Mídia tradicional gera mais conteúdo que redes sociais

Estudo da Pew Research Center constata que a maior parte das matérias originais provem da mídia tradicional e que sua agenda é diferente das redes sociais.

A maioria das reportagens originais vem da imprensa tradicional. Essa é uma das constatações de pesquisa do instituto norte-americano Pew Research Center, divulgada nesta segunda-feira (24/05/2010). O estudo inovou ao cotejar as matérias veiculadas pela imprensa tradicional com o conteúdo de novas mídias como blogs, Twitter e YouTube. Os dados indicam que as histórias que ganham força nas redes sociais são substancialmente diferentes das notícias de veículos tradicionais, embora o desenvolvimento tecnológico tenha permitido uma participação maior dos cidadãos nas matérias difundidas pelos meios convencionais.

As notícias se tornam cada vez mais uma experiência social compartilhada, afirmam os pesquisadores do Pew Research Center, segundo o qual, metade dos americanos diz confiar nas pessoas à sua volta para saber as novidades desejadas. Além disso, cerca de 44% dos consumidores de notícias recebem informações por e-mail, atualizações automáticas ou redes sociais, pelo menos uma vez na semana. Em 2009, a audiência do twitter, considerado um dos maiores agregadores de conteúdo jornalístico por usuários, aumentou 200%.

O estudo também considerou que cada plataforma online possui características e funções diferentes. Em 29 semanas, os blogs, Twitter e YouTube destacaram a mesma história apenas uma vez. Enquanto os blogs destacam temas relacionados às emoções e direitos ou preocupações de indivíduos ou grupo desencadeando paixões ideológicas, o twitter é mais focado em tecnologia. Já em relação ao YouTube, seus usuários não costumam adicionar comentários e idéias. Apenas assistem o vídeo e o colocam no ranking de mais assistidos. Além disso, os consumidores desse produto costumam ampliar sua visão internacional, o que indica que vídeos podem transcender as barreiras da língua de uma forma que o texto escrito não pode. Se há um consenso entre elas, é o total repúdio à spams.

Alguns dos resultados:

– A mídia social e a imprensa tradicional claramente possuem agendas diferentes. Blogs compartilham a mesma história principal com a mídia tradicional em apenas 13 das 49 semanas estudadas. O Twitter foi ainda menor, com apenas 4 de 29 semanas estudadas. No YouTube, as principais notícias coincidiram com as da mídia tradicional em 8 das 49 semanas.

– As histórias que ganham espaço em mídias sociais saem da pauta tão rapidamente quanto chegaram. Apenas 5% das cinco principais histórias de um determinado dia no Twitter mantiveram-se entre as principais notícias ao longo da semana. Isto ocorre também em 13% das matérias dos blogs e 9% no YouTube. Na imprensa tradicional, por outro lado, 50% dos cinco principais assuntos de uma semana mantiveram-se no topo uma semana depois.

– A Política, assunto muito tratado pela TV a cabo e pelo rádio, encontra lugar em blogs e no YouTube. Em blogs, 17% das cinco principais histórias de uma semana foram sobre o governo americano. Esses temas foram mais prevalentes entre os vídeos de notícias no YouTube, onde foi responsável por 21% de todas as matérias que mereceram destaque. No Twitter, no entanto, as mensagens ligadas à tecnologia foram muito mais frequentes que qualquer outro assunto, respondendo por 43% dos cinco principais temas de uma semana.

– Enquanto os consumidores de mídia social, como o Twitter, defendem uma agenda diferente da grande mídia, os blogs ainda confiam bastante na imprensa tradicional. Mais de 99% das matérias dos blogs foram originários de veículos tradicionais como jornais e redes de TV, sendo que quatro deles – a BBC, CNN, o New York Times e o Washington Post – responderam por 80% de todos os links. O conteúdo do Twitter é menos vinculado à mídia tradicional. Nesse caso, apenas 50% das mensagens postadas tiveram em fontes convencionais de notícias e 40% de fontes disponíveis apenas na web.

– Os vídeos de notícias mais populares no YouTube, por sua vez, se destacam por exibirem um ampla mistura internacional. Um quarto (26%) das principais notícias de vídeos assistidos foram de eventos não norte-americanos, principalmente aqueles com um forte apelo visual. Vídeos de celebridades também receberam destaque significativo.

Para realizar a pesquisa num ambiente em que existem milhões de blogs e tweets produzidos a cada dia Pew Research Center observou as “notícias” de maior interesse das pessoas que utilizam as mídias sociais tal como classificadas pelos sites de medida de audiência.

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