Palácio Rio Branco será reinaugurado no dia 10 de junho

Jornal Grande Bahia compromisso em informar.
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Toda a imponência do Palácio Rio Branco volta a estar acessível aos baianos e turistas a partir de 10 de junho, quando será reinaugurado. Nessa última etapa de obras, os restauradores e arquitetos fazem o retoque final na pintura e criam o leiaute para colocação do mobiliário.

Para que a beleza histórica do prédio fosse revelada ao público, a antiga sede dos governos federal e estadual passou por diversas intervenções tanto na estrutura física quanto na artística, antes completamente degradadas pelo tempo e pela má conservação.

O prédio, construído em 1549, tinha vários problemas na cobertura, por causa das infiltrações, assim como os elementos decorativos das fachadas e os bens integrados, como forros, pinturas parietais, pisos e vitrais.

Segundo o presidente do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Frederico Mendonça, o palácio recebeu novo sistema elétrico e hidráulico, foi climatizado e teve implantado um sistema lógico de telefonia e internet. O telhado, comprometido por cupins, foi totalmente substituído, sendo colocado um sobreforro de fibra de vidro, para evitar vazamentos. O mobiliário e a pintura da época colonial também foram restaurados.

Na Sala dos Governadores, onde ficam expostos fotos, pinturas e objetos pessoais, de trabalho e de homenagens aos políticos (medalhas, títulos, entre outros), os elementos decorativos das paredes feitas de madeira, como louro e cedro, mais usuais por causa da facilidade na hora de esculpir, também passaram por reforma.

O piso, que estava apodrecido, teve as madeiras substituídas. Antes da intervenção no piso, os restauradores tiveram o cuidado de numerar e mapear cada peça.

A grandeza histórica do palácio pode ser constatada nos detalhes. No teto, logo na entrada do prédio, o brasão da República Federal foi esculpido. Ao seu redor estão os nomes dos estados federativos, registrados ali quando Piauí ainda se escrevia com “H” e “Y” (Piauhy) e Mato Grosso com dois “Ts” (Matto Grosso).

Datas importantes também foram incorporadas na nave, como 7 de setembro de 1822 (Independência do Brasil), 15 de novembro de 1889 (Proclamação da República), 2 de julho de 1823 (Independência da Bahia) e 13 de maio de 1888 (Abolição da Escravatura).

Memória do poder

O presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, afirmou que era comum os prédios públicos, principalmente os palácios dos governadores, conservarem a memória do poder da época. “Pinturas e retratos dos governadores e presidentes eram preservados. Por isso os memoriais dos governadores são instalados nos palácios, porque esses imóveis eram considerados memoriais do Poder Executivo”, explicou o historiador.

Castro citou como exemplo o quadro de três metros de altura e seis de largura, pintado em 1930, que retrata a Batalha de Cachoeira, início da Independência da Bahia, e decora a Sala de Despacho do Rio Branco.

Mas não é apenas o teto o único contador de história do local. Os grandes salões e o mobiliário também revelam os fatos políticos e culturais de uma época. Os móveis, datados dos séculos 18 e 19, exibiam em seus traçados, talhados pelas mãos de grandes artesãos, a riqueza da burguesia, que tinha orgulho de demonstrar a sua ascensão econômica.

As cadeiras confortáveis e as mesas fabricadas com madeiras nobres, como jacarandá, maçaranduba, louro e vinhático, tinham detalhes a ouro. O toque artístico, feito com muito cuidado, ainda pode ser encontrado no Salão de Festas, rodeado por espelhos com molduras folheadas a ouro e prata – difícil é não se impressionar.

Além da beleza dos espelhos, da sacada do salão, os visitantes têm uma visão privilegiada de dois cartões-postais de Salvador: a Baía de Todos-os-Santos, uma das mais belas paisagens da capital, e o Elevador Lacerda, uma das arquiteturas mais admiradas por turistas que chegam à cidade.

Prodetur e reabilitação do Centro Antigo

Através do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur), são investidos R$ 6,9 milhões na restauração do Palácio Rio Branco. A iniciativa também faz parte do Plano de Reabilitação do Centro Antigo.

A coordenadora do Escritório de Referência do Centro Antigo, Beatriz Lima, destacou que o plano é resultado de um debate com 600 representantes de organizações públicas, privadas e da sociedade civil. O plano é composto por 14 proposições, que englobam questões sociais, econômicas, de segurança, economia, turismo, cultura e, principalmente, de gestão e gerenciamento.

Entre as ações do plano estão a primeira etapa da iluminação pública do Centro Histórico de Salvador, que substituiu mais de 280 lampiões nas principais ruas do Pelourinho e adjacências, com investimento de R$ 1,2 milhão. E mais: a recuperação das fachadas das lojas da Baixa dos Sapateiros, a reforma do Mercado de São Miguel e a restauração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Em fase de conclusão estão a recuperação da Igreja de Santa Luzia do Pilar e a Casa das Sete Mortes.

O que diz a história

Construído em 1549 pelo primeiro governador-geral do Brasil, Thomé de Souza, o Palácio Rio Branco foi o primeiro lugar onde o Governo Geral se instalou, quando a Bahia ainda era a capital brasileira.

A Praça Municipal, onde está instalado o palácio, na época abrigava os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Próximo à Casa dos Governadores foram erguidos a Câmara Municipal, a sede da Provedoria Geral (o provedor-geral era considerado ministro da Fazenda) e o prédio da Santa Casa da Misericórdia.

Castro disse que todo o governo colonial, entre 1549 e 1763, foi o centro do poder do Brasil. Lá eram tomadas todas as decisões sobre o país. Ele observou que o palácio foi estrategicamente construído na parte alta da cidade, com a finalidade de demonstrar o poder, de ser a “cabeça” administrativa. Na Cidade Baixa, funcionava o centro econômico, onde ficavam o porto, os armazéns, os estaleiros, onde aconteciam todas as transações comerciais de exportação e importação do país.

Em 1663, mais de um século depois, o Palácio Rio Branco é edificado em pedra e cal com dois pavimentos, dando uma nova estrutura aos governantes da época. Os setores administrativos ficavam no térreo e a residência no andar superior, com sacadas de ferro forjado, construída por ordem do rei Dom Afonso VI para ocupação do governador-geral Francisco Barreto de Menezes.

Em 1912, o palácio é bombardeado por tiros disparados do Forte de São Marcelo, que ao cair em seu interior causaram um incêndio que consumiu boa parte do imóvel. Depois, várias reformas foram feitas. A última grande intervenção ocorreu em 1983. Somente agora, após quase 30 anos, o Palácio Rio Branco passa por uma grande restauração, sendo novamente palco das decisões políticas.

Com sua reinauguração, o governador Jaques Wagner, pelo menos uma vez na semana, passa a despachar no palácio. Ali também o público poderá conhecer, por meio de exposições, um pouco mais da história do Brasil.

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