médica e Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia.

Setor de ambulatório: Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Buco-Maxilo Reparadora, Cirurgia Cardíaca, Cirurgia de Mão, Cirurgia Geral, Cirurgia Cabeça e Pescoço, Cirurgia Pediátrica, Clínica Médica, Endocrinologia, Ginecologia, Hematologia, Mastologia, Neurologia, Oncologia Clinica, Ortopedia Geral e Ortopediatrica, Otorrinolaringologia e Urologia.

Como complementação diagnóstica, Sandra Peggy disse que o HDPA dispõe de Laboratório de Análises Clínicas, Laboratório de Anatomia Patológica, Radiologia Convencional, Tomografia Computadorizada e Ultrasonografia. De acordo com a diretora, 90% dos serviços disponíveis na unidade de saúde são ofertados ao SUS.

Na oportunidade, ela citou os avanços do hospital: inauguração do Serviço de Imagem, Laboratório 24 horas, reabertura do Centro Cirúrgico e Centro Obstétrico, habilitação e credenciamento da UTI e Unidade de Alta Complexidade em Oncologia – UNACON, implantação da Unidade Dor Torácica (Pronto Atendimento Cardiológico) – aguardando credenciamento do SUS, reforma Geral da Pediatria, construção de Lavanderia Hospitalar e Central de Material Esterilizado.

Conforme Sandra Peggy, o HDPA tem convênio firmado com os seguintes órgãos: Planserv, Unimed, Petrobras, Mastermed; Prefeitura Municipal de Feira de Santana e Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Hospital de Referencia e Suporte para Usuários de Álcool e Drogas (CAPS AD). E Parcerias: Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Faculdade Nobre (FAN), Faculdade Anísio Teixeira (FAT), Instituto de Cardiologia do Nordeste da Bahia (ICNB), Instituto de Cancerologia da Bahia (ICB), entre outros.

A diretora do H DPA declarou que a unidade de saúde tem como meta a reforma geral do Centro Cirúrgico, habilitação e credenciamento dos serviços de cardiologia clínica e cirúrgica pelo SUS, implantação do serviço de Radioterapia, construção do Centro Cirúrgico Cardiológico e informatização de processos e rotinas hospitalares.

Diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

Maísa Sandra também fez um breve relato sobre as atribuições do órgão público que administra. “O SAMU é um componente da Política Nacional de Atenção às Urgências, que é pautada em cinco eixos: trabalhar a promoção e a prevenção de doenças, organização das redes de serviço, qualificação e educação permanente, central de regulação médica de urgência e humanização. O SAMU funciona 24 horas, atendendo as urgências de emergência de qualquer natureza. Ele é ligado diretamente a Secretária Municipal de Saúde. O acesso da população é através do telefone 192”, informa.

Maísa disse que, no ano de 2008, 68.867 pessoas ligaram para o SAMU. Desse total, 20.110 foram trotes e 11.960 orientações. Em 2009, houve redução no número de chamadas. O órgão recebeu 63.417 ligações. Desse total, 16.125 trotes e 6.842 orientações. Com relação a óbitos no atendimento do SAMU, em 2008, foram contabilizados, 283 e em 2009, 332. “Vale salientar que muitas vezes quando a equipe chega ao local do cenário a vitima já está em óbito”, afirmou a diretora.

Ela ressaltou também que, de 2008 a 2009, o SAMU, prestou 27.052 atendimentos clínicos adulto, 2.120 pediátricos, 12.966 traumáticos, 2.561 obstétricos e 2.181 psiquiátricos. Segundo Maísa, o principal destino dos pacientes é o HGCA. Nos anos citados, o hospital recebeu 9.216 pacientes do SAMU. Em segundo lugar está o HDPA, que acolheu 1.736 pacientes.
Diretora do Hospital Clériston Andrade

Edilma Reis enfatizou, logo no início, a situação em que se encontrava a saúde na Bahia, em janeiro de 2007. “Piores indicadores de saúde da Região Nordeste, dívida de mais de 217 milhões de reais, carência de profissionais, ausência de recomposição do quadro de servidores com concursos, insuficiência de leitos em hospitais de referência, baixa cobertura de atenção básica (PSF) – menor do Nordeste, hospitais estaduais desabastecidos e falta de equipamentos, carência de leitos de UTI – muitos dos existentes desaparelhados”, afirmou a diretora do HGCA.

Ela acrescentou: “recebemos a unidade da gestão passada em péssimo estado de conservação com estrutura física depreciada, móveis quebrados e enferrujados, enorme déficit nos quadros de pessoal, além da estrutura administrativa desorganizada. Só a Uremat, empresa que recolhe inservíveis do hospital, já entregamos mais de 30 caminhões de materiais danificados, enferrujados e depreciados”, declarou Edilma.

Ela salientou que as principais intervenções do Governo do Estado da Bahia foram as seguintes: realização, em 2007, de Processo Seletivo Público para contratação de profissionais via REDA, para preenchimento de 3.575 postos de trabalho médicos e 2.426 multiprofissionais; convocação de 2.451 aprovados no concurso de 2005; total de mais de 11 mil postos de trabalhos foram contratados nos últimos três anos e realização, em 2009, de Concurso Público, que contemplou em seu Edital 854 vagas distribuídas na capital e no interior.

Quanto ao HGCA, a diretora destacou: reforma e ampliação do Bloco Operatório (passando de 5 para 10 salas cirúrgicas; reforma na Central de Material de Esterilização (CME), cozinha, refeitório e necrotério; construção de 60 leitos na Unidade para Pacientes de Longa Permanência (UPLP); reforma, climatização e ampliação de 18 leitos de cuidados intensivos na emergência; aquisição do novo tomógrafo computadorizado; aumento em mais de 30% do corpo funcional; ampliação da frota de veículos; implantação do serviço de UTI Móvel; implantação da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgão e Tecido para Transplante (CIHDOTT).

Edilma considerou também como intervenções importantes no HGCA: implantação do programa Internamento Domiciliar; realização de neurocirurgia (trauma raquimedular) e serviço de colocação de válvula de DVP e DVE; crescimento e fortalecimento do Banco de Sangue e do Banco de Leite; Fortalecimento do Núcleo de Vigilância Epidemiológica; implantação do Serviço Especializado de Saúde do Trabalhador; Comissão de Controle de Infecção Hospitalar; ampliação dos serviços de pequenas cirurgias ambulatoriais e aumento de verba em 30%, desde o início do ano passado.

De acordo com a diretora, mensalmente são realizados no HGCA: Setor de emergência, mais de 5 mil atendimentos. Ambulatório, mais de 2 mil. Procedimento cirúrgico, 500 cirurgias e procedimento obstétrico, 400.

A diretora do HGCA disse que “o hospital tem recebido pacientes, encaminhados de forma aleatória, muitas vezes não foram estabilizados pela unidade de origem; sem acesso venoso; sem transporte adequado ou sem equipamento de suporte a vida; sem acompanhamento de um profissional de saúde que possa atuar em caso de intercorrência com o paciente e sem que fosse feita nenhuma regulação (contato prévio com a unidade) para saber da existência de vaga, procedimento este respaldado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)”.

Vereadores

O vereador Tom informou que a Sessão Especial – solicitada por Tourinho – tinha como objetivo discutir a prestação de serviço do HGCA. Porém, ele achou mais viável ampliar o debate com a presença dos dirigentes dos órgãos municipais de saúde. “Vale ressaltar que o intuito desse debate não é o confronto político e sim a solução dos problemas da saúde no município de Feira de Santana”, argumentou.

Em seguida, os vereadores Reinaldo Miranda (Ronny), Gerusa Sampaio, Ailton Araújo, Ângelo Almeida, Getúlio Barbosa e Roque Pereira fizeram questionamentos aos médicos e dirigentes dos órgãos de saúde. Dentre as indagações: mortes que poderiam ser evitadas caso houvesse atendimento; procedimentos médicos não realizados, devido à falta de regulação; propaganda enganosa; interferência política; escassez de equipamentos e material humano, sobretudo, especialista; aparelhos quebrados por falta de manutenção; demora no atendimento; profissional despreparado psicologicamente e inviabilização de cirurgias de alta complexidade, como a bariátrica.

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